Soja sustenta alta das exportações do agro em maio

Receita do setor chegou a 16 bilhões de dólares; etanol e açúcar refinado recuaram no mês

11.06.2026 | 07:59 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações do Itaú BBA

As exportações brasileiras do agronegócio somaram 16 bilhões de dólares em maio de 2026. O valor cresceu 8,2% ante maio de 2025 e marcou o segundo maior resultado da série para o mês, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior reunidos pela Consultoria Agro do Itaú BBA.

O complexo soja sustentou parte relevante do desempenho. Os embarques do grão alcançaram 14,8 milhões de toneladas. O volume cresceu 5,1% em relação a maio de 2025, mas recuou 12% ante abril. O relatório atribui a queda mensal à desaceleração natural do escoamento após os meses de pico. A receita da soja em grãos somou 6,3 bilhões de dólares. O preço médio atingiu 425,3 dólares por tonelada, com alta anual de 9%.

O farelo de soja também avançou. O Brasil exportou 2,5 milhões de toneladas em maio. O volume cresceu 12% na comparação anual. O preço médio alcançou 375 dólares por tonelada, alta de 7,6% ante maio de 2025.

O óleo de soja registrou crescimento mais intenso em volume. Os embarques somaram 202 mil toneladas, alta de 34% sobre maio de 2025. O preço médio chegou a 1.198 dólares por tonelada, com valorização anual de 15%. O relatório aponta manutenção da trajetória de valorização observada nos meses anteriores.

Açúcar refinado e VHP

O açúcar VHP (very high polarization) teve queda na comparação anual. Os embarques totalizaram 1,8 milhão de toneladas, recuo de 10% frente a maio de 2025. O volume, porém, se recuperou ante abril. A reação acompanhou o início da safra 2026/2027 no Centro-Sul. O preço médio ficou em 345 dólares por tonelada, queda anual de 22%. O relatório associa esse movimento à pressão baixista no mercado internacional.

O açúcar refinado teve retração maior em volume. As exportações somaram 159 mil toneladas, queda de 27% na comparação anual. O preço médio alcançou 463 dólares por tonelada, recuo de 7,94% frente a maio de 2025.

O etanol apresentou a maior queda entre os itens destacados. Os embarques caíram para 17 mil metros cúbicos, recuo de 79% ante maio de 2025. O relatório cita perda de competitividade do produto brasileiro. O preço médio ficou praticamente estável, em 583 dólares por metro cúbico.

Milho e algodão

O milho somou 249 mil toneladas exportadas. O volume cresceu 572% em relação a maio de 2025. Mesmo assim, o relatório classifica o patamar como modesto, pois a colheita ainda não havia começado nas principais regiões produtoras. O preço médio recuou 12% na comparação anual, para 245 dólares por tonelada.

O algodão também teve aumento de volume. As exportações atingiram 291 mil toneladas, alta de 52% frente a maio de 2025. A receita chegou a 450 milhões de dólares. O preço médio ficou em 1.544 dólares por tonelada, queda anual de 4%.

Laranja e café

O suco de laranja concentrado e congelado somou 58 mil toneladas exportadas em equivalente FCOJ. O volume cresceu 17% na comparação anual. A receita atingiu 149 milhões de dólares. O preço médio chegou a 2.566 dólares por tonelada, queda de 44% ante maio de 2025.

A celulose registrou 1,6 milhão de toneladas embarcadas em maio. O volume caiu 23% na comparação anual. A receita somou 817 milhões de dólares. O preço médio ficou em 503 dólares por tonelada, alta anual de 8%.

O café verde embarcou 156 mil toneladas. O volume recuou 9% ante maio de 2025. A receita somou 916 milhões de dólares. O preço médio atingiu 5.886 dólares por tonelada, queda anual de 17%. No acumulado de janeiro a maio, a receita do café verde alcançou 5 bilhões de dólares, com 762 mil toneladas exportadas.

Cinco primeiros meses

No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, a soja em grãos somou 55,1 milhões de toneladas exportadas, alta de 7% frente ao mesmo período de 2025. A receita acumulada atingiu 22,9 bilhões de dólares. O óleo de soja acumulou 924 mil toneladas, avanço de 44%. O farelo de soja chegou a 10,2 milhões de toneladas, alta de 7%.

O milho acumulou 7,5 milhões de toneladas entre janeiro e maio, crescimento de 22%. O algodão somou 1,6 milhão de toneladas, alta de 17%. O trigo registrou 1,1 milhão de toneladas, queda de 31%. O suco de laranja alcançou 325 mil toneladas, avanço de 15%. A celulose somou 8,6 milhões de toneladas, recuo de 9%.

O cenário tarifário voltou ao radar do agronegócio. Em 1º de junho, o USTR concluiu investigação da Seção 301 contra o Brasil e propôs tarifa punitiva de 25% sobre produtos brasileiros, com prazo de implementação até 15 de julho. A investigação cita comércio digital e Pix, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, anticorrupção, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

A proposta inclui exceções para carnes, café, frutas, cereais, sementes, fertilizantes e suco de laranja. Segundo o relatório, boa parte da pauta agro brasileira ficaria fora da sobretaxa. O documento relaciona as exceções à dependência norte-americana de insumos e alimentos brasileiros e ao risco de pressão adicional sobre a inflação de alimentos nos Estados Unidos.

No dia seguinte ao primeiro anúncio, o USTR propôs tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, com base em investigação sobre importações de itens supostamente produzidos com trabalho forçado. Caso aprovada, a medida poderia elevar a sobretaxa conjunta a até 37,5% para alguns produtos brasileiros destinados ao mercado norte-americano. As audiências públicas sobre a medida foram previstas para 7 de julho. Até a data do relatório, as negociações entre os dois governos não registravam avanços concretos.

As carnes ficaram entre os destaques de maio, mas com menor espaço nesta abordagem. A carne bovina in natura somou 262 mil toneladas, alta anual de 20%. A carne de frango in natura atingiu 442 mil toneladas, avanço de 32%. A carne suína in natura chegou a 111 mil toneladas, alta de 4,72%.

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