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A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) registrou três novas cultivares de café Conilon/Robusta junto ao Ministério da Agricultura (Mapa), ampliando para dez o número de materiais desenvolvidos e registrados pela instituição. Com isso, a universidade mantém a condição de única instituição de ensino do Brasil a coordenar registros de cultivares de café, todos liderados pelo professor Fábio Luiz Partelli.
Os novos materiais registrados são as cultivares Caxixe, Aimorés e Leve L80, desenvolvidas para atender diferentes demandas da cafeicultura brasileira, desde a adaptação a ambientes de altitude até a oferta de café com menor teor de cafeína.
A cultivar Caxixe (Registro no Mapa nº 60869) reúne cinco genótipos adaptados a condições de baixa temperatura. Os estudos foram conduzidos na região do Caxixe, em Venda Nova do Imigrante (ES), a aproximadamente 1.100 metros de altitude.
O trabalho foi desenvolvido em parceria com o Grupo Khas e contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes).
Segundo a equipe de pesquisa, a cultivar representa um avanço para a expansão do cultivo de Conilon em áreas de maior altitude, tradicionalmente consideradas mais desafiadoras para essa espécie.
A cultivar Aimorés (Registro no Mapa nº 60407) é composta por seis genótipos adaptados às condições do Leste de Minas Gerais. Os ensaios foram realizados no município de Aimorés (MG), em parceria com produtores rurais e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), também com apoio da Fapes.
O material foi desenvolvido para atender às características ambientais e produtivas da região, ampliando as opções tecnológicas para os cafeicultores mineiros.
Já a cultivar Leve L80 (Registro no Mapa nº 59724) se destaca pelo baixo teor de cafeína. O genótipo apresenta concentração de 1,33 grama de cafeína por 100 gramas de café, cerca de 30% inferior à média observada em outros materiais de Conilon.
A recomendação é que o material seja cultivado em conjunto com outros genótipos. O desenvolvimento ocorreu em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com apoio da Fapes.
De acordo com o professor Fábio Luiz Partelli, os três registros representam avanços inéditos para a cafeicultura brasileira. “Esses genótipos e cultivares são inéditos para altitude do Espírito Santo, representam a primeira cultivar de Conilon para o Estado de Minas Gerais e a primeira cultivar registrada com baixo teor de cafeína, trazendo diversas contribuições para a sociedade”, afirma.
Partelli destaca ainda que os projetos fazem parte de um conjunto mais amplo de pesquisas que resultam em publicações científicas de impacto nacional e internacional, além de contribuir para a formação de recursos humanos por meio de trabalhos de iniciação científica, mestrado e doutorado.
Segundo o pesquisador, a expectativa é que ainda em 2026 sejam solicitados mais dois registros de cultivares, envolvendo genótipos híbridos e materiais de porte alto destinados ao Espírito Santo e à Bahia.
Os resultados dessas pesquisas deverão ser apresentados durante o 15º Simpósio do Produtor de Conilon, promovido pela Ufes em São Mateus (ES), previsto para ocorrer em 26 de novembro de 2026.
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