Exportações e câmbio influenciam preços da soja e milho

Última Análise do Especialista Grão Direto do mês de março aborda os principais fatores que impactaram o mercado

31.03.2025 | 17:22 (UTC -3)
Ana Paula Cherin, edição Revista Cultivar

A Análise do Especialista Grão Direto desta semana destaca os principais fatores que impactaram o mercado de soja e milho. A colheita avançada no Paraná, exportações recordes para a China e a trégua no Mar Negro influenciaram os preços da soja, enquanto o milho foi impactado pela alta demanda interna e pela expectativa do relatório do USDA. Com oscilações no câmbio e possíveis mudanças na mistura de etanol na gasolina, o mercado segue atento às próximas movimentações e tendências.

Comportamento do mercado da soja

Produção safra 2024/25 - com cerca de 90% da soja já colhida no estado do Paraná, o Deral (Departamento de Economia Rural) projetou alta de quase 15% na produção do estado, no comparativo com o ano anterior.

Mar Negro - trégua mediada pelos Estados Unidos entre Rússia e Ucrânia visando interromper ataques no Mar Negro, canal importantíssimo para escoamento de grãos, foi anunciada na última semana, mas sem muitas certezas.

Exportações - com demandas altas e consistentes, o Brasil chegou ainda mais próximo de estabelecer números recordes de exportações de soja para China no primeiro trimestre de 2025.

Em Chicago, o contrato de soja para maio de 2025 encerrou a US$10,22 por bushel, com alta de 1,19% na semana. O contrato para março de 2026 também subiu, fechando a US$10,39 por bushel (+1,56%). O dólar teve valorização de 0,7%, encerrando a semana cotado a R$5,76. No mercado físico, a soja registrou avanços em algumas praças, acompanhando o cenário externo mais favorável e a leve recuperação cambial.

O que esperar do mercado?

Demanda da China - até 20 de março, a China já havia embarcado aproximadamente 15,3 milhões de toneladas de soja brasileira. Considerando um tempo médio de trânsito e desembarque de 60 a 70 dias, os estoques chineses — que vinham em níveis historicamente baixos — começaram a ser recompostos. No entanto, como o ritmo de esmagamento na China ainda está abaixo do normal, os prêmios seguem sustentados. A expectativa é de que, a partir da segunda quinzena de abril, o aumento no volume de soja desembarcado comece a pressionar os preços para baixo na origem.

Argentina - o volume de soja vendido por produtores argentinos está no menor nível dos últimos dez anos. Esse atraso nas vendas tem sido motivado pela expectativa de possíveis isenções fiscais e uma melhora na taxa de câmbio. Com a oferta argentina mais limitada neste momento, a demanda pelas esmagadoras brasileiras vem crescendo, já que a Argentina é tradicionalmente o maior processador de soja do mundo.

Câmbio - o dólar tem mostrado enfraquecimento globalmente, à medida que os mercados passam a precificar que a guerra comercial iniciada pelo ex-presidente Donald Trump não terá caráter temporário. No dia 2 de abril, Trump deve anunciar seu plano de sobretaxas sobre produtos importados, e existe a possibilidade de o Brasil ser incluído na lista de países afetados. Essa definição deve ocorrer ao longo da próxima semana, podendo impactar o câmbio e, por consequência, a formação de preços da soja no Brasil.

No balanço das informações anteriores, podemos ter uma semana positiva para a soja nesse início de mês, mantendo a tendência da última semana, com pressões de baixa mais evidentes apenas a partir da segunda quinzena do mês.

Comportamento de mercado do milho

Desenvolvimento de safra - avanço da colheita do milho verão, junto ao plantio do milho safrinha com boas perspectivas de chuvas, tenderam ao otimismo na última semana, pressionando as cotações na bolsa.

Mercado físico - no mercado físico os preços mostraram mais firmeza com alta demanda principalmente de granjeiros, sendo menos impactados que as cotações da B3.

Relatório USDA - a semana foi marcada por algumas indecisões no aguardo pelo relatório de intenção de plantio, programado para esta semana.

Em Chicago, o milho encerrou a semana cotado a US$4,53 por bushel, com queda de 2,16%. No Brasil, na B3, o contrato de milho para maio de 2025 também recuou, encerrando a R$77,19 por saca (-3,09%). No mercado físico, os preços do milho seguem em baixa, pressionados pela desvalorização nos mercados futuros, porém com recuos menos expressivos. Inclusive, algumas praças mostraram valorização em função da demanda.

O que esperar do mercado? 

Mercado interno - o mercado interno segue aquecido, com os preços no físico sustentados por uma demanda firme. Na última semana, o Ministro de Minas e Energia afirmou durante a E30 que a mistura de etanol na gasolina, atualmente em 27%, será elevada para 30%. Essa mudança deve intensificar a demanda por milho no curto prazo, especialmente para a produção de etanol, o que pode acentuar o aperto na oferta disponível e manter os preços sustentados nas próximas semanas.

Condições climáticas - os principais modelos climáticos apontam para uma condição de neutralidade entre os fenômenos El Niño e La Niña. Esse cenário, nas condições atuais, tende a favorecer o desenvolvimento do milho segunda safra, com previsão de temperaturas mais amenas no Centro-Oeste e chuvas bem distribuídas nas principais regiões produtoras. A continuidade desse padrão climático será essencial para garantir produtividade e evitar perdas na safra.

Relatório USDA 

O relatório de intenção de plantio do USDA, previsto para 31/03 deve indicar aumento na área de milho nos EUA, com estimativas de 4% acima do ano passado. Essa expectativa já gera pressão baixista nos preços. Se confirmada, pode manter o mercado pressionado nesta semana. Por outro lado, uma área abaixo do esperado pode reverter o movimento e sustentar as cotações no curto prazo. O relatório é um importante indicativo para decisões comerciais de produtores e compradores.

Após baixas contínuas podemos ter uma semana de recuperação nos preços, ou ao menos de estabilidade, seguindo os fatores apresentados anteriormente, a depender principalmente do relatório do USDA.

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