Mercado Agrícola - 7.jul.2026
Soja ganha força com clima nos EUA e demanda chinesa
O produtor rural brasileiro precisa transformar conhecimento técnico em resultado no campo, mas enfrenta falta de apoio estruturado para essa tomada de decisão. A avaliação partiu do professor Ricardo Balardin, durante a premiação dos vencedores do Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja, do Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB).
Segundo Balardin, perdas causadas por pragas, doenças e plantas daninhas podem reduzir em mais de 30 por cento o potencial produtivo. O professor afirmou que esse dado resume apenas parte do problema. Cada área envolve especialistas, informações acumuladas e decisões sobre momento, produto e estratégia. O desafio, segundo ele, recai sobre técnicos e produtores, responsáveis por converter recomendações obtidas em parcelas experimentais, observações e viagens em produtividade ano após ano.
Balardin comparou a realidade brasileira com o serviço de extensão dos Estados Unidos. Lá, segundo ele, universidades fazem a ponte entre pesquisa e produtor. Cada instituição conta com dezenas de pesquisadores com doutorado nessa interação. A informação precisa de validação universitária em cada região.
No Brasil, o professor afirmou que esse sistema não existe mais com a mesma força. Ele citou o enfraquecimento dos serviços estaduais de extensão desde os anos 1990, as dificuldades da pesquisa pública e os cortes orçamentários nas universidades. Nesse cenário, a indústria assumiu grande parte da transferência de tecnologia ao campo. Para Balardin, empresas de defensivos, biológicos e outros segmentos hoje levam especialistas, treinamento, tecnologias e produtos para produtores e consultores.
O professor também apresentou dados levantados a partir de formulários preenchidos por participantes do concurso. Ele explicou que os números não representam uma regra absoluta, mas ajudam a formar um retrato do campo, pois reúnem milhares de informações.
Na área de doenças, Balardin apontou diferenças regionais. A ferrugem apresentou maior importância no Sul e menor relevância relativa em outras regiões. Para ele, essa distribuição funciona como termômetro climático e ajuda a indicar necessidades de manejo.
O controle químico apareceu como prática predominante, com adoção de 98 por cento. Balardin lembrou que esse modelo enfrenta dificuldades desde 2012, com o avanço da resistência. Ele também citou mudanças no mercado, entrada de genéricos e maior preocupação com processos de controle de qualidade.
Um ponto recebeu destaque: a concentração das aplicações no florescimento. Para Balardin, a redução de operações nos estádios vegetativos iniciais abre uma janela de 35 a 40 dias sem proteção. Ele afirmou que, exceto a ferrugem, muitas doenças não chegam pelo ar. Elas vêm da semente, do solo e da resteva. Por isso, muitas infecções começam cedo.
Na área de plantas daninhas, o professor citou espécies presentes em todo o Brasil e outras com ocorrência regional. Entre as citadas apareceram capim-pé-de-galinha, capim-amargoso, trapoeraba, corda-de-viola e caruru. O controle químico também predominou entre as práticas relatadas. Balardin citou ainda roçada, revolvimento do solo, rotação de culturas e biotecnologias.
A resistência em plantas daninhas recebeu atenção especial. Segundo Balardin, esse problema pode superar a resistência em doenças em antiguidade e gravidade. Ele comparou a situação com os Estados Unidos e afirmou que o Brasil também enfrenta grande dificuldade nessa área. O levantamento indicou concentração do manejo em pós-emergência e evidenciou menor uso de pré-emergentes, ponto já discutido nas apresentações do evento.
Em pragas, Balardin destacou ocorrência ampla no país. Ele citou percevejo-marrom como dominante em todas as regiões, além de lagarta-do-cartucho e falsa-medideira. O controle químico também apareceu acima de 90 por cento. O professor lembrou que o Brasil cultiva soja em ambiente equatorial, subequatorial e tropical, condição favorável à manutenção de populações de insetos durante todo o ano.
As aplicações de inseticidas mostraram distribuição mais ampla ao longo do ciclo da cultura. Segundo Balardin, esse padrão difere do observado em doenças e plantas daninhas, pois depende mais do momento de ocorrência das pragas.
Balardin também destacou o crescimento dos produtos biológicos no Brasil. Ele afirmou que esse avanço ocorreu em um segmento antes pouco atendido: o solo. Para o professor, os biológicos passaram a contribuir para a sanidade de raízes. Ele defendeu atenção especial ao sistema radicular, pois uma raiz bem formada sustenta o desenvolvimento da parte aérea.
O professor citou problemas antigos, como esclerotinia, rizoctonia e fusarium. Segundo ele, o uso de biológicos ainda é recente diante da longa presença desses patógenos no sistema produtivo. Por isso, Balardin avaliou que os benefícios poderão crescer nas próximas safras.
O levantamento também indicou inconsistência no momento de uso dos biológicos. Balardin afirmou que esse dado exige mais trabalho, consistência e diálogo. Para ele, a indústria de biológicos tem oportunidade de ajustar recomendações e melhorar o aproveitamento dessas ferramentas no manejo.
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