Trichoderma pode elevar a biomassa de tomateiros

Espécies e consórcio modulam bactérias do solo e elevam crescimento

24.04.2026 | 10:33 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
Foto: USDA
Foto: USDA

O uso de Trichoderma virens elevou o crescimento do tomate e modulou a comunidade bacteriana da rizosfera, inclusive com recuperação parcial da riqueza microbiana em solo severamente perturbado. Esses resultados constam em estudo conduzido na Universidade Estadual da Pensilvânia.

Os pesquisadores avaliaram Trichoderma harzianum, Trichoderma virens e a combinação entre ambas as espécies. O experimento incluiu dois cenários: solo natural e solo autoclavado, com microbiota drasticamente reduzida. As plantas receberam inoculação única via solo. A análise ocorreu 11 semanas após o transplante, no início da floração.

Os dados mostram aumento de biomassa aérea com Trichoderma virens e com o consórcio entre Trichoderma harzianum + Trichoderma virens. O ganho atingiu 28% e 55%, respectivamente, frente ao controle. O efeito ocorreu nos dois tipos de solo. O tratamento com Trichoderma harzianum não apresentou o mesmo desempenho.

Solo natural

Apesar do estímulo ao crescimento, Trichoderma virens e o consórcio reduziram a riqueza bacteriana no solo natural. O estudo aponta exclusão competitiva de parte da microbiota. Esse processo envolve competição por recursos, modificação de microambientes e liberação de metabólitos antimicrobianos. Ainda assim, a redução não comprometeu o desenvolvimento das plantas, conforme os cientistas.

Solo autoclavado

No solo autoclavado, o comportamento mudou. Trichoderma virens e o consórcio aumentaram a riqueza bacteriana em relação ao controle. A recuperação atingiu até 28% com Trichoderma virens. O efeito indica capacidade de reconstrução parcial da microbiota após distúrbio severo. A restauração, no entanto, não alcançou os níveis do solo natural.

A composição bacteriana variou conforme o tratamento. Em solo natural, Trichoderma harzianum, Trichoderma virens e o consórcio reduziram diversidade e alteraram abundância de grupos importantes. Em solo autoclavado, houve incremento de determinados filos e gêneros associados a funções ecológicas. O trabalho identificou mudanças em grupos ligados à fixação de nitrogênio, promoção de crescimento e detoxificação química.

Interação observada

Os pesquisadores também observaram interação entre bactérias e espécies de Trichoderma. Redes de coocorrência indicaram associações positivas e negativas entre táxons. Essas interações podem influenciar persistência de Trichoderma virens e Trichoderma harzianum e sua eficiência agronômica. O resultado ajuda a explicar variações de desempenho em campo.

A densidade de bactérias cultiváveis caiu em vários tratamentos com Trichoderma virens e com o consórcio, sobretudo em solo natural. Esse dado reforça a hipótese de exclusão competitiva. Em contraste, Trichoderma harzianum elevou essa densidade em algumas condições.

Compostos voláteis

Os compostos voláteis emitidos por bactérias não alteraram o crescimento de Trichoderma virens, Trichoderma harzianum ou de Fusarium oxysporum em ensaio in vitro. O resultado sugere efeito limitado desses compostos no contexto avaliado.

Os cientistas destacam que o aumento de crescimento vegetal pode ocorrer mesmo com redução da diversidade bacteriana. O efeito direto de Trichoderma virens pode superar perdas associadas à exclusão microbiana. Além disso, mudanças na composição da comunidade podem favorecer grupos benéficos ou reduzir patógenos.

Mais informações em doi.org/10.1016/j.microb.2026.100685

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