O futuro do agro e os reflexos para a sociedade em 2026

Por Sérgio Bortolozzo, presidente da Sociedade Rural Brasileira

02.01.2026 | 14:14 (UTC -3)
Sérgio Bortolozzo
Sérgio Bortolozzo

A chegada de um novo ano é sempre um momento de reflexão, de balanço do que fizemos até aqui e hora de projetar o que virá pela frente.

É uma realidade que se repete no campo e na cidade. Começa naquele que plantou o trigo e não sabe se as contas vão fechar na próxima safra. Passa por quem produziu a farinha e enfrentou as incertezas de uma taxa de juros elevada, pelo padeiro e por qualquer trabalhador que acordou cedo, todos os dias, para colocar o pão na mesa.

A mensagem que nós agricultores queremos dar a toda a sociedade neste momento é que, faça chuva ou faça sol, lançaremos a semente no solo. E essa é uma atitude de fé, de expectativas positivas em relação ao futuro. Nessa hora confiamos que essa semente vai nascer, frutificar e gerar benefícios para muita gente – emprego, renda e alimentos que são consumidos no mundo inteiro.

Vivemos um momento de dificuldades. Os preços agrícolas seguem em patamares mais baixos se comparados aos últimos anos. Poucos países vêm conseguindo atingir suas metas de crescimento e os conflitos geopolíticos agravam a incerteza para todos.

O crédito ao produtor rural nunca esteve tão restrito. O Brasil bateu novo recorde de recuperações judiciais entre produtores rurais. Muitos dos casos se explicam na combinação de alto endividamento e quebras de safra provocadas pelo clima adverso.

Mas não podemos perder a esperança. O agronegócio é feito de ciclos de alta e de baixa. Portanto, a certeza que temos é que quando está ruim, a tendência é melhorar.

Em 2025, havia sinais de avanço nas negociações do acordo Mercosul e União Europeia. Este tema é fundamental para que novas oportunidades se abram para nossos produtos, com mais estabilidade no fluxo de comércio, o que trará reflexos para a economia do País como um todo. Porém, mais uma vez a divergência entre os países europeus acabou adiando uma definição sobre o acordo, que ficou para janeiro.

Na COP 30, o mundo começou a ver realidades que até então era conhecidas por poucos. O agro brasileiro tem e seguirá tendo um papel fundamental no sequestro de carbono e na redução das emissões de efeito estufa na cadeia de alimentos, por meio de práticas que, embora alguns países conheçam somente agora, nós já adotamos amplamente. É o caso do uso de cultivos de cobertura, para melhorar a saúde do solo e da integração lavoura-pecuária-floresta, só para citar dois exemplos.

Entre os alertas para 2026, pedimos atenção de todos à regulamentação de pontos pendentes da Reforma Tributária. Não podemos deixar que as mudanças venham a onerar ainda mais os produtores rurais, o que traria aumento nos preços dos alimentos, impactando a inflação e a vida de cada um de nós.

Será um ano com forte apelo eleitoral e não podemos deixar que o excesso de preocupação partidária atrapalhe pautas urgentes para o campo, como a garantia de um modelo moderno de seguro rural, para proteger as lavouras em casos de intempéries climáticas.

A Sociedade Rural Brasileira, entidade centenária da qual tenho orgulho de presidir, estará vigilante neste processo e imune a qualquer tipo de ideologia. Nosso foco é a defesa do produtor rural e a busca constante de um impacto positivo para toda a sociedade. Feliz 2026!

*Por Sérgio Bortolozzo, presidente da Sociedade Rural Brasileira

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