PR Safra 2026/27: chuvas dificultam o plantio da soja
Excesso de umidade limita operações no campo, atrasa a semeadura da soja e compromete a classificação comercial de culturas
A ureia subiu 3% desde o início de setembro e é negociada a US$ 470 por tonelada, na condição CFR Brasil. A valorização acompanhou os riscos logísticos associados ao conflito no Oriente Médio. O petróleo Brent superou US$ 100 por barril no período analisado, pressionando os fretes e o risco logístico.
Outros produtos registraram queda. O fosfato monoamônico (MAP) recuou 1,2%, para US$ 830 por tonelada. O cloreto de potássio (KCl) caiu 5%, para US$ 355 por tonelada. No caso dos fosfatados, o relatório destaca a pressão dos custos de matérias-primas sobre a produção nacional. O enxofre importado alcançou US$ 1.161 por tonelada em setembro, mais de três vezes o valor registrado um ano antes.
O Brasil importou 28,5 milhões de toneladas de fertilizantes de janeiro a setembro, redução de 15,7% ante 2025. As compras externas de ureia somaram 3,5 milhões de toneladas, queda de 21,5%. As de KCl alcançaram 10,8 milhões de toneladas, recuo de 3,6%. O Itaú BBA prevê entregas menores, sobretudo de nitrogenados e fosfatados.
O plantio da soja 2026/27 atingiu 15,6% da área brasileira prevista até 9 de outubro, acima dos 11,1% registrados um ano antes. Em Mato Grosso, a semeadura saltou de 10,2% para 33,3% em uma semana, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A melhora das chuvas permitiu acelerar os trabalhos, mas a distribuição irregular das precipitações ainda oferece riscos à implantação das lavouras e à janela de cultivo da segunda safra.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) manteve a projeção de produção brasileira em 186 milhões de toneladas e as exportações em 118 milhões de toneladas. Para os Estados Unidos, elevou a estimativa de colheita para 124,1 milhões de toneladas. Os estoques finais norte-americanos passaram para 8,6 milhões de toneladas. Os estoques mundiais foram projetados em 124,3 milhões de toneladas.
A demanda chinesa sustentou os preços em setembro. Em Sorriso (MT), a saca de soja apresentou média de R$ 142, alta mensal de 9,6%. As exportações brasileiras acumuladas até setembro alcançaram aproximadamente 100 milhões de toneladas, crescimento anual de 6,6%. O clima nas áreas brasileiras de produção permanece decisivo para os próximos movimentos das cotações.
O USDA elevou em 5,9 milhões de toneladas a previsão de produção de milho dos Estados Unidos em 2026/27, para 407,3 milhões de toneladas. Os estoques finais do país subiram para 47 milhões de toneladas, acréscimo de 7,2 milhões de toneladas em relação à projeção anterior. Os estoques mundiais foram estimados em 280,4 milhões de toneladas, alta de 8,3 milhões.
A maior disponibilidade norte-americana tende a ampliar a concorrência com o milho brasileiro no mercado internacional. Em setembro, antes dessa revisão, as cotações domésticas avançaram. Em Sorriso, a média atingiu R$ 54 por saca, valorização de 14% frente a agosto. A alta foi sustentada pela valorização em Chicago, pelo câmbio e pela comercialização lenta da safra. As exportações brasileiras, porém, seguiram fracas: entre fevereiro e setembro, totalizaram 15,5 milhões de toneladas, queda anual de 21,5%. As exportações norte-americanas devem influenciar os preços.
A produção mundial de algodão em 2026/27 foi revisada pelo USDA para 25,7 milhões de toneladas, enquanto o consumo projetado alcançou 26,8 milhões de toneladas. A diferença de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas indica déficit global. Mesmo assim, a revisão dos estoques finais de 15,2 para 15,4 milhões de toneladas limita a perspectiva de recuperação imediata das cotações.
Em setembro, o primeiro vencimento em Nova York apresentou preço médio de 80,8 centavos de dólar por libra, queda de 5% ante agosto. Em Rondonópolis (MT), a cotação média subiu 2,1%, para R$ 3,99 por libra. O Brasil encerrou a temporada 2025/26 com exportações recordes de 3,4 milhões de toneladas. Para 2026/27, o Imea prevê expansão de aproximadamente 4% na área de algodão em Mato Grosso. O ritmo do plantio da soja favorece a implantação da cultura na segunda safra.
A maior disponibilidade de café pressiona os preços brasileiros. O indicador do Cepea para o arábica fechou a R$ 1.531 por saca em 9 de outubro, queda de 6% em 30 dias. O conilon tipo 7 no Espírito Santo recuou 3%, para R$ 910 por saca. Em setembro, os embarques brasileiros de café verde somaram 3,9 milhões de sacas, crescimento de 20% na comparação anual.
O USDA estima produção mundial de 190 milhões de sacas em 2026/27, incluindo 71,9 milhões de sacas no Brasil. As chuvas recentes favoreceram as floradas da safra brasileira 2027/28. O Itaú BBA, porém, aponta riscos associados à evolução do El Niño, principalmente à possibilidade de períodos secos e temperaturas elevadas no norte do cinturão cafeeiro. A qualidade também pode diferenciar os preços após as perdas registradas em parte dos lotes durante a colheita.
As exportações brasileiras de suco de laranja atingiram 96 mil toneladas em equivalente de suco concentrado congelado (FCOJ) em setembro, alta de 78% sobre agosto e maior volume mensal em 23 meses. No primeiro trimestre da safra 2026/27, os embarques somaram 225 mil toneladas, crescimento de aproximadamente 12%. A receita do período, entretanto, caiu cerca de 32%, para US$ 530 milhões, diante de preços inferiores aos do ciclo anterior.
No mercado paulista, a laranja destinada à indústria foi negociada a R$ 29,62 por caixa de 40,8 quilogramas, queda de 4,9% em 30 dias, conforme o Cepea. O Itaú BBA atribui a pressão à qualidade abaixo do esperado e à demanda limitada das processadoras.
Na Flórida, o USDA estima produção de 10 milhões de caixas na safra local 2026/27, retração de 23%. A área produtiva recuou 24% em 2026, para 51,3 mil hectares. O relatório associa as perdas à redução do número de árvores, aos efeitos de geadas e à persistência do greening. A menor oferta mantém a indústria norte-americana dependente da importação de suco.
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