Tecnologia no campo pode somar R$ 11 bilhões ao PIB agro

Mensagem da presidente da Embrapa marcou o encerramento do ConBAP e da ICPA, em Porto Alegre

16.07.2026 | 16:03 (UTC -3)
Ieda Risco

Com 845 inscritos, incluindo cerca de 200 estrangeiros e 14 palestrantes, foi encerrado nesta quinta-feira (16) o 11º Congresso Brasileiro de Agricultura de Precisão e Digital (ConBAP) e a 17ª International Conference on Precision Agriculture (ICPA). Realizados no Centro de Eventos da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre (RS), os encontros também somaram 512 apresentações de trabalhos, entre orais e pôsteres, conduzidos por pesquisadores do Brasil e do exterior.

Na cerimônia de encerramento, a ISPA (International Society of Precision Agriculture) realizou a transição da sua diretoria, anunciando Davide Cammarano como novo presidente da entidade para o biênio 2026/2028. Já em sua fala final, o presidente da Associação Brasileira de Agricultura de Precisão e Digital (AsBraAP), Márcio Albuquerque, agradeceu à confiança da ISPA em trazer a conferência para o Brasil e citou seus 10 anos de atividade junto à comunidade. Após, foi realizada também a transição da nova diretoria da AsBraAP (Associação Brasileira de Agricultura de Precisão e Digital) para o biênio 2026/2028, tendo à frente o novo presidente Christian Bredemeier.

A última palestra, realizada pela presidente da Embrapa, Silvia Massruhá (na foto), tratou do tema "Inteligência Artificial na Agricultura de Precisão e Digital".  A dirigente avaliou que a inteligência artificial, aliada à conectividade e ao uso estratégico de dados, será decisiva para transformar a agricultura brasileira em uma atividade cada vez mais preditiva, sustentável e inclusiva.

Pesquisadora da Embrapa há 36 anos e com trajetória dedicada à aplicação da computação na agropecuária, Silvia relembrou que, no início da carreira, a presença das ciências exatas na agricultura ainda era motivo de questionamento. Segundo ela, a evolução tecnológica das últimas décadas demonstrou que ferramentas digitais se consolidaram como um terceiro pilar do desenvolvimento agropecuário, ao lado da teoria e da experimentação.

Ao abordar a evolução da agricultura brasileira, a presidente da Embrapa destacou que o setor vive uma nova fase de transformação. "Se, há cinco décadas, o principal desafio era garantir a segurança alimentar, hoje o foco está na construção de uma agricultura capaz de antecipar cenários, especialmente diante dos impactos das mudanças climáticas", destacou.

Para Silvia, eventos extremos, como as enchentes registradas no Rio Grande do Sul em 2024, evidenciam a importância de modelos preditivos baseados em inteligência artificial e análise de grandes volumes de dados. A presidente da Embrapa também chamou atenção para o desafio da inclusão digital no campo.

Dados do projeto Semear Digital, desenvolvido pela Embrapa, mostram que 84% da população rural brasileira ainda não tem acesso às tecnologias digitais e que, entre aqueles conectados, a maior parte utiliza a internet apenas para comunicação. "Superar essa realidade exige o conceito de ‘conectividade significativa’, que vai além da infraestrutura de internet e inclui capacitação, gestão de dados e desenvolvimento de habilidades digitais", destacou.

Silvia ressaltou ainda que a expansão da agricultura de precisão representa uma oportunidade econômica para o país. Conforme estudos apresentados durante a palestra, a adoção mais ampla dessas tecnologias poderá acrescentar mais de R$ 11 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) agro e gerar mais de 400 mil empregos.

A pesquisadora destacou que a transformação digital é um dos eixos estratégicos da Embrapa para enfrentar desafios como sustentabilidade, mudanças climáticas, rastreabilidade e transição energética. Silvia observou que o Brasil possui cerca de cinco milhões de produtores rurais, dos quais 77% são pequenos e médios, o que reforça a necessidade de democratizar o acesso às tecnologias digitais.

A dirigente também apresentou indicadores sobre o impacto da pesquisa agropecuária. Segundo ela, a Embrapa mantém cerca de 4,3 mil projetos de pesquisa em andamento e, em 2025, cada real investido na instituição gerou retorno de R$ 27 para a sociedade. O chamado lucro social alcançou R$ 124 bilhões, equivalente a aproximadamente 20% do PIB agrícola brasileiro.

Na parte final da palestra, Silvia explicou que a inteligência artificial vem sendo incorporada às diferentes etapas da cadeia produtiva, desde a pré-produção até a pós-colheita. As aplicações incluem previsão de produtividade, monitoramento de pragas e doenças, pecuária de precisão e sistemas de apoio à decisão. Segundo ela, essas iniciativas integram o programa "IA no Campo, para o Campo e pelo Campo", criado pela Embrapa para ampliar o uso da inteligência artificial em uma agricultura mais sustentável, regenerativa, de baixo carbono e baseada em modelos preditivos.

A manhã também contou com a entrega do Prêmio Prêmio da ISPA: O futuro da Agricultura de Precisão e Digital para uma agricultura mais sustentável e rentável, entregue ao pesquisador Erik Lund, da Veris Technologies, Inc. Após receber a honraria, Lund apresentou seu trabalho aos presentes. 

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