Acibenzolar-S-metílico (Acibenzolar-S-Methyl)

08.06.2026 | 08:13 (UTC -3)

Acibenzolar-S-metil (Acibenzolar-S-Methyl - ASM ou BTH) é um indutor de resistência sistêmica adquirida (SAR) amplamente utilizado na agricultura como ativador de plantas (plant activator). Diferente de fungicidas convencionais, ele não apresenta ação direta significativa sobre patógenos, mas estimula as defesas naturais da planta.

Nome comum: acibenzolar-S-methyl

Número CAS: 135158-54-2

Fórmula química bruta: C8H6N2OS2

Classe química: derivado benzotiadiazol (1,2,3-benzothiadiazole). Pertence ao grupo de indutores de defesa de plantas (FRAC P1). É classificado como fungicida/ativador de plantas, mas seu modo de ação é indireto via ativação de defesas do hospedeiro.

Principais nomes de produtos comerciais no Brasil: Bion 500 WG

Histórico de desenvolvimento: desenvolvido nos laboratórios da Ciba-Geigy (atual Syngenta) a partir dos anos 1980. Após testes de relação estrutura-atividade com derivados do ácido 1,2,3- benzotiadiazol-7-carboxílico, o tioéster S-metílico (código CGA 245704) foi selecionado por sua boa tolerância em culturas e eficácia na indução de SAR. A primeira síntese do ácido parental foi descrita em patentes da Ciba-Geigy. Lançado comercialmente em 1996 na Europa (Alemanha) como Bion; posteriormente expandido para outros mercados como Actigard. É um análogo funcional do ácido salicílico (SA).

Mecanismo de ação: induz resistência sistêmica adquirida (SAR) ao mimetizar o ácido salicílico e ativar a via de sinalização downstream de SA (envolvendo proteínas como SABP2 e NPR1). Leva à expressão de genes de defesa, produção de proteínas relacionadas à patogênese (PR-proteínas, como β-1,3-glucanase e quitinase), reforço de paredes celulares (papilas), acúmulo de compostos antimicrobianos e, em alguns casos, defesa estomática. Não é diretamente tóxico à maioria dos patógenos (ou tem efeito limitado, reduzindo crescimento micelial, formação de escleródios etc. em alguns casos). Aplicação preventiva é essencial (há um período de latência de horas a dias para ativação plena). Absorção rápida e translocação sistêmica (acropetal e basipetal).

Espectro de controle: amplo espectro indireto contra fungos, oomicetos, ascomicetos, deuteromicetos, bactérias e alguns vírus (via defesa da planta). Exemplos incluem oídio, míldio/requeima, antracnose, ferrugens, bacteriose. No Brasil, é usado contra mancha angular/bacteriana, requeima, pinta-preta, oídio, míldio, crestamento bacteriano, mosaico-dourado (indiretamente).

Compatibilidades e interações: boa compatibilidade com programas de manejo integrado de doenças (MID/IPM). Pode ser integrado a fungicidas / bactericidas convencionais, rotação de culturas, cultivares resistentes e controle biológico / cultural — não os substitui. Baixo risco teórico de resistência por patógenos devido ao modo de ação indireto. Verificar bulas para misturas em tanque. Baixa fitotoxicidade nas doses recomendadas (testar em ornamentais). A permissão de uso na União Europeia foi retirada recentemente por preocupações com propriedades desreguladoras endócrinas.

Posicionamento agronômico: preventivo (aplicar antes da entrada de patógenos). Doses baixas (geralmente 15–50 g/ha no Brasil, ex. 25 g/ha para tomate/algodão). Aplicação foliar (terrestre ou aérea) ou, em alguns países, tratamento de sementes. Máximo de aplicações por safra limitado por cultura (ex. até 10 em tomate/algodão). Complementa o programa fitossanitário rotineiro e é ferramenta valiosa para manejo de resistência e redução de uso de fungicidas convencionais.

Outras informações:

Avaliação da eficácia do acibenzolar-S-metil (BTH) como indutor de resistência sistêmica adquirida contra doenças bacterianas e fúngicas do tabaco. O produto protegeu plantas de tabaco contra vários patógenos ao ativar mecanismos de defesa naturais, demonstrando potencial como ferramenta de proteção de plantas com modo de ação distinto dos fungicidas convencionais. - DOI: 10.1016/S0261-2194(99)00026-5 -

Mostra que o acibenzolar-S-metil induz resistência sistêmica no algodão contra a podridão causada por Thielaviopsis basicola. O tratamento ativou defesas da planta, reduzindo a severidade da doença em experimentos de campo e laboratório, posicionando-o como componente promissor de estratégias integradas de manejo para doenças radiculares em algodão. - DOI: 10.1071/AP05089 -

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