Adubação reduz gafanhotos migratórios

Estudo em escala agrícola mostra que aumento de nitrogênio no solo diminui danos de praga

15.01.2026 | 14:37 (UTC -3)
Revista Cultivar
Foto: Quinton Kendall, ASU
Foto: Quinton Kendall, ASU

A aplicação de fertilizantes nitrogenados em lavouras de milheto reduziu a abundância de gafanhotos migratórios, diminuiu os danos às plantas e elevou de forma expressiva a produtividade. O resultado surgiu de um experimento em campo aberto, conduzido com cem agricultores em duas regiões do Senegal. O trabalho também demonstrou que a estratégia funciona mesmo com insetos altamente móveis, fora de gaiolas ou áreas confinadas.

O estudo ocorreu nas localidades de Gossas e Gniby, no centro do país. Cada agricultor separou dois hectares de milheto. Um recebeu adubação mineral. O outro permaneceu sem fertilizante. Pesquisadores acompanharam as áreas ao longo da safra. Eles mediram a presença de gafanhotos, o nível de dano foliar e a produção final de grãos. Entre 85 a 90% das populações observadas era de Oedaleus senegalensis.

Adubação no estudo

Antes da adubação, a quantidade de insetos mostrou níveis elevados e semelhantes nas duas áreas. Após a aplicação dos fertilizantes, os números começaram a divergir. As lavouras adubadas passaram a registrar menos gafanhotos do que as áreas sem tratamento. A diferença se manteve nas avaliações seguintes, realizadas durante e depois do manejo nutricional do solo.

Os pesquisadores também avaliaram o dano causado às folhas. Nas áreas fertilizadas, a proporção de tecido vegetal consumido caiu de forma consistente. O padrão apareceu na maioria das propriedades participantes. Os dados indicaram que a redução da praga não se relacionou com variações de umidade do ar ou cobertura vegetal. A temperatura exerceu apenas efeito discreto sobre a contagem dos insetos.

A produtividade respondeu de maneira direta. As áreas adubadas produziram, em média, mais que o dobro de grãos em comparação às parcelas sem fertilizante. Os agricultores não relataram aumento de outras pragas ou doenças associadas ao maior teor de nitrogênio nas plantas. O ganho em rendimento ocorreu junto com a queda na pressão dos gafanhotos.

Explicação para o resultado

A explicação do efeito observado reside na nutrição dos insetos. Gafanhotos migratórios demandam grande quantidade de energia para crescimento e deslocamento. Eles respondem melhor a plantas com baixo teor de proteína e alta oferta de carboidratos e lipídios. O aumento do nitrogênio no solo eleva a proporção de proteína nas folhas. Esse desequilíbrio dificulta a alimentação eficiente dos insetos.

No caso do milheto, a adubação elevou de forma significativa a relação proteína-carboidrato das folhas. As plantas passaram a apresentar valores muito acima das preferências alimentares do gafanhoto senegalês. Ao consumir esse material, o inseto encontra dificuldade para atender às exigências energéticas sem ingerir proteína em excesso. O resultado envolve menor crescimento, menor sobrevivência e menor capacidade de migração.

Pesquisas anteriores já haviam indicado esse mecanismo em laboratório e em experimentos com áreas confinadas. O diferencial do novo trabalho envolveu a escala. Os testes ocorreram em campos abertos, inseridos na paisagem agrícola real, com livre circulação de insetos entre áreas tratadas e não tratadas. Mesmo assim, o efeito da adubação prevaleceu.

Outras informações em doi.org/10.1038/s41598-025-27884-z

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