Safra de soja é beneficiada por chuvas frequentes em Roraima

Previsão do Inmet para o próximo trimestre indica redução de chuvas e maior atenção às lavouras

27.05.2026 | 16:22 (UTC -3)
Inmet, edição Revista Cultivar

O período de cultivo da soja no estado de Roraima difere significativamente do restante do país, uma vez que coincide com a estação chuvosa regional, caracterizada por precipitações mais regulares. Essa condição favorece maior segurança produtiva e estabilidade no rendimento da cultura. O zoneamento agrícola para o cultivo da soja em Roraima teve início no final de março e se estende até meados de junho, sendo esse intervalo considerado o mais adequado devido às condições climáticas normalmente favoráveis, especialmente em relação à distribuição das chuvas.

No contexto da safra de 2026, o cenário tem se mostrado favorável no estado de Roraima. Desde o início do período recomendado para a semeadura a região vem registrando eventos frequentes de chuva e, em alguns momentos, acumulados expressivos, contribuindo para uma boa emergência das plantas e a formação adequada do estande. 

Conforme avaliação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), esse cenário é corroborado pelas reduzidas perdas observadas até o momento, associadas à regularidade das chuvas, ausência de deficiência hídrica, bem como ocorrência de temperaturas favoráveis ao desenvolvimento da cultura. 

Figura 1: precipitação (mm), temperatura média (°C) e excedente hídrico (mm) para o período de 25 de março a 31 de maio em Alto Alegre (RR); fonte: Sisdagro
Figura 1: precipitação (mm), temperatura média (°C) e excedente hídrico (mm) para o período de 25 de março a 31 de maio em Alto Alegre (RR); fonte: Sisdagro

Próximas semanas devem ser decisivas para a cultura

Nas próximas semanas, a cultura da soja no estado avançará para fases de maior exigência hídrica, tornando a manutenção da regularidade das chuvas um fator decisivo para o desempenho produtivo. No estado, a estação chuvosa é modulada principalmente pela Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), cuja posição mais ao sul entre abril e agosto favorece a ocorrência de chuvas intensas e persistentes. 

Climatologicamente, junho e julho representam o pico da estação chuvosa, com acumulados pluviométricos que frequentemente superam 250 mm, volumes que, quando bem distribuídos ao longo do ciclo, normalmente são suficientes para atender à demanda hídrica da soja. A partir de agosto, o deslocamento sazonal da ZCIT para latitudes mais ao norte reduz progressivamente os volumes de precipitação, ficando abaixo de 200 mm em grande parte das áreas produtoras, aumentando o risco de déficit hídrico para lavouras com plantio mais tardio.

Entretanto, a estabilidade produtiva dessa janela fica comprometida sob a atuação do fenômeno El Niño, que consiste no aquecimento anômalo do Pacífico equatorial, alterando a circulação atmosférica tropical. O principal impacto do fenômeno sobre a porção norte da Amazônia é a redução e irregularidade das chuvas durante a primavera e o verão. Esse padrão tende a antecipar o término da estação chuvosa, aumentando a probabilidade de secas severas. Esses eventos reduzem o suprimento hídrico disponível para a cultura da soja, afetando diretamente o potencial produtivo e elevando o risco de perdas.

Figura 2: previsão de anomalia de precipitação (mm) do multimodelo Inmet+CPTec+Funceme para o trimestre de junho, julho e agosto (JJA) de 2026
Figura 2: previsão de anomalia de precipitação (mm) do multimodelo Inmet+CPTec+Funceme para o trimestre de junho, julho e agosto (JJA) de 2026

Monitoramento é decisivo para o plano de atividades agrícolas

A previsão climática elaborada em cooperação entre Inmet, Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTec/Inpe) e Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), indica, para o período de junho a agosto, volumes de chuva de até 50 mm abaixo da climatologia para o estado de Roraima, cenário que reforça o risco climático para a soja, especialmente nas fases de maior exigência hídrica da cultura.

Esse quadro reforça a necessidade de atenção no planejamento das atividades agrícolas na região, recomendando-se o acompanhamento contínuo das atualizações meteorológicas a fim de subsidiar a tomada de decisão no manejo das lavouras, reduzir riscos operacionais e otimizar o planejamento das operações de campo.

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