Micorrizas arbusculares e o desenvolvimento das plantas
A antiga aliança entre fungos e plantas que segue inovando a agricultura
Em junho, a Organização Meteorológica Mundial alertou governos e setores sensíveis ao clima para que se preparassem para um El Niño potencialmente forte. Dois meses depois, sua atualização mais recente indica que o fenômeno continua ganhando força. A WMO espera que ele influencie o clima entre agosto e outubro, incluindo mudanças significativas nos padrões de precipitação em diversas regiões.
Para a agricultura, os primeiros sinais já começam a aparecer nas condições das lavouras, e são bastante diferentes de uma região para outra. As culturas no Canadá e na Austrália permanecem relativamente resilientes apesar do aumento da seca. O excesso de chuvas começa a se tornar uma preocupação para o trigo no sul do Brasil, as precipitações melhoraram as perspectivas para a Argentina e a Índia continua apresentando fortes diferenças regionais.
O que acontecerá com as lavouras daqui para frente dependerá muito da localização e do momento em que as condições climáticas ocorrerem. Um período seco após um início de ciclo úmido pode ter consequências muito diferentes do mesmo período seco em uma cultura que já esteja sob estresse, especialmente à medida que as lavouras entram em estágios mais sensíveis de desenvolvimento.
Analisamos a precipitação acumulada, a umidade do solo e os sinais de vegetação obtidos por satélite, comparando-os também com temporadas anteriores de El Niño. Até agora, várias grandes regiões produtoras apresentam sinais de aumento da pressão, embora perdas generalizadas de produção ainda não tenham surgido.
Nas Pradarias Canadenses, as chuvas intensas de maio e junho vieram após vários anos de seca e ajudaram a recompor a tão necessária umidade do solo antes do período de desenvolvimento das culturas. As lavouras responderam rapidamente. No final de julho, as pradarias apresentavam sua melhor condição de meio de temporada em aproximadamente uma década, com base na análise da EarthDaily de dados de satélite e agronômicos.
Essa vantagem inicial agora está sendo testada. Julho foi mais seco nas Pradarias, e a umidade do solo diminuiu. Ainda assim, as condições das lavouras permaneceram boas, beneficiadas pelo início úmido de maio e junho.
Isso pode não ser suficiente caso o período seco persista. As culturas plantadas mais cedo estão em uma posição mais favorável, enquanto as áreas plantadas mais tarde podem começar a sentir os efeitos antes. Chuvas nas próximas semanas aliviariam consideravelmente essa pressão. Por enquanto, uma boa produtividade para o trigo canadense continua sendo possível, e as perspectivas permanecem muito mais favoráveis do que em 2023.
Neste momento nos Estados Unidos, com milho e soja avançando pelo meio de seus ciclos de desenvolvimento no Meio-Oeste, o El Niño normalmente não produz um sinal climático forte ou consistente. Isso também é refletido na perspectiva da NOAA para junho–agosto.
O histórico é misto. O milho dos EUA apresentou bom desempenho em 2015 e desempenho ruim em 2023, e o El Niño se desenvolveu em ambos os anos. Simplesmente não existe um sinal consistente o suficiente para avaliar a safra de milho ou soja apenas com base no El Niño.
Para o trigo de inverno, a situação é um pouco diferente. O El Niño pode trazer mais umidade durante o inverno para o Kansas e outras partes do sul do cinturão de trigo, embora o momento em que essa chuva ocorre possa ser tão importante quanto seu volume.
Em 2015, as chuvas aumentaram significativamente durante a primavera, mas grande parte delas chegou tarde, depois que as lavouras já haviam enfrentado estresse hídrico entre o final de janeiro e o início de abril. Posteriormente, as chuvas tornaram-se concentradas e excessivas, aumentando a pressão de doenças e limitando a capacidade da cultura de se recuperar totalmente.
Portanto, para o trigo de inverno dos EUA, o impacto depende muito de quando a chuva ocorre, de seu volume e do estágio de desenvolvimento em que a cultura se encontra. De modo geral, o sinal do ENSO para as culturas dos EUA permanece menos pronunciado do que em várias outras grandes regiões produtoras.
O El Niño é frequentemente discutido sob a perspectiva de seca e calor. Para a cultura do trigo no Brasil, porém, o risco emergente é o excesso de chuva. As precipitações aumentaram na região produtora do Sul do país, responsável por mais de 80% da produção nacional de trigo.
Ainda não existe um problema significativo para a cultura, mas a questão agora é o que chuvas persistentes podem significar à medida que o trigo avança para estágios mais sensíveis de desenvolvimento. Condições úmidas prolongadas podem dificultar o manejo das lavouras e aumentar a pressão de doenças fúngicas, enquanto períodos prolongados de nebulosidade podem reduzir a disponibilidade de radiação solar para a fotossíntese e o enchimento dos grãos. Os efeitos podem aparecer não apenas na produtividade, mas também na qualidade dos grãos colhidos.
Temporadas anteriores influenciadas pelo El Niño justificam cautela. Tanto em 2015 quanto em 2023, o excesso de chuvas contribuiu para perdas na produção de trigo, embora as condições mais prejudiciais tenham se tornado mais significativas posteriormente no ciclo. Portanto, o padrão atual representa um sinal de alerta inicial, e não evidência de perdas que já estejam ocorrendo.
A partir de setembro, a cultura entrará em um período mais crítico. Caso o padrão úmido persista à medida que o trigo atinge estágios sensíveis de desenvolvimento, os riscos para a produção e para a qualidade dos grãos poderão aumentar rapidamente.
A Argentina mostra como o significado de um sinal climático pode mudar rapidamente. A temporada começou seca, aumentando as preocupações com o trigo. As chuvas ganharam força a partir de meados de julho nas principais regiões produtoras, acompanhadas por uma melhora na umidade do solo. Os dados da EarthDaily mostram que a precipitação acumulada agora está acima dos níveis de 2023, com um forte aumento da umidade do solo no início de agosto.
Essa melhora está alinhada à maneira mais ampla como o El Niño tende a afetar a Argentina. Diferentemente de regiões onde o fenômeno costuma trazer calor e seca,o El Niño frequentemente aumenta as chuvas no coração agrícola argentino. Onde a drenagem é adequada, essa umidade adicional pode favorecer o desenvolvimento das culturas em vez de prejudicá-las.
A comparação com 2023 é importante, pois naquele ano a seca se estabeleceu por volta de meados de julho e persistiu até meados de outubro, contribuindo para baixas produtividades do trigo. As condições em 2026 estão agora seguindo uma trajetória mais próxima de um cenário favorável, fazendo da Argentina uma das melhorias mais claras desde a avaliação de junho.
Essa vantagem, entretanto, é condicional. A questão imediata é saber se as chuvas permanecerão suficientes à medida que o trigo avançar pelos próximos estágios de desenvolvimento. Mais adiante no ciclo, o momento das chuvas será tão importante quanto seu volume: precipitações que atualmente favorecem a cultura podem começar a interferir nas operações de campo ou na qualidade dos grãos caso se tornem excessivas em um estágio mais sensível.
As culturas de trigo, cevada e canola da Austrália permanecem em boas condições, com o NDVI continuando a indicar desenvolvimento saudável em grande parte do país. Entretanto, os padrões de precipitação estão começando a apresentar diferenças importantes entre as regiões.
Na Austrália Ocidental, as chuvas diminuíram e a tendência de 2026 começa a se assemelhar à de 2023, quando as produtividades foram baixas. A vegetação ainda está em condições muito melhores do que naquele momento, embora a leitura mais recente do NDVI tenha apresentado queda.
O leste da Austrália permanece em melhor situação por enquanto, com umidade do solo satisfatória sustentando o desenvolvimento das culturas. Essa vantagem poderá ser testada nos próximos meses. A perspectiva do Australian Bureau of Meteorology para agosto–outubro prevê chuvas abaixo da média para a maior parte da South West Land Division, na Austrália Ocidental, e para a maioria dos estados do leste. Caso esse padrão se concretize, o problema atual poderá evoluir de uma seca localizada no oeste para um risco mais amplo à produção.
A Austrália permanece em boas condições atualmente, mas provavelmente é o país onde o risco mais aumentou desde a avaliação de junho.
A Índia é o exemplo mais claro de como um número nacional de precipitação da monção pode esconder tanto quanto revela. A principal preocupação no início da temporada era uma combinação de calor e chuvas insuficientes, e esse risco agora é visível em algumas regiões. As precipitações continuam abaixo da média nessas áreas e, em alguns locais, os acumulados são ainda menores do que eram neste mesmo momento em 2015 e 2023.
Em outras regiões, o cenário é bastante diferente. Apesar do atraso no início da monção, as chuvas melhoraram consideravelmente e foram suficientes para sustentar o desenvolvimento das culturas. Portanto, a Índia não enfrenta uma única história de seca em escala nacional, mas sim uma combinação altamente regional de déficits já estabelecidos e condições de cultivo mais favoráveis.
Em 5 de agosto, a Índia ainda apresentava precipitação 11% abaixo da média de longo prazo da monção. Os números regionais eram muito mais heterogêneos. A região central era a exceção, ficando ligeiramente acima da média. O maior déficit estava no leste e nordeste da Índia, com 27%. A península sul estava 18% abaixo da média e o noroeste, 12% abaixo. Isso deixa milho e soja nas regiões mais secas particularmente expostos à medida que avançam para estágios importantes de desenvolvimento.
O retorno ou não das chuvas a essas regiões determinará se o sinal atual permanecerá administrável ou começará a afetar o desempenho das culturas. Por enquanto, o risco é significativo em algumas áreas, mas não em escala nacional.
De forma generalizada, ainda não. Entre as regiões avaliadas, Austrália e Brasil merecem atualmente a maior atenção. A seca está se intensificando na Austrália e pode se expandir para além da Austrália Ocidental, enquanto o excesso de chuvas está se desenvolvendo na principal região produtora de trigo do Brasil. A Índia continua enfrentando déficits localizados de precipitação, as perspectivas da Argentina melhoraram, as culturas canadenses permanecem resilientes apesar do retorno de condições mais secas e o sinal do El Niño continua menos pronunciado nas culturas dos EUA.
A perspectiva mais recente da WMO indica que o El Niño deverá continuar se fortalecendo durante agosto–outubro. Isso aumenta a importância das próximas semanas, especialmente onde as culturas estão avançando para estágios sensíveis de desenvolvimento. Os mercados de grãos e alimentação animal estarão atentos à produtividade, qualidade dos grãos, momento da colheita e disponibilidade regional à medida que as condições evoluírem.
À medida que o El Niño se intensifica, as próximas semanas deverão trazer as primeiras evidências mais claras de suas consequências para a temporada agrícola de 2026.
*Por Felippe Reis, analista de safra da EarthDaily
Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura
A antiga aliança entre fungos e plantas que segue inovando a agricultura
Testamos o primeiro trator da indiana Preet, recém-chegada ao Brasil. O Preet 9049 Super é um trator que se destaca pela simplicidade dos sistemas, a robustez do seu conjunto de motor de 90 cv e a transmissão 12 x 12 sincronizada