Simpósio Sae Brasil destaca próximo salto da IA no campo

Executivo da PTx participa de debate sobre dados, inteligência embarcada e machine learning nas operações agrícolas

27.08.2026 | 14:33 (UTC -3)
Mônica Pileggi

A inteligência artificial deixou de ser promessa e passou a ser critério de decisão de compra no agronegócio brasileiro. Sistemas que antes apenas registravam o que aconteceu na lavoura, hoje recomendam e executam a ação seguinte. É esse deslocamento, da telemetria para a decisão autônoma, que estará no centro do 18º Simpósio Sae Brasil de Máquinas Agrícolas, no dia 2 de setembro, no Teatro CIEE-RS Banrisul, em Porto Alegre (RS). 

O encontro, tradicional no calendário do setor de máquinas agrícolas, reúne fabricantes, fornecedores e pesquisadores em torno das rotas tecnológicas da mecanização nacional. Entre os painéis previstos está o "IA no Campo: Da Telemetria à Decisão Autônoma", que discutirá dados, inteligência embarcada e machine learning aplicado a partir de uma perspectiva global e terá Giancarlo Fasolin, gerente sênior de Marketing Estratégico da PTx para a América do Sul, como painelista. 

A empresa reúne as tecnologias de agricultura de precisão da Precision Planting e da PTx Trimble e opera sobre uma premissa da compatibilidade entre marcas. "O produtor brasileiro raramente tem uma frota de uma única marca. Ele tem tratores, colhedoras e implementos de fabricantes e de anos diferentes convivendo na mesma operação. Qualquer discussão sobre inteligência artificial no campo passa por essa questão prática: de onde vêm os dados e se eles conversam entre si. Sem isso, o algoritmo não tem matéria-prima", destaca Fasolin. 

Retrofit como porta de entrada da autonomia

Um dos pontos que devem atravessar o debate é o papel do retrofit na difusão da automação. A adoção de tecnologia embarcada no Brasil tem avançado não apenas pela renovação de frota, mas pela atualização de máquinas já em operação — caminho que reduz a barreira de investimento e acelera a curva de adoção em propriedades de diferentes portes. 

Nessa frente, soluções de piloto automático e de correção de sinal permitem que equipamentos existentes passem a operar com precisão centimétrica, enquanto plataformas construídas sobre o protocolo ISOBUS viabilizam a integração entre máquinas de fabricantes distintos. O passo seguinte já está em campo: sistemas como o OutRun, da PTx Trimble, permitem que tratores executem tarefas sem operador na cabine, sob supervisão humana. 

"A decisão autônoma não substitui o produtor, ela realoca a atenção dele. Quando a máquina executa exatamente o que foi planejado, sem desvio e sem interrupção, a mão de obra qualificada passa a ser empregada onde realmente faz diferença. É aí que a tecnologia deixa de ser custo e vira produtividade", diz o executivo. 

Agenda de descarbonização e eficiência

A edição de 2026 do simpósio se organiza em torno da discussão de máquinas agrícolas para um agro mais inteligente e descarbonizado — agenda em que eficiência operacional e redução de emissões deixaram de ser temas paralelos. Para o setor de máquinas, o desafio é traduzir volume crescente de dados em ganho mensurável no campo — tema que o painel pretende endereçar a partir de casos e resultados de diferentes mercados. 

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