Projeto usa drones para controle biológico na cana-de-açúcar

Tecnologia apoiada pela Embrapii mecaniza o controle biológico e reduz o uso de inseticidas no campo

17.06.2026 | 14:31 (UTC -3)
Amanda Guerra

Uma tecnologia inovadora apoiada pela Embrapii está mudando a forma de combater pragas nas lavouras de cana-de-açúcar no Brasil. Desenvolvida pela empresa Sardrones em parceria com a Unidade Embrapii da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), a solução utiliza drones para liberar vespas no campo e controlar a broca da cana-de-açúcar (Diatraea saccharalis), uma das principais ameaças à produtividade do setor. 

O projeto surgiu a partir de um problema prático. O controle biológico, tradicionalmente manual, expõe trabalhadores a condições insalubres e limita a escala da operação. “É um trabalho perigoso, com calor, presença de animais e esforço físico elevado com baixo rendimento”, afirma o agrônomo Gustavo Scarpari, fundador da Sardrones. 

A proposta foi mecanizar esse processo. Drones passaram a distribuir a vespinha Cotesia flavipes, uma inimiga natural da broca. O sistema utiliza embalagens biodegradáveis lançados por dispensers em drones de forma precisa sobre a plantação. Isso garante maior uniformidade e eficiência no controle da praga. 

Etapas de desenvolvimento 

O desenvolvimento passou por várias etapas. As primeiras versões eram simples e sem escala industrial. “Começamos com um sachê biodegradável, que funcionou bem. Mas precisávamos ganhar escala. Foi quando surgiu a parceria com a Embrapii”, explica Scarpari. 

O apoio da Embrapii foi essencial para viabilizar o avanço tecnológico. A parceria com a Esalq/USP permitiu otimizar o uso do agente biológico no campo. “Trabalhamos na definição da melhor forma de aplicação, número ideal de liberações, horários e custo-benefício, além de avaliar a eficiência do método”, afirma o entomologista e professor José Maurício Bento. 

Na prática, o drone sobrevoa o canavial e libera os dispensers com as vespas. Elas parasitam a broca ainda na fase de lagarta. O processo é monitorado por mapas de voo, que registram os pontos de aplicação e garantem rastreabilidade. 

Tecnologia impulsiona a sustentabiliade

Além dos ganhos operacionais, a tecnologia contribui para a sustentabilidade. O uso de controle biológico reduz a aplicação de inseticidas e preserva organismos benéficos. “O principal ganho é evitar aplicações químicas”, destaca Bento. 

Há também impacto econômico. A redução de químicos favorece certificações internacionais e pode gerar maior valorização do produto. “Quanto mais biológico se usa, maior a chance de obter prêmio no preço do açúcar”, afirma Scarpari. 

A tecnologia já começou a ser utilizada em outras culturas, como soja, milho, café e frutas. Isso amplia seu potencial de mercado. Para especialistas, o projeto mostra como a integração entre demanda do setor produtivo, pesquisa aplicada e financiamento adequado acelera a inovação. 

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