Dinotefurano (Dinotefuran) é um inseticida sistêmico da classe dos neonicotinoides de terceira geração, amplamente utilizado no contexto agrícola para o controle de pragas sugadoras em diversas culturas.
Nome comum: dinotefuran
Número CAS: 165252-70-0
Fórmula química bruta: C7H14N4O3
Classe química: neonicotinoide de terceira geração (furanicotinil), subclasse nitroguanidina. Pertence ao Grupo 4A do IRAC (moduladores competitivos dos receptores nicotínicos da acetilcolina). Diferencia-se dos neonicotinoides de primeira e segunda geração pela presença de um anel tetrahidrofurano em vez de anéis cloropiridínicos ou clorotiazólicos halogenados.
Principais nomes de produtos comerciais no Brasil: Dinno, Zeus e outros. O produto foi registrado no Brasil em agosto de 2019.
Histórico de desenvolvimento: descoberto e desenvolvido pela Mitsui Chemicals, Inc. (Japão) na década de 1990 (por volta de 1993), com base em design molecular racional a partir do éster de acetilcolina como estrutura líder. A estrutura única com anel tetrahidrofurano foi otimizada para atividade inseticida e menor toxicidade mamífera relativa. Registrado no Japão em abril de 2002. Nos EUA, registrado em 2004.
Mecanismo de ação: atua como agonista dos receptores nicotínicos de acetilcolina (nAChR) no sistema nervoso central dos insetos. Causa superestimulação contínua dos neurônios, resultando em paralisia, cessação da alimentação em poucas horas e morte. Apresenta ação sistêmica (translocação na planta), de contato e ingestão, com atividade translaminar. Sua estrutura furânica confere modo de ligação ligeiramente distinto de outros neonicotinoides, o que pode contribuir para eficácia contra algumas populações resistentes. Não inibe colinesterase nem interfere em canais de sódio (diferente de organofosforados, carbamatos e piretroides).
Espectro de controle: amplo espectro, com atividade contra pulgões, mosca-branca, percevejos, cigarrinhas, cochonilhas e tripes. Também controla alguns coleópteros (besouros) e outrosMenos eficaz contra lagartas em comparação com outros grupos.
Compatibilidades e interações: geralmente compatível em misturas de tanque com muitos fungicidas e inseticidas de outros grupos. O sinergista PBO (piperonil butóxido) aumenta a toxicidade em populações resistentes (indicando envolvimento de P450). Evitar misturas com produtos fortemente alcalinos. Em IPM, deve-se monitorar impacto sobre inimigos naturais (tóxico para abelhas e alguns predadores/parasitoides; usar em janelas de aplicação seguras). Alta solubilidade em água favorece sistemicidade, mas requer atenção a deriva e lixiviação.
Posicionamento agronômico: inseticida de choque rápido com residual sistêmico. No Brasil, posicionado para arroz, soja, milho, cana e hortaliças. Recomenda-se rotação com outros modos de ação (ex.: Grupo 28 diamidas, espinosinas) para manejo de resistência. Baixas doses (geralmente 50–200 g i.a./ha dependendo da formulação e cultura). Aplicação foliar predominante; potencial para drench ou tratamento de sementes. Atenção especial a polinizadores (evitar floração) e organismos aquáticos (devido à solubilidade).
Outras informações:
O dinotefurano é um inseticida neonicotinóide desenvolvido pela Mitsui Chemicals Agro. O dinotefurano apresenta um grupo tetraidrofurano (THF) distinto de outros neonicotinóides com um anel de cloropiridina ou clorotiazol, considerado um elemento estrutural essencial para a ação neonicotinóide. A estratégia de planejamento molecular baseada no grupo éster de acetilcolina como estrutura principal levou com sucesso à descoberta do dinotefurano com o grupo funcional éter cíclico THF. As propriedades químicas únicas, as excelentes propriedades biológicas e o perfil toxicológico favorável tornam o dinotefurano disponível para o manejo de pragas em uma ampla gama de culturas, com diversos métodos de aplicação. - DOI: 10.1021/jf1030778 -
Monitoramento revelou uma população de campo de mosca-branca (Bemisia tabaci) com resistência elevada ao dinotefurano (255,6 vezes). A resistência é incompletamente recessiva, poligênica e mediada principalmente por enzimas P450 (sobretudo CYP6DW5). O sinergista PBO aumentou a toxicidade, e o silenciamento do gene CYP6DW5 restaurou sensibilidade. Evidência de resistência cruzada com outros neonicotinoides. - DOI: 10.1002/ps.7251 -
O pesticida neonicotinóide dinotefuran aumenta a temperatura corporal das abelhas e acelera a translocação de contaminantes para dentro das colmeias (Apis mellifera), aumentando o risco de ecotoxicidade. - DOI: 10.1016/j.enceco.2025.12.009 -