Linurom (linuron)

08.06.2026 | 18:42 (UTC -3)

Linurom (linuron) é um herbicida seletivo e sistêmico amplamente reconhecido por sua eficácia no controle de plantas daninhas dicotiledôneas e algumas gramíneas anuais. Pertencente à classe das fenilureias, o composto atua como inibidor do Fotossistema II (Grupo 5 HRAC / Grupo 7 WSSA), interrompendo a cadeia fotossintética e levando ao colapso celular das invasoras.

Nome comum: linuron

Número CAS: 330-55-2

Fórmula química bruta: C9H10Cl2N2O2

Massa molecular: 249,10 g/mol

Classe química: pertence à família das feniluréias (phenylureas), subgrupo das ureias substituídas. No sistema de classificação HRAC (Herbicide Resistance Action Committee), é enquadrado no Grupo 5 (antiga denominação Grupo C1) — inibidores do Fotossistema II que se ligam ao sítio QB da proteína D1. No sistema WSSA, corresponde ao Grupo 7.

Principais produtos comerciais: AfalonLinurex Agricur

Histórico de desenvolvimento: o linuron foi sintetizado pela Hoechst AG (Alemanha) no final da década de 1950, dentro de um amplo programa de pesquisa em herbicidas da família das ureias, cuja semente havia sido plantada pela descoberta do monuron pela DuPont em 1951 — o primeiro herbicida de pré-emergência sistêmico do grupo. O produto chegou ao mercado nos EUA em 1966, com o registro básico concedido à DuPont (que comercializou o produto como Lorox), enquanto a Hoechst o distribuía globalmente sob a marca Afalon. A substância ativa passou por revisões regulatórias importantes: na União Europeia, a EFSA conduziu revisão completa de risco em 2016 e, em 2017, o linuron não foi aprovado para renovação na UE, por preocupações com disrupção endócrina e ecotoxicologia aquática.

Mecanismo de ação: o linuron é um inibidor do Fotossistema II (PSII), classificado no Grupo 5 da HRAC. Sua ação ocorre por ligação competitiva e reversível à proteína D1 (subunidade do complexo PSII no tilacóide do cloroplasto), especificamente no sítio de ligação da plastoquinona QB. Ao ocupar esse sítio, o linuron bloqueia a transferência de elétrons de QA (plastoquinona reduzida) para QB, interrompendo a cadeia fotossintética de transporte de elétrons. A luz continua excitando a clorofila, mas a energia não pode ser dissipada pela fotoquímica normal; em consequência, acumulam-se espécies reativas de oxigênio (ROS), que provocam peroxidação lipídica das membranas tilacoidais, degradação da clorofila e colapso celular (fotooxidação). Plantas sensíveis exibem clorose seguida de necrose. Por ser sistêmico, o linuron é absorvido predominantemente pelas raízes (em pré-emergência) e também pelas folhas (em pós-emergência), translocando-se pelo xilema no sentido apoplástico (acropetal).

Espectro de controle: o linuron possui atividade principalmente sobre dicotiledôneas anuais e controle parcial de algumas gramíneas anuais. As principais espécies controladas incluem: Amaranthus spp. (carurus/beldroega), Chenopodium album (ançarinha-branca), Galinsoga parviflora (picão-branco), Raphanus raphanistrum (nabiça), Stellaria media, Polygonum spp. (erva-de-bicho), Bidens spp. (picão-preto), Solanum americanum (maria-pretinha) e Conyza spp. Para gramíneas, há controle parcial de Echinochloa crus-galli, Setaria spp. e Crabgrass (Digitaria spp.), especialmente quando aplicado sobre solo úmido e com boa atividade microbiana. Gramíneas perenes e algumas dicotiledôneas com raízes profundas escapam ao controle.

Compatibilidades e interações: compatível em mistura em tanque com diversos herbicidas de outros mecanismos de ação, sendo prática usual para ampliar o espectro de controle e reduzir risco de resistência. Combinações frequentemente utilizadas: com metribuzin (outro inibidor de PSII, mas de maior atividade em gramíneas), com pendimethalin (inibidor de tubulina), com flurochloridone (inibidor de carotenoides — sinergismo documentado), e com acetocloro ou alachlor (inibidores de VLCFA). Essas misturas são especialmente relevantes em batata e cenoura para ampliar o espectro sobre espécies tolerantes. Deve-se evitar mistura com óleos adjuvantes concentrados em culturas sensíveis, pois podem aumentar absorção foliar e causar fitotoxicidade. Recomenda-se sempre a realização de teste de jarra (jar test) antes de qualquer mistura em tanque para verificar compatibilidade física e química. O linuron pode apresentar efeitos aditivos ou ligeiramente sinérgicos com outros inibidores de PSII, mas o uso simultâneo com herbicidas do mesmo grupo aumenta pressão seletiva sobre plantas daninhas com mutação no gene psbA.

Posicionamento agronômico: linuron é um herbicida seletivo, sistêmico, de pré e pós-emergência, com atividade residual no solo (meia-vida típica: 48 dias em condições de campo, com amplitude de 10–170 dias dependendo de temperatura, umidade e textura do solo). No Brasil, seu principal posicionamento é em horticultura, sendo o herbicida mais utilizado na cenoura (Daucus carota) — cultura para a qual há poucos herbicidas registrados no país. Em cebola transplantada, aplica-se em pré-emergência ou até uma semana após o transplante. Em batata, usa-se exclusivamente em pré-emergência. Em alho, coentro e outras hortaliças de raiz e bulbo, o produto preenche lacuna de opções herbicidas. O posicionamento em larga escala inclui também soja, milho e cereais de inverno em países onde mantém registro, embora no Brasil o uso atual seja predominantemente em horticultura. A crescente pressão regulatória em mercados desenvolvidos (retirada na UE em 2017) tem estimulado pesquisas por alternativas ao linuron em sistemas de produção de cenoura e demais olerícolas.

Outras informações:

Estudo avaliou o efeito residual do linuron e do oxyfluorfen em três solos tropicais brasileiros (Argissolo, Latossolo e Cambissolo), por meio de bioensaios com espécies indicadoras em diferentes intervalos de tempo (0 a 200 dias após a aplicação). O RL₅₀ (tempo de meia-resíduo para emergência) do linuron variou de 75 dias (Argissolo) a 149 dias (Cambissolo), enquanto o GR₅₀ (tempo de meia-resíduo para crescimento) foi de 48 a 120 dias, indicando maior persistência em solos com menor atividade microbiana e menor teor de argila. O trabalho fornece dados essenciais para o planejamento de rotação de culturas após o uso do linuron em regiões tropicais, onde a variabilidade de solo é elevada. - DOI: 10.3390/agrochemicals2010003 -

Estudo avaliou a seletividade do linuron para a cenoura em aplicações de pós-emergência, considerando genótipo, dose e estádio de desenvolvimento da cultura. Foram conduzidos quatro experimentos (um em casa de vegetação e três a campo) em área de produção comercial. No ambiente controlado, testaram-se doses de 0, 225, 450 e 675 g i.a. / ha sobre plantas com 1 e 2–3 folhas verdadeiras das cultivares Brasília, Kuronan e Verano. A campo, cultivares Verano e BRS Planalto foram tratadas em dois estádios de desenvolvimento com doses de 0 a 990 g i.a. / ha. O linuron aplicado em pós-emergência mostrou-se seletivo para a cenoura independentemente de cultivar, dose ou estádio da planta no momento da aplicação, confirmando a segurança de uso do produto em janelas amplas de aplicação. - DOI: 10.1590/s0100-83582017350100063 - 

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