RS Safra 2025/26: chuvas reduzem perdas na soja e no milho

Arroz inicia colheita com 3% da área; feijão registra quebra na 1ª safra

26.02.2026 | 16:44 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações da Emater/RS

As chuvas da segunda quinzena de fevereiro reduziram o estresse hídrico nas lavouras de soja e milho no Rio Grande do Sul. Parte das perdas, porém, já se consolidou após a estiagem de janeiro e início de fevereiro. O arroz inicia a colheita. O feijão encerra a primeira safra com quebra em regiões afetadas pela falta de chuva. As informações são da Emater/RS.

Na soja, 60% das áreas entram em enchimento de grãos. Outras 28% estão em floração. A maturação alcança 4%. A colheita ocorre de forma incipiente. A área cultivada soma 6.742.236 hectares. Nova estimativa de produtividade sairá no início de março.

A restrição hídrica provocou abortamento de flores e vagens. Produtores relatam redução de porte e encurtamento de ciclo. Na regional de Bagé, perdas superam 40% em Manoel Viana e São Borja. Em Rosário do Sul, a quebra se aproxima de 30%. Em Maçambará, atinge 20%. Na Campanha, a média indica 10% abaixo do potencial inicial, com melhor desempenho em áreas de várzea.

Em Santa Rosa, perdas podem superar 25%. Em Ijuí, áreas atingidas pela estiagem mais severa registram quebra de até 50%. Em Erechim, estimativas apontam redução de até 30% em municípios como Getúlio Vargas e São Valentim.

O manejo fitossanitário ganhou ritmo após a recomposição da umidade. Técnicos retomaram aplicações de fungicidas contra ferrugem-asiática. Produtores monitoram tripes, ácaros, percevejos e lagartas. A incidência segue baixa. Há registros pontuais de caruru.

Situação do milho

No milho, a colheita alcança 60% da área. A produtividade nas áreas colhidas se aproxima da projeção inicial. A área plantada soma 785.030 hectares. A produtividade projetada chega a 7.370 kg/ha.

Em Rosário do Sul, perdas superam 40% após falhas de enchimento e mortalidade de plantas. Em São Gabriel, lavouras precoces entregam entre 7.200 e 7.800 kg/ha em sequeiro e até 12.000 kg/ha sob irrigação. Em Erechim, a média regional se aproxima de 9.000 kg/ha, com perdas de até 25% em alguns municípios.

A cigarrinha-do-milho ocorre em diversas regiões e exige monitoramento contínuo. A lagarta-do-cartucho aparece de forma pontual. Na segunda safra, déficit hídrico compromete germinação e desenvolvimento inicial.

Situação do arroz

No arroz, a colheita atinge 3% da área. A maior parte das lavouras permanece em enchimento de grãos (45%) e floração (22%). A maturação alcança 28%. A área cultivada soma 891.908 hectares. A produtividade projetada chega a 8.752 kg/ha.

Chuvas intercaladas com nebulosidade reduziram a radiação solar em fases sensíveis. Em Pelotas, temperaturas acima de 35 ºC durante a antese podem provocar esterilidade de espiguetas. Produtores intensificam o controle de brusone, manchas foliares e lagarta-da-panícula. Técnicos ajustam lâmina de irrigação.

Situação do feijão

No feijão 1ª safra, 53% das áreas já foram colhidas. A produtividade média projetada atinge 1.779 kg/ha em 26.096 hectares. A estiagem provocou abortamento de flores e vagens em parte das áreas. Em Ijuí, a produtividade ficou abaixo do esperado. Em Pelotas, a média gira em torno de 1.103 kg/ha.

No feijão 2ª safra, 77% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo. A área projetada soma 11.690 hectares, com produtividade estimada em 1.401 kg/ha. O plantio tardio evitou perdas por estiagem. Técnicos relatam baixa incidência de pragas e doenças.

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