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O agronegócio brasileiro chegou a um ponto de inflexão. Diante da instabilidade climática, da crescente complexidade dos sistemas produtivos e da necessidade de manter competitividade e rentabilidade no campo, há um consenso crescente entre pesquisadores, consultores agronômicos e lideranças do setor de que o próximo salto de crescimento do agro não virá da abertura de novas fronteiras agrícolas, mas da adoção de tecnologias capazes de ampliar a produtividade dentro do hectare já cultivado.
Essa discussão esteve no centro dos debates do Top Ciência 2026, movimento promovido pela BASF Soluções para Agricultura, que reuniu pesquisadores, consultores e especialistas, entre eles André Debastiani, sócio-diretor da Agroconsult; Gustavo Spadotti Amaral Castro, da Embrapa Territorial; e Walter Longo, especialista em inovação e transformação digital. Ao longo do encontro, os participantes discutiram os principais desafios e oportunidades da próxima década do agronegócio brasileiro.
Entre os pontos que mais apareceram nas discussões, esteve a percepção de que os próximos ganhos de competitividade dependerão menos da expansão territorial e cada vez mais da integração entre ciência, tecnologia e conhecimento agronômico para ampliar a produtividade dentro dos sistemas produtivos.
Nesse cenário, a indústria tem acelerado o desenvolvimento de inovações voltadas aos desafios do campo. Segundo Graciela Mognol, diretora de Marketing da BASF Soluções para Agricultura, o desafio é transformar avanços tecnológicos em resultados concretos para o agricultor.
"O agro brasileiro continuará crescendo, mas o futuro exige que a inovação aplicada se traduza rapidamente em resultados reais e sustentáveis na lavoura. O agricultor e o consultor que estão no campo nos pedem soluções que não apenas protejam o cultivo, mas que mudem o patamar produtivo dentro do espaço que eles já possuem", afirma a executiva.
A busca por esse novo ciclo de produtividade também orienta a estratégia de inovação da companhia. Com foco nos desafios apontados por agricultores, consultores e pesquisadores, a empresa vem direcionando investimentos para tecnologias capazes de aumentar a eficiência dos sistemas produtivos e contribuir para a sustentabilidade do negócio agrícola.
Entre as novidades estão o fungicida com a nova molécula Pavecto e a biotecnologia NRS (Nematode Resistant System) para soja resistente a nematoides. Com previsão de lançamento até o fim de 2027 e final desta década, respectivamente, as duas iniciativas são exemplos práticos de como a ciência está se adequando às exigências imediatas do campo.
O novo ingrediente Pavecto, por exemplo, responde a um alerta antigo dos fitopatologistas sobre a resistência dos fungos que causam doenças nas plantas. Ao introduzir um grupo químico inédito no mercado, as tetrazolinonas, a molécula oferece uma nova alternativa para garantir eficiência de controle no manejo de culturas como soja e algodão, além de milho.
Em outra frente de inovação, voltada para sementes de soja, a tecnologia NRS poderá gerar uma revolução no campo capaz de reverter prejuízos anuais de R$ 35 bilhões de acordo com a Sociedade Brasileira de Nematologia. A biotecnologia ajudará no controle de nematoides, que são uma praga de solo invisível a olho nu e que é considerada um dos maiores problemas da agricultura do país. Esta ferramenta inédita no mundo contribuirá diretamente na redução da população deste tipo de verme, beneficiando inclusive as culturas seguintes na mesma área.
"A agricultura está cada vez mais complexa, o que exige soluções capazes de responder a diferentes desafios do sistema produtivo. Pavecto e NRS representam esse avanço da ciência ao apoiar o agricultor em diferentes frentes, desde a proteção das lavouras até o manejo de desafios que impactam a produtividade", reforça Rafael Vicentini, diretor de Marketing de Sistemas de Cultivo Soja da BASF.
As duas tecnologias refletem um movimento mais amplo observado durante os debates do Top Ciência: a busca por soluções capazes de atuar não apenas sobre problemas isolados, mas sobre a produtividade e a resiliência dos sistemas produtivos como um todo.
A discussão sobre produtividade também passa pela capacidade de transformar conhecimento em soluções aplicáveis ao campo. Entre os principais pontos abordados por pesquisadores, consultores e especialistas durante o Top Ciência, está a necessidade de aproximar cada vez mais a ciência dos sistemas produtivos, combinando diferentes tecnologias para enfrentar desafios cada vez mais complexos da agricultura brasileira.
Nesse contexto, o pesquisador da Embrapa Gustavo Spadotti destacou a importância de uma ciência adaptada às condições tropicais para a evolução da agricultura nacional e reforçou que ainda existe espaço para avanços significativos de produtividade sem a necessidade de expansão proporcional da área cultivada.
“O Brasil possui espaço para elevar a produtividade e, simultaneamente, utilizar de maneira mais eficiente as áreas já abertas. O próximo avanço dependerá da disseminação de conhecimento e tecnologias capazes de reduzir as diferenças de desempenho entre os sistemas produtivos”, afirmou.
A necessidade de reduzir essas diferenças de desempenho passa por uma compreensão mais ampla dos sistemas produtivos. Para os especialistas reunidos no Top Ciência, os desafios atuais da agricultura já não podem ser tratados de forma isolada. Questões relacionadas à produtividade, doenças, pragas, sustentabilidade, manejo e rentabilidade exigem uma visão cada vez mais integrada dos sistemas produtivos.
Para a BASF, esse cenário reforça a importância de combinar diferentes frentes de inovação, conectando proteção de cultivos, biotecnologia, agricultura digital e conhecimento agronômico para apoiar decisões mais eficientes e contribuir para a longevidade do negócio agrícola. Essa visão também orienta os investimentos globais da empresa, que somam cerca de € 1 bilhão ao ano em pesquisa e desenvolvimento.
Parte dessa estratégia passa justamente pela aproximação entre a pesquisa, a indústria e os profissionais que atuam diretamente no campo. Essa conexão entre o conhecimento científico e a realidade brasileira ganha escala quando ideias acadêmicas viram soluções práticas. Um exemplo disso ocorreu no Top Ciência, quando a companhia premiou dez projetos de especialistas que já estão transformando desafios operacionais em ganhos de eficiência e rentabilidade nas fazendas brasileiras.
Afinal, ao longo das últimas décadas, o avanço da agricultura tropical no Brasil foi impulsionado justamente pela ciência. Diante dos novos desafios do campo, esse conhecimento precisa continuar evoluindo e sendo traduzido em soluções que considerem as variáveis do sistema produtivo, garantindo a longevidade do negócio agrícola.
"A trajetória da agricultura brasileira mostra que os avanços do setor foram construídos a partir da conexão entre ciência, inovação e aplicação prática. O papel do Top Ciência é justamente fortalecer essa ponte, aproximando pesquisa, consultoria, indústria e agricultores para transformar conhecimento em produtividade, competitividade e valor para o campo", conclui Eduardo Santos, Gerente Sênior de Desenvolvimento Técnico da BASF Soluções para Agricultura.
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