Método para diagnosticar a meleira do mamoeiro
Por Tuffi Cerqueira Habibe e Antonio Souza do Nascimento (Embrapa Mandioca e Fruticultura)
O setor agroindustrial da mandioca gera resíduos que podem representar um grande nicho para a geração de produtos com maior valor agregado.
A produção de etanol a partir do farelo da mandioca tem como principal objetivo obter álcool fino para emprego nas indústrias de bebidas, perfumaria e farmacêutica. Além destas aplicações convencionais, a partir do etanol é possível extrair ainda o hidrogênio, apontado por especialistas como o centro da economia mundial dentro de algumas décadas, pois quando superadas algumas barreiras tecnológicas esse produto poderá ser usado em células combustíveis.
O hidrogênio já desempenha um importante papel na indústria, pois é usado em grande escala na produção da amônia e na hidrogenação de óleo vegetal. Como energético é utilizado em foguetes espaciais e em células a combustível (CaCs) na geração de energia elétrica.
A produção de hidrogênio a partir de etanol de mandioca vem garantir o uso do hidrogênio nos próximos anos. Hoje, 90% do que é produzido deriva da reforma do gás natural. Desde 2008, a Embrapa Agroindústria de Alimentos (Rio de Janeiro – RJ) está conduzindo um projeto nessa linha em parceria com empresas públicas e privadas.
O farelo de mandioca, por exemplo, vem da HALOTEK-FADEL, empresa localizada em São Paulo. Na Embrapa é feita a caracterização e a biotransformação do farelo em hidrolisado. O hidrolisado é rico em açúcares e precisa de um processo de fermentação para que se obtenha o etanol.
A partir do etanol destilado e/ou pervaporado, entra em cena o Instituto Nacional de Tecnologia (INT) que é responsável pela etapa de caracterização quanto à presença de contaminantes e aplicação nas células combustíveis.
As pesquisas também contam com a colaboração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Centro de Raízes e Amidos Tropicais (CERAT/UNESP). O projeto recebeu R$ 260 mil do edital Agrofuturo para cobrir as atividades até o final de 2010. Se os resultados até lá forem promissores, teremos soluções para uso do etanol de mandioca como alternativa energética.
Doutora em Bioquímica, pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos
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