Soja perde ritmo de exportação em abril em Mato Grosso

Comercialização avança no estado, enquanto milho sofre pressão nos preços e algodão mantém cenário favorável

12.05.2026 | 09:28 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações do Imea

As exportações e a comercialização das principais commodities agrícolas de Mato Grosso seguiram em ritmos distintos em abril de 2026, segundo boletins divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Enquanto o algodão mantém cenário favorável, impulsionado pela valorização internacional, soja e milho enfrentam pressão nos preços e desaceleração em alguns indicadores de mercado.

Na soja, a comercialização da safra 2025/26 alcançou 72,52% da produção estadual, avanço de 9,20 pontos percentuais em relação a março. Apesar disso, o Imea aponta que o ritmo das negociações permaneceu lento. Segundo informantes do instituto, parte dos produtores segue aguardando melhores condições de preço antes de avançar com novas vendas.

O avanço registrado no mês foi sustentado principalmente por negócios pontuais, realizados para liberar espaço nos armazéns diante da entrada da safra de milho. O preço médio da oleaginosa em abril ficou em R$ 104,65 por saca, recuo de 0,38% frente ao mês anterior.

Para a safra 2026/27, a comercialização atingiu 13,53% da produção projetada de 48,88 milhões de toneladas, avanço mensal de 6,22 pontos percentuais. Ainda assim, o ritmo segue 2,88 pontos abaixo da média dos últimos cinco anos. O preço médio da safra futura ficou em R$ 107,64 por saca, queda de 0,67%.

No mercado externo, as exportações brasileiras de soja perderam ritmo em abril. Mato Grosso embarcou 4,61 milhões de toneladas no período, volume 11,69% menor que em março, reflexo da redução nas compras chinesas. Segundo o Imea, a cautela da China está relacionada às exigências fitossanitárias impostas à soja brasileira.

Mesmo com a desaceleração mensal, o acumulado de janeiro a abril somou 14,93 milhões de toneladas exportadas, alta de 21,16% em relação ao mesmo período de 2025. No cenário nacional, o Brasil exportou 16,75 milhões de toneladas em abril, maior volume mensal já registrado na série histórica.

Entre os fatores de mercado monitorados pelo instituto, o dólar apresentou queda semanal de 1,22%, influenciado pelas sinalizações de manutenção de juros elevados no Brasil. Já o contrato março/27 da soja em Chicago avançou 1,02%, encerrando o período cotado em US$ 11,92 por bushel. Em contrapartida, o prêmio de exportação no Porto de Santos caiu 15,89%, pressionado pela menor demanda externa e pela valorização do real.

Milho

No milho, a comercialização da safra 2024/25 chegou a 99,88% da produção até o fim de abril, com avanço mensal de apenas 0,89 ponto percentual. Segundo o Imea, o ritmo mais lento das vendas está ligado à menor disponibilidade do cereal e aos preços mais baixos. O valor médio caiu 6,12% no mês, fechando em R$ 42,48 por saca.

Já para a safra 2025/26, as negociações alcançaram 47,30% da produção projetada, avanço de 7,26 pontos percentuais em relação a março e 6,76 pontos acima do registrado no mesmo período do ano passado. O desempenho reflete a estratégia de antecipação das vendas antes da entrada do maior volume da safra no mercado.

Ainda assim, a aproximação da colheita e a queda do dólar seguem pressionando os preços. Em abril, o milho da safra futura foi negociado, em média, a R$ 43,52 por saca, recuo mensal de 2,54%.

As exportações brasileiras de milho somaram 470,92 mil toneladas em abril, crescimento de 165,63% sobre igual período de 2025. A região Sul liderou os embarques, favorecida pela maior disponibilidade da primeira safra. Mato Grosso, por outro lado, exportou 39,38 mil toneladas, queda de 40,80% na comparação anual, reflexo da menor oferta no período de entressafra e da maior destinação do cereal ao mercado interno.

Algodão

No algodão, o cenário segue mais positivo. Mato Grosso respondeu por 66% dos embarques nacionais em abril, com 244,49 mil toneladas exportadas — o maior volume já registrado para o mês e o segundo maior do ciclo comercial 2024/25.

No acumulado entre agosto de 2025 e abril de 2026, os embarques estaduais atingiram 1,63 milhão de toneladas, recorde histórico para o período e 7,25% acima do antigo recorde do ciclo anterior. Segundo o Imea, o avanço reflete o crescimento da produção brasileira, aliado à maior competitividade e demanda global pela fibra.

A estimativa do instituto é que Mato Grosso encerre a temporada 2024/25 com exportações recordes de 2 milhões de toneladas de algodão.

A comercialização da safra 2025/26 avançou 3,40 pontos percentuais em abril, alcançando 68,89% da produção estimada, percentual acima da média dos últimos cinco anos. Para a safra 2026/27, as negociações atingiram 21,22% da produção projetada, com avanço mensal de 7,39 pontos percentuais.

O movimento é sustentado pela valorização internacional da pluma, especialmente na bolsa de Nova York, onde os contratos atingiram as maiores cotações dos últimos dois anos. Em Mato Grosso, o preço do algodão disponível subiu 1,89% na semana, chegando a R$ 128,95 por arroba.

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