Dormência de sementes mantém cordas-de-viola como problema crônico

Revisão científica detalha por que Ipomoea hederacea, I. lacunosa e I. purpurea persistem em lavouras

12.01.2026 | 13:16 (UTC -3)
Revista Cultivar
(A) <i>Ipomoea hederacea</i>; (B) <i>Ipomoea lacunosa</i>; (C) <i>Ipomoea purpurea</i> -&nbsp;doi.org/10.3390/seeds5010003
(A) Ipomoea hederacea; (B) Ipomoea lacunosa; (C) Ipomoea purpurea - doi.org/10.3390/seeds5010003

As cordas-de-viola são plantas daninhas difíceis de controlar em lavouras de verão de regiões de clima quente e temperado. Revisão científica recenete mostrou que a persistência ocorre pela combinação de sementes duras, longa sobrevivência no solo e emergência escalonada ao longo da safra. O estudo analisou três espécies-chave: Ipomoea hederacea, Ipomoea lacunosa e Ipomoea purpurea.

As três espécies apresentam dormência física. O tegumento impermeável impede a entrada de água. A germinação só ocorre quando fatores ambientais rompem essa barreira. Temperaturas elevadas, variações térmicas diárias e ciclos de molhamento e secagem favorecem a abertura do ponto de entrada de água da semente.

Desaparecimento da dormência

A revisão destaca que a dormência não desaparece de forma uniforme. Parte das sementes entra em ciclos de sensibilidade. O fenômeno distribui a germinação em diferentes momentos da estação. O resultado inclui fluxos contínuos de emergência, mesmo após aplicações iniciais de herbicidas.

Em sistemas de plantio direto, o problema intensifica-se. Sementes permanecem próximas à superfície do solo. A condição aumenta a exposição a oscilações de temperatura e umidade. Esses estímulos aceleram a quebra da dormência e prolongam o período de emergência, do fim da primavera até meados do verão.

Espécies analisadas

Entre as espécies analisadas, Ipomoea lacunosa aparece como a mais abundante em levantamentos de campo no sudeste dos Estados Unidos. Estudos citados na revisão apontam perdas expressivas de produtividade em soja, que variam conforme a densidade da infestação. A planta floresce por longo período e produz sementes mesmo sob competição da cultura.

Ipomoea hederacea mostra alta flexibilidade. A espécie completa o ciclo em poucas semanas e mantém produção de sementes mesmo quando emerge tardiamente. A característica permite reposição constante do banco de sementes no solo.

Ipomoea purpurea reúne porte vigoroso e elevada produção de sementes. A revisão relata populações com resistência a herbicidas, o que amplia o desafio de manejo. As sementes germinam em ampla faixa de temperatura após o envelhecimento no solo.

O trabalho indica lacunas importantes de conhecimento. Faltam dados sobre longevidade das sementes de algumas espécies, efeitos do ambiente da planta-mãe e modelos que prevejam a emergência com base em clima e solo. Os autores defendem que o avanço nessas áreas pode melhorar o momento e a eficiência das estratégias de controle.

Mais informações em doi.org/10.3390/seeds5010003

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