Seleção em laboratório gera alta resistência de Crocidosema a Cry2Ab2

Linhagem apresentou resistência superior a 15 mil vezes, sem resistência cruzada a Cry1Ac e Cry1A.105

03.09.2026 | 12:22 (UTC -3)
Revista Cultivar
Foto: Todd Gilligan / USDA APHIS PPQ - Bugwood
Foto: Todd Gilligan / USDA APHIS PPQ - Bugwood

Pesquisadores selecionaram em laboratório uma linhagem de Crocidosema sp. com resistência superior a 15 mil vezes à proteína Cry2Ab2. Seu estudo apontou herança incompletamente recessiva, participação de um gene de efeito maior e ausência de resistência cruzada a Cry1Ac e Cry1A.105. Os resultados reforçam a necessidade de manejo da resistência em soja Bt.

A seleção partiu de uma população coletada em soja não Bt em Capão Bonito do Sul, no Rio Grande do Sul. Em cada uma das nove gerações consecutivas de seleção, as neonatas foram expostas por seis dias a folhas de soja com Cry2Ab2; as larvas sobreviventes seguiam para dieta artificial até a pupação. A mortalidade caiu de 96,5% na primeira geração para 8,9% na nona. Os bioensaios do estudo foram conduzidos entre a nona e a décima quinta geração após a seleção.

Bioensaios com dieta

Nos bioensaios com dieta, a concentração letal para 50% dos insetos suscetíveis atingiu 0,24 nanograma por centímetro quadrado. Na linhagem resistente, a mortalidade permaneceu abaixo de 19% mesmo nas maiores concentrações avaliadas. As concentrações letais superaram 3.600 nanogramas por centímetro quadrado, a maior dose testada, e a baixa mortalidade impediu o ajuste do modelo probit.

Cruzamentos recíprocos indicaram herança predominantemente autossômica. Os pesquisadores não descartaram efeito materno. As estimativas de dominância variaram de 0,08 a 0,25 em dieta e de 0,16 a 0,26 em folhas de soja com Cry2Ab2. Os valores caracterizam resistência incompletamente recessiva.

Suscetibilidade mantida

A linhagem resistente manteve suscetibilidade a Cry1Ac e Cry1A.105. As razões de resistência foram de 0,34 e 0,31, ou seja, a linhagem selecionada mostrou-se ainda mais suscetível a essas proteínas do que a suscetível. Sojas com Cry1Ac ou Cry1A.105 controlaram os insetos resistentes a Cry2Ab2, assim como a combinação de Cry1Ac, Cry1A.105 e Cry2Ab2.

Os ensaios não apontaram custo adaptativo aparente associado à resistência. A linhagem resistente levou cerca de quatro dias a mais para chegar à fase adulta, mas apresentou taxa intrínseca de crescimento populacional de 0,112 por dia, frente a 0,098 por dia na suscetível, com aptidão relativa de 1,14. Segundo o estudo, a ausência desse custo pode favorecer a persistência dos alelos de resistência no campo.

O trabalho foi realizado pelos cientistas Venicius E. Pretto, Jéssica L. S. Grzybowski, Otavio Liberalesso, Daniela N. Godoy, Arthur Dallanora, Marylia P. Cargnin, Renato J. Horikoshi, Sandy S. Silva, Ramiro F. L. Ovejero, Leonardo Miraldo, Samuel Martinelli, Graham P. Head e Oderlei Bernardi.

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