Método para diagnosticar a meleira do mamoeiro
Por Tuffi Cerqueira Habibe e Antonio Souza do Nascimento (Embrapa Mandioca e Fruticultura)
É causada pelo fungo
(P. Henn) Rane, Payak e Renfro (sin.
P. Hennings=
Sacc). A forma imperfeita ou assexual desse fungo é denominada Phyllosticta sp. e apresenta conidios hialinos, unicelulares, tipicamente uni ou bigutulados. Em meio de cultura, a cor do micélio pode variar entre branco, cinza, esverdeado e vermelho, dependendo da composição do meio e das condições de incubação.
Em geral, os sintomas dessa doença, que se caracterizam por lesões de cor palha, aparecem primeiro nas folhas inferiores, progredindo rapidamente para as folhas superiores e são mais severos após o pendoamento. Em condições favoráveis, essa doença pode causar seca prematura das folhas e redução no ciclo da planta. O tamanho e o peso dos grãos podem ser drasticamente reduzidos. Podem ocorrer também nas palhas das espigas e não ocorrem na fase de plântulas
Inicialmente, as lesões são circulares, aquosas, de cor verde claro. Posteriormente, passam a necróticas, de cor palha, circulares a elípticas, com diâmetro variando de 0,3 a 1,0 cm. Geralmente, são encontradas dispersas no limbo foliar, podendo coalescer. Nas lesões, na face superior das folhas, podem ser observadas as estruturas de reprodução do fungo (peritécios e picnídios).
A severidade dessa doença é favorecida por temperaturas noturnas em torno de 14ºC e, principalmente, por umidade relativa acima de 60%. Os plantios tardios de milho, quando realizados a partir de novembro, no Brasil Central, em geral permitem que a cultura se desenvolva sob altas precipitações pluviométricas, propiciando condições adequadas para o desenvolvimento da doença.
As formas de disseminação, de sobrevivência e os hospedeiros do agente causal da Mancha por
são pouco conhecidas. Considerando-se que esse patógeno forma clamidosporos (esporos de resistência), é possível que permaneça nessa forma, no solo, por longos períodos de tempo. À semelhança do que ocorre com outros patógenos, é possível que sobreviva também nos restos de cultura, na forma de conídios, dentro de picnídios. Assim, ao longo do tempo, em áreas onde se utiliza sistematicamente o plantio direto, pode ocorrer um aumento na concentração de inóculo desse patógeno no solo, tornando as lavouras de milho mais sujeitas à ocorrência da doença em alta severidade.
Até o momento, o milho é o único hospedeiro conhecido.
O método mais eficiente para o controle da mancha por
é a utilização de cultivares resistentes. Embora várias cultivares comerciais de milho, têm-se mostrado suscetíveis a essa doença, existem outras com bom nível de resistência.
Uma prática cultural que tem-se mostrado efetiva no controle dessa doença, em algumas regiões, é a realização dos plantios mais cedo, evitando-se, assim, os plantios tardios nos quais a fase de maior suscetibilidade das plantas coincide com o período chuvoso, que favorece o desenvolvimento dessa doença.
Quanto ao controle químico, alguns fungicidas como o Mancozeb, têm se mostrado eficientes no controle dessa doença quando aplicados tão logo apareçam os primeiros sintomas, mas ainda não foram registrados no Ministério da Agricultura para essa finalidade.
Observa-se que, no caso de ocorrência da doença em alta severidade, os restos de cultura devem ser incorporados ao solo para decomposição e consequentemente redução da concentração das formas de sobrevivência do patógeno no solo, antes do próximo plantio.
Informações sobre essa e outras doenças da cultura do milho, podem ser encontradas no site "Diagnose virtual de doença do milho" na Home Page da Embrapa - Milho e Sorgo:
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Embrapa Milho e Sorgo
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