Clorpirifós (chlorpyrifos) é um inseticida organofosforado de amplo espectro com restrições crescentes em diversos países devido a preocupações com toxicidade neurológica, impacto em polinizadores e organismos aquáticos.
Nome comum: chlorpyrifos ou chlorpyrifos-ethyl
Número CAS: 2921-88-2
Fórmula química bruta: C9H11Cl3NO3PS
Classe química: organofosforado (Grupo IRAC 1B – inibidores da acetilcolinesterase). Inseticida e acaricida de contato e ingestão (não sistêmico). Também apresenta alguma atividade nematicida em certas formulações/usos.
Principais nomes de produtos comerciais no Brasil: Clorpirifós Nortox EC, Clorpirifós 48 EC Gharda e outros.
Histórico de desenvolvimento: desenvolvido pela Dow Chemical Company (atual Corteva). Primeira patente de composição e processo em 5 de abril de 1966 (US 3.244.586). Introduzido comercialmente sob as marcas Dursban (uso doméstico) e Lorsban (agrícola). Tornou-se um dos organofosforados mais usados globalmente para pragas de solo e foliares. Com o tempo, cresceu a evidência de neurotoxicidade (inibidor de AChE com efeitos em baixas doses no desenvolvimento neurológico), levando a restrições ou banimentos em UE, EUA (uso altamente limitado a poucas culturas a partir de 2025, com revogações planejadas) e outros países. No Brasil, permanece registrado e entre os mais vendidos historicamente.
Mecanismo de ação: inibe irreversivelmente a enzima acetilcolinesterase (AChE) no sistema nervoso dos insetos. Isso impede a hidrólise da acetilcolina, causando acúmulo do neurotransmissor, superestimulação nervosa contínua, paralisia e morte. Ação principal por contato e ingestão (estômago). O metabólito clorpirifós-oxon é mais potente inibidor da AChE. Classificação IRAC 1B.
Espectro de controle: amplo espectro contra insetos mastigadores e sugadores: Lepidoptera, Coleoptera, Hemiptera, alguns Diptera e outros.Usado em aplicações foliares e, em algumas formulações, no solo. Eficaz contra pragas de culturas como milho, soja, algodão, citros, batata, feijão, café, maçã, cereais, etc. Não é sistêmico e tem ação residual moderada (depende de condições ambientais).
Compatibilidades e interações: pode apresentar incompatibilidades físicas (precipitação, separação de fases) com certos fungicidas, especialmente misturas de estrobilurinas + triazóis. Evitar misturas com teflubenzurom ou triflumuron em alguns casos. Realizar sempre teste de jarra antes de misturas em tanque. Sensível à hidrólise em condições alcalinas (pH alto da água/calda acelera degradação). Compatível com muitos piretroides e outros inseticidas para ampliação de espectro ou manejo de resistência, mas priorizar rotação de grupos químicos. Há risco de resistência cruzada com outros organofosforados e carbamatos. Impacta negativamente inimigos naturais e polinizadores.
Posicionamento agronômico: inseticida de amplo espectro, custo relativamente acessível e de ação rápida, posicionado para controle de pragas foliares e de solo em diversas culturas brasileiras. No contexto manejo integrado de pragas: usar com base em monitoramento e níveis de dano econômico. Rotacionar com outros modos de ação (ex.: diamidas IRAC 28, avermectinas 6, espinosinas 5, Bt) para retardar resistência — especialmente relevante para S. frugiperda, que apresenta populações com tolerância reduzida ou resistência a organofosforados em várias regiões. Altamente tóxico para abelhas, organismos aquáticos (classe ambiental II — muito perigoso) e alguns artrópodes de solo/benéficos → evitar deriva, aplicar em horários de baixa atividade de polinizadores, respeitar buffers e reentrada (geralmente mínimo 24 h após secagem da calda). Integrar com controle biológico, cultivares Bt (quando disponíveis) e práticas culturais. Devido a restrições internacionais e preocupações com resíduos e neurotoxicidade, tende a ser ferramenta tática em programas de transição para alternativas mais seletivas ou biológicas. Seguir rigorosamente bulas, doses e intervalos de segurança. Em solos tropicais brasileiros, adsorção e dissipação dependem fortemente da matéria orgânica.
Outras informações:
Monitoramento de suscetibilidade de populações de Spodoptera frugiperda revelou sobrevivência média de aproximadamente 29–36% após exposição a clorpirifós, indicando variação e tolerância em cepas de campo. Análise comparativa de expressão gênica entre cepas suscetíveis e resistentes sugere envolvimento de mecanismos metabólicos e possivelmente de sítio-alvo na redução de suscetibilidade. - DOI: 10.1002/ps.7399 -
Estudo caracteriza a resistência de campo evoluída ao clorpirifós em populações brasileiras de Spodoptera frugiperda. A resistência foi determinada como autossômica, incompletamente dominante e poligênica, com pequena contribuição de mutações no sítio-alvo. Os resultados destacam o risco de falhas de controle em milho e soja no Brasil e a importância de estratégias de manejo de resistência (rotação de modos de ação e monitoramento). - DOI: 10.1002/ps.6576 -