Cinturão Citrícola expande-se no Brasil em razão do Huanglongbing

Pesquisas para mitigar os riscos climáticos e fitossanitários ganham força diante da proliferação da doença

18.03.2025 | 10:25 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações de Léa Cunha
Cinturão citrícola brasileiro atual (azul-escuro) e expandido (azul-claro)
Cinturão citrícola brasileiro atual (azul-escuro) e expandido (azul-claro)

O avanço do Huanglongbing (HLB), conhecida como greening, está forçando a citricultura brasileira a se reorganizar. A doença, que afeta de maneira significativa os cultivos de citros, tem impactado principalmente o Cinturão Citrícola, uma área tradicionalmente formada por São Paulo, Triângulo Mineiro e o sudoeste de Minas Gerais.

Com o agravamento do problema, novas regiões como Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e o Distrito Federal começam a integrar o chamado Cinturão Citrícola Expandido (CCE).

A Embrapa e o Fundecitrus têm intensificado pesquisas e ações para mapear os riscos climáticos e fitossanitários, buscando apoiar os produtores na adaptação para essas novas áreas. O objetivo é minimizar os impactos da doença e promover a sustentabilidade econômica dos pomares.

O papel das pesquisas

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), ferramenta desenvolvida pela Embrapa, tem sido fundamental no mapeamento dos riscos climáticos para os citricultores. O Zarc, que oferece dados detalhados sobre os riscos de perdas na produção, é um guia essencial para os produtores na hora de decidir sobre a migração dos pomares para regiões com menor risco de perda.

O estudo fornece análises que vão desde as fases iniciais de floração até a colheita, permitindo que os citricultores planejem melhor suas colheitas em um cenário de mudanças climáticas.

Maurício Coelho, pesquisador da Embrapa e coordenador do Zarc Citros, destaca a importância do zoneamento para a expansão da citricultura. O estudo mostrou que áreas limítrofes do atual Cinturão Citrícola apresentam riscos elevados de déficit hídrico, especialmente no Triângulo Mineiro e no oeste paulista, onde a falta de água pode comprometer a florada das árvores.

A publicação “Expansão do Cinturão Citrícola” traça um panorama sobre as aptidões das novas regiões e os riscos climáticos que envolvem essa migração.

Área de produção (em cinza) de laranjas; limas e limões; e tangerinas no Brasil
Área de produção (em cinza) de laranjas; limas e limões; e tangerinas no Brasil

Desafios e novas tecnologias

Além dos fatores climáticos, o controle do HLB está atrelado ao controle do psilídeo-vetor (Diaphorina citri) da bactéria responsável pela doença. A Embrapa, em parceria com o Fundecitrus, está desenvolvendo um zoneamento específico para mapear a presença do psilídeo e a ocorrência de podridão floral, outra doença que prejudica os citros.

A partir de 2025, mapas de risco para essas pragas deverão ser disponibilizados, auxiliando os citricultores a tomarem decisões mais informadas sobre os locais para o plantio.

O controle do HLB exige uma abordagem contínua, que envolva monitoramento constante dos pomares e a adoção de técnicas de manejo integrado. O uso de modelos computacionais e matemáticos ajuda a prever a incidência de doenças e pragas, tornando o manejo mais preciso.

Expansão do cinturão citrícola

A migração dos pomares para novas regiões já é uma realidade. Desde 2023, os citricultores têm buscado áreas com menor incidência de HLB, especialmente em estados como Mato Grosso do Sul, Goiás e Paraná.

Em 2024, a procura por essas novas regiões aumentou consideravelmente, apesar dos desafios logísticos e da necessidade de infraestrutura. Para os produtores, a adaptação às novas regiões é uma forma de garantir a continuidade da produção e evitar o colapso econômico causado pela propagação do greening.

O Fundecitrus e a Embrapa também destacam a importância do zoneamento para o planejamento das novas áreas de plantio. Empresas como a Cambuhy Agrícola e a Agroterenas estão investindo na expansão para estados com clima mais favorável.

A Cambuhy, por exemplo, iniciou a migração para o Mato Grosso do Sul com a intenção de gerar 1.200 empregos diretos e expandir a produção. A Agroterenas projeta o plantio de 1.500 hectares até 2026, com base nas orientações de pesquisadores da Embrapa e do Fundecitrus.

Superação de obstáculos

Embora os desafios sejam numerosos, como o alto custo do transporte, a escassez de mão de obra e as altas temperaturas em algumas regiões, as pesquisas em andamento e as ações do governo têm sido um suporte fundamental para garantir o sucesso da migração. De acordo com Danilo Yamane, consultor da FortCitrus, as orientações sobre clima e risco fitossanitário são essenciais para reduzir o risco do investimento.

A expansão do Cinturão Citrícola é um reflexo das mudanças impostas pela evolução do HLB e uma tentativa de assegurar a viabilidade da citricultura no Brasil. Com as ações e pesquisas em andamento, a adaptação da cultura de citros a novas regiões e ao clima será fundamental para a sustentabilidade da cadeia produtiva e para o futuro do setor.

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