Diclosulam

02.06.2026 | 08:53 (UTC -3)

Diclosulam é um herbicida seletivo de solo, amplamente utilizado no Brasil para o controle pré-emergente de plantas daninhas de folhas largas na cultura da soja. Pertence à classe das triazolopirimidinas sulfonamidas e é um inibidor da ALS (acetolactato sintase).

Nome comum: diclosulam (também conhecido como XDE-564 ou DE-564 durante o desenvolvimento).

Número CAS: 145701-21-9

Fórmula química bruta: C13H10Cl2FN5O3S

Classe química: herbicida da família das sulfonanilidas triazolopirimidínicas (triazolopirimidina sulfonamida). Pertence ao Grupo B (HRAC) / Grupo 2 (WSSA) — inibidores da enzima acetolactato sintase (ALS/AHAS).

Principais nomes de produtos comerciais: Spider 840 WGPartner 840 WG e outros.

Histórico de desenvolvimento: desenvolvido pela Dow AgroSciences (atualmente Corteva Agriscience). Introduzido comercialmente por volta do ano 2000. Recebeu a designação experimental XDE-564. É um herbicida de solo sistêmico com boa atividade residual, desenvolvido para culturas de leguminosas como soja e amendoim. A síntese envolve etapas de ciclização para formação do núcleo triazolopirimidínico, seguida de clorossulfonação e substituição nucleofílica.

Mecanismo de ação: inibe a enzima acetolactato sintase (ALS/AHAS), bloqueando a biossíntese de aminoácidos de cadeia ramificada (valina, leucina e isoleucina). Isso interrompe a divisão celular e o crescimento das plantas daninhas suscetíveis. É absorvido principalmente pelas raízes (e também por folhas em aplicações foliares), com translocação via xilema e floema para os meristemas. Apresenta ação residual no solo, controlando fluxos de germinação por semanas após a aplicação.

Espectro de controle: seletivo para soja, controla principalmente plantas daninhas de folhas largas (e algumas ciperáceas). No contexto brasileiro de soja, destaca-se no controle de: buva (Conyza bonariensis e spp.), caruru (Amaranthus spp.), picão-preto (Bidens pilosa), corda-de-viola (Ipomoea spp.) e outras folhas largas anuais. Também apresenta atividade sobre tiririca-amarela (Cyperus esculentus) em certas condições. Oferece bom controle residual (geralmente 30-60 dias, dependendo de dose, textura do solo, matéria orgânica e precipitação). Não é o herbicida mais forte contra gramíneas, mas misturas ou posicionamento adequado ampliam o espectro.

Compatibilidades e interações: compatível com glifosato em dessecações pré-plantio e com vários herbicidas de outros grupos (ex.: inibidores de PPO como flumioxazina ou sulfentrazona; auxinas sintéticas como halauxifeno-metílico em misturas comerciais). Evitar misturas com outros inibidores de ALS (Grupo B/2) para não intensificar a pressão de seleção de resistência. Verificar sempre compatibilidade física em teste de jarro (especialmente com formulações WG ou SC). Fatores que reduzem atividade: solos com alta argila/matéria orgânica (maior adsorção); pH muito ácido ou básico; palhada densa sem chuva suficiente para incorporação. Em rotação e sucessão: residual pode afetar culturas sensíveis como algodão (leve fitotoxicidade inicial em doses altas, mas geralmente sem impacto em produtividade).⁠

Posicionamento agronômico: no Brasil, é posicionado como herbicida pré-emergente de solo (ou em aplicação logo após dessecação com glifosato) na soja, especialmente em sistemas de plantio direto ou com alta pressão de folhas largas resistentes a glifosato.

Cuidados: alto risco de resistência (Grupo B). Nunca usar isoladamente ou de forma repetitiva sem rotação com outros mecanismos de ação (ex.: Grupos 14, 5, 15, 4 etc.). Monitorar buva e caruru, que já apresentam populações resistentes a ALS em várias regiões. Aplicar com boa cobertura de solo e chuva/incorporação adequada após a aplicação.

Outras informações:

Os resultados revelam altos níveis de resistência múltipla e cruzada em Conyza bonariensis ao glifosato, diclosulam e clorimuron. De modo geral, herbicidas com mecanismos de ação alternativos controlaram eficazmente C. bonariensis, que apresentava resistência múltipla e cruzada. Este estudo confirma o primeiro caso de resistência cruzada de C. bonariensis ao diclosulam e ao clorimuron, e a primeira ocorrência de resistência múltipla e cruzada ao glifosato, ao diclosulam e ao clorimuron nesta espécie. - DOI 10.3390/agronomy14010079 -

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