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Mais de 30 técnicos da Emater/RS-Ascar, de prefeituras da região da Campanha Gaúcha e de inspetorias veterinárias e zootécnicas, além de estudantes de graduação participaram, nessa terça-feira (30), na Embrapa Pecuária Sul, do curso “Atualização sobre Controle do Carrapato dos Bovinos e o Manejo de Resistência aos Acaricidas”.
Promovida pela unidade de pesquisa em parceria com o Escritório Regional de Bagé da Emater/RS-Ascar, a atividade foi ministrada pela pesquisadora Claudia Gulias Gomes. Ao todo, 13 dos 16 municípios da região estiveram representados.
Na abertura do evento, o chefe-adjunto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Embrapa Pecuária Sul, Daniel Montardo, destacou o momento positivo de investimentos na pecuária por parte do governo estadual e de aproximação das instituições para o desenvolvimento de ações em conjunto, com mais potencialidade. “Também é uma oportunidade de fortalecer a nossa relação com a Regional Bagé da Emater/RS-Ascar”, acrescentou.
O gerente regional da Emater/RS-Ascar, Luís Fernando Fabrício, também destacou a busca de alinhamento por parte das instituições para a construção de estratégias de desenvolvimento regional. Ele destacou a questão da pecuária familiar, que tem sido pauta dos encontros entre Embrapa e Emater/RS-Ascar. “É importante a qualificação de nossos técnicos para trabalhar com esse público”, concluiu.
O carrapato bovino transmite os parasitos que causam a Tristeza Parasitária Bovina (TPB), uma das principais causas de perdas nos rebanhos do Sul do Brasil. A pesquisadora Claudia Gulias Gomes iniciou o curso abordando a biologia e ecologia do parasito, bem como os mecanismos de controle, baseados no manejo integrado, que envolve não apenas o controle químico (uso de carrapaticidas), mas também biológico (predadores naturais), genético (resistência dos animais), mecânico (manejo do campo), físico (temperatura e umidade), legislativo e cultural. “O desafio é pensar numa estratégia de controle com planejamento de longo prazo, e não uma forma imediata, como tem sido feito”, disse a pesquisadora.
Outro aspecto abordado foi a dinâmica populacional do carrapato na região da Campanha Gaúcha. O parasito tem picos de infestação na primavera, no verão e no outono. O início da primavera é uma época estratégica para o tratamento do carrapato, mas ao mesmo tempo, é o momento dos animais terem contato com o parasito para adquirir imunização natural. A pesquisadora falou sobre outros fatores que influenciam a distribuição e abundância dos parasitos – circulação de animais silvestres, introdução de animais no rebanho, tipo de vegetação, criação do gado com outras espécies animais, lotação dos campos, métodos de controle químicos e não-químicos e resistência do hospedeiro.
O controle químico do carrapato também foi destaque do curso. Segundo a pesquisadora, os desafios atuais são a formulação de novas moléculas (novos produtos) e a redução da taxa de desenvolvimento da resistência dos parasitos aos carrapaticidas. Ao apresentar os tipos de tratamento, Claudia ressaltou as particularidades das diferentes bases químicas disponíveis e os critérios para a escolha dos produtos. “É importante entender como elas (bases químicas) agem para saber usá-las corretamente”, disse. Em seguida, falou sobre o programa estratégico para controle do carrapato bovino no Rio Grande do Sul preconizado pela Embrapa, que indica aplicações de carrapaticida em determinados períodos do ano e de acordo com o nível de infestação na propriedade.
Também foi bastante explorado no curso o monitoramento da resistência ao carrapaticida. O uso incorreto dos produtos é considerado um dos principais fatores que aceleram a resistência. Ao apontar medidas de combate ao carrapato e retardamento do processo de instalação da resistência, Claudia ponderou que mão existe uma receita pronta. “É preciso conhecer o sistema de produção e as características da propriedade, além de realizar o monitoramento da resistência e a identificação das falhas de manejo”.
Após a palestra, os participantes visitaram o laboratório de Sanidade Animal, onde é realizado o biocarrapaticidograma, teste que avalia a resistência do carrapato a diferentes princípios ativos carrapaticidas, indicando qual produto pode ser utilizado e qual se mostra ineficaz para a amostra estudada. O teste foi demonstrado pela pesquisadora e pelo laboratorista Bernardo Franck. A partir de amostras de fêmeas adultas submetidas aos carrapaticidas, é calculada a eficiência reprodutiva dos parasitos (capacidade de postura de ovos) e em seguida o índice de eficácia de cada produto. Índices de eficência iguais ou inferiores a 95% são indicativos de resistência.
Breno Lobato/Embrapa Pecuária Sul
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