Como o clima vai afetar a sojicultura brasileira?
Por Bárbara Faria Sentelhas, membro efetiva do Cesb, Engenheira Agrônoma e CEO da Agrymet
PUBLIEDITORIAL
O ácaro-rajado (Tetranychus urticae) consolidou-se como uma das pragas mais desafiadoras do algodoeiro no Brasil, exigindo múltiplas aplicações ao longo do ciclo. Essa mudança decorre de seu elevado potencial biótico, ciclo curto, reprodução partenogenética (em parte) e ampla gama de hospedeiros (Figura 1). Sua tendência à agregação em tecidos protegidos dificulta o controle químico, e a redistribuição no campo, impulsionada por operações mecanizadas, contribui para surtos populacionais. Além disso, a intensificação do uso de inseticidas de amplo espectro compromete inimigos naturais, e os efeitos subletais (hormese), somados a falhas no monitoramento e decisões tardias, favorecem a rápida recuperação populacional. Com histórico global de resistência, o ácaro demonstra alta capacidade de seleção de indivíduos menos sensíveis. Nesse cenário, estratégias exclusivamente reativas têm se mostrado insuficientes, tornando essencial o uso integrado de táticas de manejo, com foco em moléculas eficazes sobre ovos, imaturos e que “quebram” o ciclo biológico da praga e rotação de modos de ação.
O Etoxazole, ingrediente ativo do Smite®, é resultado do programa de inovação da Sumitomo Chemical Co., Ltd., voltado ao desenvolvimento de novas estruturas químicas com modos de ação inéditos. Registrado no Brasil desde 2007, destaca-se por sua alta afinidade com a cutícula vegetal, promovendo excelente adesão e estabilidade, além de apresentar ação translaminar, que é uma vantagem decisiva em culturas como o algodoeiro, de dossel denso, para garantir que o ingrediente ativo atinja a população concentrada na face abaxial das folhas, região de alimentação, oviposição e reprodução dos ácaros.
Seu diferencial está no modo de ação exclusivo (IRAC 10B), que inibe a síntese de quitina via atuação sobre a Quitina Sintase 1 (CHS1), bloqueando a formação da cutícula e impedindo a muda (Figura 1). Isso se traduz em elevada mortalidade de ovos e juvenis (Figura 2).
O Etoxazole também possui forte ação transovariana: fêmeas expostas produzem ovos inviáveis, isto é, não geram descendentes, o que compromete diretamente sua capacidade reprodutiva e crescimento populacional. Em estudos comparativos, o Etoxazole praticamente zerou a eclosão até nove dias após a aplicação, enquanto o isocicloseram manteve altos níveis de ovos viáveis (Figuras 3 A e B).
No contexto do manejo da resistência (MRI/A), seu modo de ação exclusivo e eficácia sobre fases não reprodutivas ajudam a reduzir a base populacional sujeita à seleção, retardando a evolução da resistência. Além disso, apresenta baixo impacto a organismos não-alvo, sendo compatível com programas de MIP mais sustentáveis e alinhados ao conceito de pesticidas mais “amigáveis ao meio ambiente”.
A combinação entre forte ação ovicida e juvenil, ampla margem de segurança e potente efeito transovariano confere ao Etoxazole um papel estratégico no manejo do ácaro-rajado. Ao interromper o ciclo biológico da praga de forma profunda, reduz seu potencial reprodutivo e capacidade de reinfestação, permitindo maior eficiência das demais táticas de MIP. Em um cenário de intensificação agrícola e crescimento dos casos de resistência, o Etoxazole representa uma ferramenta indispensável para a sustentabilidade do algodoeiro brasileiro.
*Por Juliano Pazini, pesquisador e coordenador de R&D (Inseticidas) da Sumitomo Chemical Latin America, Tarcísio Galdino, gerente de R&D da Sumitomo Chemical Latin America, e Leonardo Vieira, gerente de Marketing Inseticidas e líder da cultura do Algodão na Sumitomo Chemical Latin America
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