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A seca de neve ameaça a produtividade do trigo de inverno no Hemisfério Norte. Pesquisa indica aumento da frequência desses eventos entre 1960 e 2020. O fenômeno reduz a proteção térmica e a oferta de água para a cultura. Com isso, amplia riscos de dano por frio e estresse hídrico.
O estudo envolveu cientistas da The Hong Kong Polytechnic University, da University of Hong Kong e da University of California, Irvine. A equipe analisou áreas produtoras de trigo de inverno no Hemisfério Norte. A proporção de lavouras afetadas por seca de neve passou de 46% a 54% entre 1960 e 1970 para 70% a 99% entre 2010 e 2020.
Os pesquisadores usaram aprendizado de máquina explicável, bases de produtividade em grade e índice padronizado de equivalente de água da neve. A análise avaliou a sensibilidade da produtividade do trigo de inverno à variação da neve entre 1982 e 2016. O trabalho aponta aumento significativo dessa sensibilidade em mais de 25% das áreas cultivadas no Hemisfério Norte.
Segundo os cientistas, cerca de 45% das lavouras avaliadas sofreram impactos negativos significativos da seca de neve. Europa, Ásia Central e Estados Unidos concentram os efeitos mais severos. No leste da Ásia, os ganhos de produtividade ligados a estações de crescimento mais longas vêm diminuindo.
A equipe identificou três fatores principais para o aumento da sensibilidade do trigo de inverno: maior uso de fertilizantes, intensificação do estresse por congelamento e redução leve da precipitação. Níveis mais altos de nutrientes no solo podem favorecer o crescimento. Porém, também elevam a dependência da cultura em relação à água e ao isolamento térmico fornecidos pela cobertura de neve.
Os cientistas recomendam variedades com tolerância ao frio e à seca. Também defendem manejo nutricional mais preciso e sustentável. O monitoramento da cobertura de neve deve integrar sistemas de avaliação de risco e alerta agrícola.
Outras informações em doi.org/10.1038/s43016-026-01302-7
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