Argentina tem queda em vendas de máquinas agrícolas em 2024
Faturamento total alcança 2,2 trilhões de pesos, mas vendas de unidades caem 4% devido a fatores climáticos e aumento nos preços
A Análise do Especialista Grão Direto desta semana destaca os principais fatores que impactaram o mercado de soja e milho. A colheita avançada no Paraná, exportações recordes para a China e a trégua no Mar Negro influenciaram os preços da soja, enquanto o milho foi impactado pela alta demanda interna e pela expectativa do relatório do USDA. Com oscilações no câmbio e possíveis mudanças na mistura de etanol na gasolina, o mercado segue atento às próximas movimentações e tendências.
Produção safra 2024/25 - com cerca de 90% da soja já colhida no estado do Paraná, o Deral (Departamento de Economia Rural) projetou alta de quase 15% na produção do estado, no comparativo com o ano anterior.
Mar Negro - trégua mediada pelos Estados Unidos entre Rússia e Ucrânia visando interromper ataques no Mar Negro, canal importantíssimo para escoamento de grãos, foi anunciada na última semana, mas sem muitas certezas.
Exportações - com demandas altas e consistentes, o Brasil chegou ainda mais próximo de estabelecer números recordes de exportações de soja para China no primeiro trimestre de 2025.
Em Chicago, o contrato de soja para maio de 2025 encerrou a US$10,22 por bushel, com alta de 1,19% na semana. O contrato para março de 2026 também subiu, fechando a US$10,39 por bushel (+1,56%). O dólar teve valorização de 0,7%, encerrando a semana cotado a R$5,76. No mercado físico, a soja registrou avanços em algumas praças, acompanhando o cenário externo mais favorável e a leve recuperação cambial.
Demanda da China - até 20 de março, a China já havia embarcado aproximadamente 15,3 milhões de toneladas de soja brasileira. Considerando um tempo médio de trânsito e desembarque de 60 a 70 dias, os estoques chineses — que vinham em níveis historicamente baixos — começaram a ser recompostos. No entanto, como o ritmo de esmagamento na China ainda está abaixo do normal, os prêmios seguem sustentados. A expectativa é de que, a partir da segunda quinzena de abril, o aumento no volume de soja desembarcado comece a pressionar os preços para baixo na origem.
Argentina - o volume de soja vendido por produtores argentinos está no menor nível dos últimos dez anos. Esse atraso nas vendas tem sido motivado pela expectativa de possíveis isenções fiscais e uma melhora na taxa de câmbio. Com a oferta argentina mais limitada neste momento, a demanda pelas esmagadoras brasileiras vem crescendo, já que a Argentina é tradicionalmente o maior processador de soja do mundo.
Câmbio - o dólar tem mostrado enfraquecimento globalmente, à medida que os mercados passam a precificar que a guerra comercial iniciada pelo ex-presidente Donald Trump não terá caráter temporário. No dia 2 de abril, Trump deve anunciar seu plano de sobretaxas sobre produtos importados, e existe a possibilidade de o Brasil ser incluído na lista de países afetados. Essa definição deve ocorrer ao longo da próxima semana, podendo impactar o câmbio e, por consequência, a formação de preços da soja no Brasil.
No balanço das informações anteriores, podemos ter uma semana positiva para a soja nesse início de mês, mantendo a tendência da última semana, com pressões de baixa mais evidentes apenas a partir da segunda quinzena do mês.
Desenvolvimento de safra - avanço da colheita do milho verão, junto ao plantio do milho safrinha com boas perspectivas de chuvas, tenderam ao otimismo na última semana, pressionando as cotações na bolsa.
Mercado físico - no mercado físico os preços mostraram mais firmeza com alta demanda principalmente de granjeiros, sendo menos impactados que as cotações da B3.
Relatório USDA - a semana foi marcada por algumas indecisões no aguardo pelo relatório de intenção de plantio, programado para esta semana.
Em Chicago, o milho encerrou a semana cotado a US$4,53 por bushel, com queda de 2,16%. No Brasil, na B3, o contrato de milho para maio de 2025 também recuou, encerrando a R$77,19 por saca (-3,09%). No mercado físico, os preços do milho seguem em baixa, pressionados pela desvalorização nos mercados futuros, porém com recuos menos expressivos. Inclusive, algumas praças mostraram valorização em função da demanda.
Mercado interno - o mercado interno segue aquecido, com os preços no físico sustentados por uma demanda firme. Na última semana, o Ministro de Minas e Energia afirmou durante a E30 que a mistura de etanol na gasolina, atualmente em 27%, será elevada para 30%. Essa mudança deve intensificar a demanda por milho no curto prazo, especialmente para a produção de etanol, o que pode acentuar o aperto na oferta disponível e manter os preços sustentados nas próximas semanas.
Condições climáticas - os principais modelos climáticos apontam para uma condição de neutralidade entre os fenômenos El Niño e La Niña. Esse cenário, nas condições atuais, tende a favorecer o desenvolvimento do milho segunda safra, com previsão de temperaturas mais amenas no Centro-Oeste e chuvas bem distribuídas nas principais regiões produtoras. A continuidade desse padrão climático será essencial para garantir produtividade e evitar perdas na safra.
O relatório de intenção de plantio do USDA, previsto para 31/03 deve indicar aumento na área de milho nos EUA, com estimativas de 4% acima do ano passado. Essa expectativa já gera pressão baixista nos preços. Se confirmada, pode manter o mercado pressionado nesta semana. Por outro lado, uma área abaixo do esperado pode reverter o movimento e sustentar as cotações no curto prazo. O relatório é um importante indicativo para decisões comerciais de produtores e compradores.
Após baixas contínuas podemos ter uma semana de recuperação nos preços, ou ao menos de estabilidade, seguindo os fatores apresentados anteriormente, a depender principalmente do relatório do USDA.
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