Sulfoximina (Sulfoxaflor)

24.06.2026 | 07:11 (UTC -3)

Sulfoximina (sulfoxaflor) é um inseticida sistêmico da classe das sulfoximinas, desenvolvido para o controle de pragas sugadoras de seiva em diversas culturas agrícolas. Sua estrutura química única confere características distintas em relação aos neonicotinoides, embora compartilhe o mesmo sítio-alvo geral (receptores nicotínicos de acetilcolina).

Nome comum: sulfoxaflor (nome ISO aprovado)

Número CAS: 946578-00-3

Fórmula química bruta: C10H10F3N3OS

Classe química: sulfoximina (sulfoximine). Pertence ao Grupo 4C da classificação do IRAC (Insecticide Resistance Action Committee): moduladores competitivos de receptores nicotínicos da acetilcolina (sulfoxaminas). Não é classificado como neonicotinoide (Grupo 4A), embora apresente modo de ação similar com diferenças importantes na interação com o receptor e no metabolismo

Principais nomes de produtos comerciais no Brasil: Closer, Expedition, Verter, Exor e outros.

Histórico de desenvolvimento: desenvolvido pela Dow AgroSciences (atual Corteva Agriscience) como o primeiro inseticida da classe das sulfoximinas. A investigação do grupo funcional sulfoximina como scaffold bioativo levou a extensos estudos de relação estrutura-atividade. A patente básica data de prioridade de 2006, com publicação em 2007. O produto foi registrado inicialmente em vários países por volta de 2012-2013 (com reavaliações nos EUA devido a preocupações com polinizadores). No Brasil, o primeiro registro de produtos formulados ocorreu por volta de 2018-2019, com avaliações ambientais pelo Ibama.

Mecanismo de ação: atua como agonista ou modulador dos receptores nicotínicos de acetilcolina (nAChR) no sistema nervoso central dos insetos, com interação preferencial pela subunidade β1 (diferente dos neonicotinoides em aspectos de ligação e suscetibilidade metabólica). Causa hiperexcitação, descoordenação, paralisia e morte. É sistêmico (movimento translaminar e via xilema), com ação por contato e ingestão. Pertence ao IRAC 4C, o que favorece estratégias de manejo de resistência por rotação com grupos de modo de ação distinto.

Espectro de controle: principalmente insetos da ordem Hemiptera (sugadores de seiva): pulgões (Aphis gossypii, Myzus persicae etc.), moscas-brancas (Bemisia tabaci), percevejos de plantas (Lygus spp. e alguns pentatomídeos), cigarrinhas/planthoppers (Nilaparvata lugens), cochonilhas, psilídeos e alguns tripes. Apresenta boa eficácia contra populações resistentes a neonicotinoides em vários estudos laboratoriais e de campo. Menor atividade contra lagartas (Lepidoptera) e ácaros (supressão parcial em alguns casos). No Brasil, é indicado para pragas em algodão, soja, tomate, citros, feijão, meloeiras e cereais, alinhado ao espectro de sugadores.

Compatibilidades e interações: não há relatos extensos de incompatibilidades químicas graves em literatura técnica, mas recomenda-se teste de jarra (jar test) antes de misturas tanque com outros agroquímicos ou fertilizantes foliares. Evitar pH extremos (muito alcalino pode afetar estabilidade). Como inseticida sistêmico, misturas que reduzam absorção foliar ou causem fitotoxicidade devem ser evitadas. Alta toxicidade para abelhas exige atenção redobrada em misturas que possam aumentar exposição (ex.: não aplicar em horários de forrageamento). Baixa cross-resistance com neonicotinoides em muitos alvos devido a diferenças na interação com enzimas metabolizadoras (fase I) e no sítio de ligação no receptor.⁠

O produto é altamente tóxico para abelhas. Há impõem restrições de aplicação em culturas atrativas a polinizadores, com proibição durante forrageamento, janelas de aplicação antes e após floração e exigência de bordaduras para reduzir deriva.

Posicionamento agronômico: inseticida foliar sistêmico indicado para o controle de pragas sugadoras em culturas como algodão, soja, tomate, citros, feijão, melão, melancia, trigo e outras (conforme bula brasileira). Doses típicas variam de 14–144 g i.a./ha dependendo da cultura e praga (ex.: taxas mais baixas em algodão para pulgão/mosca-branca; mais altas em citros ou soja).

Números de patentes: WO2007095229 e outras.

Outras informações:

Estudo revelou que a exposição crônica a concentrações subletais do inseticida sulfoxaflor afeta com maior intensidade os tecidos reprodutivos do que os neurais em abelhas Bombus impatiens. Após 21 dias de alimentação com solução açucarada contaminada, as operárias apresentaram alterações significativas na expressão gênica dos ovários, desenvolvimento ovariano comprometido, redução na produção de ovos, aumento do comportamento de ferroada e prejuízo na construção de ninhos nas microcolônias. Os resultados indicam que os impactos moleculares se manifestam em prejuízos fisiológicos e comportamentais em nível de colônia (DOI: 10.1016/j.ecoenv.2026.120101).

Revisão científica publicada em 2021 conclui que o inseticida sulfoxaflor apresenta baixa ou nenhuma cross-resistance com neonicotinoides na grande maioria das populações de pragas sugadoras, mesmo naquelas já resistentes a compostos do grupo 4A. Segundo o estudo, as diferenças químicas e na interação com enzimas metabolizadoras e receptores nicotínicos permitem classificar o sulfoxaflor em um subgrupo distinto (IRAC 4C), o que reduz o risco de resistência cruzada e reforça seu valor como ferramenta de manejo de resistência em culturas como soja, algodão e hortaliças (DOI: 10.1016/j.pestbp.2021.104924).

Estudo publicado em 2022 revela que o pulgão-do-algodoeiro (Aphis gossypii) desenvolve resistência ao inseticida sulfoxaflor por meio de mecanismos metabólicos, o que altera seu comportamento alimentar e compromete alguns parâmetros biológicos da praga. A pesquisa mostrou que insetos resistentes apresentam mudanças no padrão de alimentação e redução em características importantes do ciclo de vida, indicando um possível custo biológico associado à resistência (DOI: 10.1007/s10340-021-01407-x).

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