Vírus alteram gravidade de doenças bacterianas no tomateiro

ToBRFV e PepMV ampliaram a necrose da medula, mas reduziram sintomas de cancro bacteriano

30.07.2026 | 08:33 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
Foto: Heinz USA - Bugwood - BY CC 30
Foto: Heinz USA - Bugwood - BY CC 30

Infecções pelo vírus do fruto rugoso marrom do tomateiro, conhecido pela sigla ToBRFV, e pelo vírus do mosaico do pepino, o PepMV, alteraram a intensidade de duas doenças bacterianas em tomateiro. Plantas infectadas pelos dois vírus apresentaram aumento de 40% a 100% na área das lesões causadas por bactérias associadas à necrose da medula. Em contraste, as viroses reduziram os sintomas de murcha provocados por Clavibacter michiganensis, agente do cancro bacteriano.

Os resultados integram um estudo conduzido em Israel com amostras coletadas em cultivos comerciais entre 2021 e 2026 (DOI 10.64898/2026.07.29.741454). A pesquisa também incluiu isolados bacterianos obtidos em surtos registrados em 2014 e 2015.

Os pesquisadores investigaram surtos de colapso vascular em tomateiros cultivados em ambiente protegido. A maior parte das ocorrências apresentou sintomas típicos de necrose da medula. As plantas exibiam escurecimento interno, degradação dos tecidos do caule, murcha e, nos casos mais intensos, colapso.

Comunidade bacteriana

As análises detectaram uma comunidade bacteriana diversa nas plantas com necrose da medula. Bactérias das ordens Pseudomonadales e Enterobacterales predominaram nas amostras. Os casos de cancro bacteriano, por outro lado, mantiveram associação exclusiva com Clavibacter michiganensis.

A maioria das plantas amostradas apresentou resultado positivo para ToBRFV, PepMV ou ambos. A ocorrência conjunta motivou ensaios destinados a avaliar a influência das viroses sobre as doenças bacterianas.

Os cientistas testaram diferentes isolados recuperados de tomateiros com sintomas. Apenas quatro agentes produziram necrose da medula de forma consistente sob condições controladas: Pseudomonas mediterranea, Pseudomonas capsici, Pseudomonas viridiflava e Xanthomonas euvesicatoria patovar perforans.

Intensidade variada

A intensidade variou entre espécies e plantas. Pseudomonas viridiflava causou lesões fracas ou moderadas, geralmente restritas ao ponto de inoculação. Xanthomonas euvesicatoria patovar perforans gerou lesões moderadas, com avanço além do local de entrada. Pseudomonas capsici provocou necrose moderada a intensa. Em alguns casos, o dano percorreu grande parte do caule. Pseudomonas mediterranea produziu respostas entre leves e severas, também com ampla variação entre repetições.

Amostras de campo

Outras bactérias apareceram em alta população nas amostras de campo, mas não reproduziram a necrose da medula nos ensaios. O resultado indica possível atuação como colonizadoras oportunistas ou dependência de condições ambientais não reproduzidas no experimento.

Isolados de Pectobacterium aroidearum e Pectobacterium brasiliense causaram podridão mole e colapso rápido das plantas, entre 48 e 96 horas após a inoculação. Os sintomas diferiram do escurecimento interno típico da necrose da medula.

Ensaios de coinoculação

Nos ensaios de coinoculação, ToBRFV e PepMV ampliaram as lesões provocadas por Pseudomonas mediterranea, Pseudomonas capsici e Pseudomonas viridiflava. A combinação dos dois vírus produziu o efeito mais consistente. A inoculação isolada de cada vírus também indicou aumento da doença, mas com menor regularidade estatística.

O crescimento das lesões não acompanhou uma expansão equivalente das populações bacterianas. A infecção viral causou pouco ou nenhum aumento na colonização do caule. A população bacteriana medida a dois centímetros acima do ponto de inoculação caiu cerca de 500 vezes em comparação com o local de entrada.

Esse padrão indica influência dos vírus sobre a resposta do tomateiro e sobre a expressão dos sintomas, sem aumento proporcional da multiplicação bacteriana. Os mecanismos fisiológicos envolvidos ainda permanecem indefinidos.

O efeito mudou no cancro bacteriano. Plantas infectadas por ToBRFV, PepMV ou pelos dois vírus apresentaram murcha menos intensa após inoculação com Clavibacter michiganensis. A quantidade da bactéria nos tecidos permaneceu semelhante entre plantas com e sem infecção viral.

Interações entre patógenos

Os pesquisadores apontam a necessidade de considerar interações entre patógenos no diagnóstico e no manejo de doenças do tomateiro. A presença de um vírus pode ampliar ou reduzir sintomas bacterianos, conforme o agente envolvido. Essa resposta limita interpretações baseadas em infecções avaliadas de forma isolada.

O estudo também ressalta diferenças entre os ensaios controlados e os surtos observados em cultivos comerciais. As plantas inoculadas desenvolveram necrose interna, mas não reproduziram todo o colapso vascular registrado nas estufas. Fatores como irrigação, umidade, temperatura, densidade de plantas, adubação e práticas de condução podem participar do processo. Essas hipóteses não foram testadas no trabalho.

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