Acetocloro (acetochlor) é um herbicida seletivo do grupo das cloroacetanilidas, amplamente utilizado no manejo de plantas daninhas em culturas como milho, soja, algodão e, no Brasil, também em cana-de-açúcar. Ele atua principalmente em pré-emergência ou pós-emergência inicial, controlando gramíneas anuais e algumas dicotiledôneas.
Nome comum: acetochlor
Número CAS: 34256-82-1
Fórmula química bruta: C14H20ClNO2
Classe química: pertence à classe das cloroacetanilidas (ou cloroacetamidas).
Classificação HRAC/WSSA: Grupo 15 (inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeia muito longa – VLCFA elongase inhibitors). Na classificação legada HRAC, é K3.
Principais nomes de produtos comerciais no Brasil: Surpass e Wallop.
Histórico de desenvolvimento: desenvolvido pela Monsanto Company e pela Zeneca nos anos 1980. Introduzido comercialmente por volta de 1985. Nos EUA, foi registrado em 1994 pela Acetochlor Registration Partnership (ARP) - joint venture inicial entre Monsanto e Zeneca (sucedida na parceria pela Dow AgroSciences, atual Corteva, em 2000). No Brasil, os registros evoluíram com as empresas (Corteva herdou linhas relacionadas). É um dos herbicidas residuais mais usados em milho e soja nos EUA, substituindo em parte o alachlor em alguns contextos.
Mecanismo de ação: inibe a elongase (enzima responsável pela síntese de ácidos graxos de cadeia muito longa – VLCFA), essenciais para a formação da cutícula e membranas celulares em plantas em germinação. Isso prejudica a divisão celular e o crescimento de brotos e raízes de plantas daninhas. É absorvido principalmente pelo coleóptilo e, secundariamente, pelo sistema radicular durante a germinação. É seletivo para culturas como milho porque estas metabolizam o produto mais rapidamente ou toleram melhor os efeitos. Não é sistêmico em plantas adultas e tem ação predominantemente residual no solo.
Espectro de controle: gramíneas anuais (Digitaria spp., Echinochloa spp., Setaria spp., Cenchrus echinatus, Eleusine indica); algumas dicotiledôneas anuais (Amaranthus spp. e Chenopodium spp.).
Compatibilidades e interações: compatível na maioria dos tanques com herbicidas como atrazina, mesotriona, tembotriona, fomesafem, sulfentrazona e glifosato (em aplicações sequenciais ou em mistura conforme bula). Formulações encapsuladas (CS) são mais seguras em misturas. Existem patentes e formulações com antídotos (safeners) para culturas mais sensíveis (ex.: arroz em alguns mercados). Evitar misturas que causem incompatibilidade física ou redução de eficácia. Em programas de manejo, é frequentemente usado em layering (aplicação residual + pós-emergente) para ampliar o espectro e retardar resistência.
Posicionamento agronômico: herbicida residual de solo posicionado principalmente em pré-emergência ou pós-emergência inicial da cultura (antes da emergência das daninhas). No Brasil, é recomendado em milho e cana-de-açúcar, com doses ajustadas conforme textura do solo, matéria orgânica e infestação (sempre consultar bula específica).
É ferramenta estratégica no Manejo Integrado de Plantas Daninhas (MIPD), especialmente em áreas com resistência a inibidores de ALS (Grupo 2), EPSPS (Grupo 9/glyfosato) ou HPPD (Grupo 27). Ajuda a reduzir pressão de seleção sobre herbicidas pós-emergentes. Em solos brasileiros tropicais, sua persistência varia com temperatura, umidade e matéria orgânica (geralmente residual de 4–8 semanas). Recomenda-se rotação de mecanismos de ação e uso de culturas de cobertura para sustentabilidade.
Outras informações:
Ensaios de campo (2022–2023) em Ontário avaliaram misturas de acetocloro com outros herbicidas residuais em milho contra A. tuberculatus múltiplo-resistente. Acetocloro isolado controlou 97% das plantas aos 12 semanas após aplicação em alguns ensaios. Misturas com dicamba, metribuzim, diflufenican, sulfentrazona ou flumioxazina proporcionaram controle excelente. Não houve injúria no milho. Conclui que acetocloro (isolado ou em mistura) continua sendo ferramenta valiosa, embora a resistência a Grupo 15 exija estratégias integradas. - DOI: 10.1017/wet.2024.16 -