Bixafem (Bixafen)

07.05.2026 | 10:48 (UTC -3)

Bixafem (Bixafen) é um fungicida importante no contexto agrícola brasileiro e mundial, pertencente à classe moderna dos inibidores de succinato desidrogenase (SDHI). É amplamente utilizado em misturas para controle de doenças fúngicas em culturas como soja, trigo, milho, algodão e cevada.

Nome comum: Bixafen

Número CAS: 581809-46-3

Fórmula química bruta: C18H12Cl2F3N3O

Classe química: Pirazol-4-carboxamida (pyrazole-carboxamide), subgrupo das carboxamidas. Atua como inibidor de succinato desidrogenase (SDHI). Pertence ao grupo FRAC 7 (Fungicide Resistance Action Committee). É também classificado como pirazolcarboximida e anilida.

Principais nomes de produtos comerciais no Brasil:

  • Valpura (Bayer): formulação à base de bixafem puro (concentrado emulsionável – EC), registro MAPA nº 07924.
  • Fox Xpro (Bayer): mistura de bixafem (125 g/L) + protioconazol (175 g/L) + trifloxistrobina (150 g/L), suspensão concentrada (SC), registro MAPA nº 24117.

Histórico de desenvolvimento: desenvolvido pela Bayer CropScience, o bixafen foi introduzido em 2006 e obteve a primeira aprovação regulatória mundial no Reino Unido em 2010 (para cereais). É um dos primeiros SDHIs da “nova geração” de pirazol-carboxamidas. No Brasil, o ingrediente ativo técnico foi registrado em 2017 e os produtos formulados (como Fox Xpro) entraram no mercado a partir de então. A síntese envolve o acoplamento de um ácido pirazol-carboxílico substituído com uma amina bifenil-halogenada.

Mecanismo de ação: inibe a enzima succinato desidrogenase (SDH, complexo II da cadeia respiratória mitocondrial) dos fungos, bloqueando a respiração celular e o fornecimento de energia. Isso resulta em ação fungicida preventiva, curativa e erradicante. É sistêmico e mesostêmico (move-se no xilema e na superfície da folha).

Espectro de controle: amplo espectro contra fungos Ascomycota e Deuteromycota.

Compatibilidades e interações: compatível com a maioria dos fungicidas de outros grupos (triazóis/DMI – Grupo 3 e estrobilurinas/QoI – Grupo 11), como visto nas formulações comerciais. É recomendado em misturas para manejo de resistência. Estudos in vitro brasileiros mostram compatibilidade variável com cepas de Trichoderma afroharzianum (biocontroladores). Não deve ser misturado com produtos altamente alcalinos. Apresenta baixa volatilidade, mas persistência elevada no solo (DT₅₀ > 200 dias).

Posicionamento agronômico: fungicida sistêmico / mesostêmico de aplicação foliar (aérea, terrestre ou drone), ideal para programas de manejo preventivo ou no início da infecção (ex.: R1–R3 na soja). Destaca-se pela longa residualidade e pelo controle de patógenos resistentes a outros modos de ação. No Brasil, é posicionado principalmente em soja (ferrugem), milho, trigo e algodão, contribuindo para aumento de produtividade e manejo integrado de resistência (MIR). Dose típica em misturas: 62,5–125 g i.a./ha de bixafem.

Números de patentes: WO 03/070705, US 7329633 e outras.

Outras informações científicas:

Os efeitos do bixafen na senescência e na formação da produtividade de plantas de trigo foram estudados e comparados aos efeitos causados por azóis, estrobilurinas e espiroquetalaminas em condições livres de doenças em casa de vegetação. A aplicação de fungicidas retardou o aparecimento e a senescência das espigas de trigo. A aplicação de bixafen, fluoxastrobina e protioconazol também retardou a senescência das folhas e prolongou significativamente a duração da área foliar verde em comparação com plantas não tratadas e tratadas com espiroxamina. As diferenças na senescência de folhas e espigas entre os tratamentos foram confirmadas por medições da temperatura do tecido do trigo como indicador da atividade de transpiração. [...] A aplicação de bixafen aumentou significativamente a produtividade em comparação com todos os outros tratamentos. A temperatura das espigas e das folhas apresentou correlação negativa com a produtividade de grãos. A menor temperatura dos tecidos das plantas tratadas com fungicidas foi um indicador adequado de vitalidade tecidual e maior atividade fotossintética, devido ao retardo da senescência das espigas e das folhas. A combinação de efeitos positivos na fisiologia do trigo resultou em uma vantagem de produtividade para as plantas tratadas com bixafen. - doi.org/10.1016/j.pestbp.2012.07.010 -

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