Thunder®: um novo mecanismo de ação para ampliar o manejo de plantas daninhas resistentes

Como a inibição da biossíntese de folatos compromete o crescimento das plantas daninhas

07.08.2026 | 14:35 (UTC -3)

PUBLIEDITORIAL

O aumento da resistência de plantas daninhas aos herbicidas tem reduzido significativamente a eficiência de importantes ferramentas utilizadas no manejo químico. Entre as espécies mais preocupantes no Brasil, o capim-pé-de-galinha (Eleusine indica) destaca-se pela ampla distribuição, elevada capacidade competitiva e ocorrência crescente de biótipos resistentes a herbicidas como glifosato e inibidores da ACCase. A gravidade dessa planta também está associada à arquitetura do seu sistema radicular, que é denso, fasciculado e altamente agressivo, facilitando a exploração do solo e dificultando o desenvolvimento das raízes da cultura, e limitando drasticamente o seu potencial produtivo. Nesse cenário, a introdução de herbicidas com novos mecanismos de ação torna-se essencial para ampliar as opções de controle e reduzir a pressão de seleção exercida sobre as populações infestantes.

Thunder® apresenta como ingrediente ativo o Asulam, herbicida pós-emergente, sistêmico e único herbicida do Grupo 18 (I) do HRAC, atuando como inibidor da dihidropteroato sintase (DHPS), enzima essencial para a biossíntese de folatos nas plantas. Esse mecanismo de ação amplia as possibilidades de diversificação dos programas de manejo e representa uma importante ferramenta para o manejo da resistência. 

Mecanismo de ação do Thunder®

Figura 1
Figura 1

O Asulam atua bloqueando a enzima dihidropteroato sintase (DHPS), responsável por uma etapa-chave da biossíntese de folatos. Os folatos participam da síntese de nucleotídeos, aminoácidos e de reações de transferência de unidades de carbono fundamentais para a divisão celular e a atividade meristemática. Dessa forma, a interrupção dessa via metabólica compromete rapidamente processos fisiológicos essenciais, resultando inicialmente na paralisação do crescimento das plantas e, posteriormente, no desenvolvimento dos sintomas visuais característicos, levando a planta à morte. (Figura 1).

Além dos efeitos sobre o crescimento, a redução da disponibilidade de folatos pode afetar processos associados ao metabolismo energético e à manutenção da atividade fotossintética. Esse comportamento ajuda a explicar por que alterações fisiológicas podem ser detectadas pouco tempo após a aplicação do herbicida, mesmo antes do aparecimento de sintomas visíveis de injúria.

Ação rápida do Thunder® antes dos sintomas visuais

 A inibição da DHPS resulta na rápida supressão do crescimento vegetal, principalmente em tecidos meristemáticos, seguida pelo aparecimento progressivo de clorose em folhas jovens e regiões de intensa atividade metabólica (Figura 2). Com a continuidade da ação herbicida, os sintomas evoluem para necrose e morte da planta. Apesar de as manifesta­ções visuais ocorrerem alguns dias após a aplicação, alterações fisiológicas e metabólicas críticas são desencadeadas logo após a exposição das plantas ao Thunder®.

Figura 2
Figura 2

Para compreender essas alterações precoces, pesquisadores do Grupo de Pesquisa em Plantas Daninhas e Pesticidas no Ambiente (PDPA/UFRRJ) avaliaram plantas de capim-pé-de-galinha resistentes a glifosato, cletodim e haloxifope, utilizando a técnica de fluorescência transiente da clorofila a, ferramenta capaz de detectar alterações no desempenho fotossintético antes da manifestação de sintomas visíveis.

 Apenas 24 horas após a aplicação de Thunder®, observou-se redução dos índices PIABS e PITOTAL em relação à testemunha (Figura 3), evidenciando que tanto a eficiência fotoquímica inicial quanto o transporte de elétrons já haviam sido comprometidos. Ou seja, mesmo a planta não apresentando sintomas de injúria causados pelo Thunder® nas primeiras horas após aplicação, a planta já apresentava seu metabolismo energético comprometido, reduzindo sua capacidade de crescimento e recuperação.

Esses resultados demonstram que, mesmo na ausência de sintomas visuais, o metabolismo energético das plantas já se encontra comprometido, reduzindo sua capacidade de crescimento, recuperação e desenvolvimento. Em outras palavras, quando os primeiros sinais de amarelecimento e necrose se tornam visíveis, o processo de controle já está em andamento há vários dias.

Figura 3
Figura 3

A eficácia do Thunder® no controle estratégico do capim-pé-de-galinha

O Thunder® está posicionado para uso no manejo antecipado e estratégico, atuando sobre plantas de capim-pé-de-galinha de até oito perfilhos. No manejo das plantas daninhas na dessecação pré-plantio, Thunder® deve ser aplicado pelo menos cinco dias antes da semeadura de soja, milho, algodão e feijão, e pelo menos dez dias antes da semeadura do trigo. 

O posicionamento do Thunder® (2.000 g/ha de Asulam) para manejo de capim-pé-de-galinha deve ser associado ao glifosato (1.440 g/ha) + 0,5% de óleo metilado de soja e à aplicação sequencial, após sete a 14 dias da primeira aplicação, com glufosinato-sal de amônio (500 g/ha) + pré-emergente (s-metolacloro, clomazone, flumioxazina etc.) + adjuvante. O controle de capim-pé-de-galinha usando Thunder® vem mostrando excelentes resultados (Figura 4).

Figura 4
Figura 4

Em sistemas agrícolas em que o glifosato e os graminicidas inibidores da ACCase são utilizados de forma repetitiva, a incorporação de mecanismos de ação distintos é uma das principais estratégias recomendadas pelos programas de manejo da resistência. Nesse contexto, Thunder® contribui para a diversificação dos mecanismos de ação, reduzindo a pressão de seleção por atuar sobre um alvo bioquímico completamente diferente daqueles presentes nas principais ferramentas atualmente utilizadas no manejo de gramíneas (Figura 5). Até o momento, não existem casos confirmados de resistência de plantas daninhas a herbicidas inibidores da DHPS.

Dessa forma, o Asulam consolida-se como uma importante ferramenta para o manejo de plantas daninhas de difícil controle. Além de disponibilizar um mecanismo de ação distinto, o herbicida pode ser associado a moléculas amplamente utilizadas nos sistemas de produção, como o glifosato, inibidores de Protox, FSII, auxínicos ou graminicidas, contribuindo para diversificar os programas de manejo e ampliar a eficiência no controle de plantas daninhas resistentes.

Figura 5
Figura 5

*Por Amanda de Moraes Azevedo Pereira, Jéssica Ferreira Sabino e Camila Ferreira de Pinho, do Grupo de Pesquisa Plantas Daninhas e Pesticidas no Ambiente - PDPA/UFRRJ; Rafael Jose Pereira Rovea e Jéssica Ferreira Lourenço Leal, da UPL Brasil

Compartilhar

Newsletter Cultivar

Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura

acessar grupo whatsapp