Soja cresce em simulante de Marte, mas não forma nódulos

Estudo da USP aponta restrições ao crescimento e à fixação biológica de nitrogênio em MGS-1

16.09.2026 | 15:21 (UTC -3)
Revista Cultivar
doi 10.64898/2026.09.10.750807
doi 10.64898/2026.09.10.750807

Pesquisadores da Universidade de São Paulo conseguiram cultivar soja em um simulante de regolito marciano, mas o substrato impediu a formação de nódulos nas raízes. O resultado limita o uso da fixação biológica de nitrogênio em sistemas agrícolas planejados para futuras missões a Marte.

O experimento utilizou a cultivar BRS 284, da Embrapa. As plantas cresceram em uma mistura de MGS-1 e vermiculita na proporção de um para dois, com fornecimento de solução nutritiva. O MGS-1 reproduz características físicas e químicas conhecidas do regolito marciano (doi 10.64898/2026.09.10.750807).

As plantas cultivadas no simulante apresentaram altura 33% menor, 39% menos folhas trifolioladas e redução de 67% na biomassa em comparação com plantas cultivadas em areia. O peso seco das raízes caiu 82%.

A inoculação com Bradyrhizobium japonicum não gerou nódulos no MGS-1. No controle com areia, as plantas inoculadas produziram média de 13,8 nódulos.

Sulfato de magnésio

Os pesquisadores avaliaram o sulfato de magnésio como possível causa da inibição. Concentrações de até 150 milimolar reduziram crescimento e nodulação, mas não eliminaram os nódulos. Na maior concentração, plantas inoculadas mantiveram média de 13 nódulos. O estresse osmótico induzido por 300 milimolar de manitol também reduziu a nodulação, sem suprimi-la.

Os resultados indicam participação de outros fatores presentes no MGS-1. O estudo cita salinidade, alcalinidade, compactação e baixa aeração entre os possíveis componentes do estresse. O simulante apresentou pH 7,8. Segundo os pesquisadores, ajustes de pH, melhoria da estrutura física do substrato e outras estratégias podem favorecer a simbiose necessária à fixação biológica de nitrogênio.

O trabalho foi realizado pelos cientistas Caio Felipe de Miranda-Costa, Ana Paula Avelino e Carlos Takeshi Hotta.

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