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Sementes de tomate com alto vigor aumentaram a capacidade inicial de competição de plântulas com Setaria viridis e Datura stramonium. O efeito apareceu com maior força na competição por recursos do solo. O resultado indica o vigor de sementes como componente estratégico no manejo integrado de plantas daninhas em tomate industrial semeado direto.
O estudo avaliou sementes de tomate de alto vigor, com 91 por cento de germinação, e sementes de baixo vigor, com 60 por cento de germinação. Os pesquisadores obtiveram o lote de baixo vigor por envelhecimento acelerado, com temperatura de 42 graus Celsius e umidade relativa próxima de 100 por cento por 72 horas.
O trabalho comparou o desempenho do tomate contra duas espécies daninhas. Setaria viridis, conhecida como capim-rabo-de-raposa-verde, apresentou crescimento rápido e forte desenvolvimento radicular. Datura stramonium, conhecida como figueira-do-inferno, representou uma espécie de folha larga com outra estratégia de aquisição de recursos.
As sementes de alto vigor de tomate alcançaram 83 por cento de emergência em casa de vegetação. As sementes de baixo vigor atingiram 56 por cento. O tempo médio de emergência não diferiu em termos estatísticos entre os dois lotes de tomate. As sementes de alto vigor emergiram em 6,0 dias. As de baixo vigor emergiram em 7,2 dias.
Mesmo sem diferença estatística nesse ponto, o lote de alto vigor apresentou vantagem numérica na fase inicial. As plântulas desse grupo acumularam 8,5 miligramas de massa seca. As de baixo vigor acumularam 7,1 miligramas. Essa diferença sugere maior potencial de crescimento inicial.
As plantas daninhas emergiram antes do tomate. Datura stramonium apresentou tempo médio de emergência de 2,4 dias. Setaria viridis apresentou 3,0 dias. Esse avanço inicial favoreceu o chamado efeito de prioridade, no qual a planta emergida primeiro ocupa espaço e capta recursos antes da cultura.
A análise de crescimento mostrou vantagem expressiva de Setaria viridis. Aos 40 dias após a emergência, a espécie atingiu cerca de 80 centímetros de altura. O tomate de alto vigor, o tomate de baixo vigor e Datura stramonium ficaram próximos de 40 centímetros.
A diferença mais forte ocorreu nas raízes. Setaria viridis produziu aproximadamente 1.200 miligramas de massa seca radicular aos 40 dias após a emergência. As demais plantas ficaram entre 200 e 250 miligramas. Esse padrão indica elevada capacidade de exploração de água e nutrientes no solo.
Nos ensaios de série de substituição, o tomate de alto vigor manteve rendimento relativo de folhas e raízes dentro da faixa esperada quando competiu com Datura stramonium. O tomate de baixo vigor sofreu supressão em baixa proporção da planta daninha, com queda do rendimento relativo de raízes abaixo do limite estatístico adotado.
A competição com Setaria viridis teve efeito mais severo. O tomate de baixo vigor perdeu capacidade de ocupação do nicho radicular em todas as proporções avaliadas. Em mistura com 75 por cento de Setaria viridis, o rendimento relativo das raízes do tomate de baixo vigor caiu para valores entre 0,10 e 0,15.
O tomate de alto vigor também sofreu competição com Setaria viridis, mas manteve desempenho superior. Os pesquisadores interpretaram esse resultado como indicação de um amortecimento fisiológico promovido pelo vigor da semente.
A separação entre competição aérea e competição subterrânea confirmou essa diferença. Em tratamentos com competição abaixo do solo, plantas de alto vigor produziram 0,25 grama de massa radicular por planta. Plantas de baixo vigor produziram 0,15 grama por planta.
Os resultados reforçam a importância da qualidade fisiológica da semente em sistemas de semeadura direta. Segundo o estudo, lotes de alto vigor podem reduzir a vulnerabilidade do tomate no início do ciclo. Essa fase define parte da relação competitiva com plantas daninhas.
Os pesquisadores destacam a necessidade de estudos em campo. A pesquisa ocorreu em casa de vegetação. Ensaios sob condições agronômicas variáveis ainda precisam confirmar os efeitos sobre produtividade final e sobre programas de manejo integrado de plantas daninhas.
Outas informações em doi.org/10.3390/seeds5030033
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