Inmet: previsão do tempo entre os dias 19 a 26 de outubro de 2026
Volumes podem superar 200 mm em pontos do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná ao longo da semana
O excesso de chuvas tem dificultado o andamento das atividades agrícolas no Paraná, com reflexos sobre o plantio das culturas de verão, a colheita dos cereais de inverno e o desenvolvimento de diversas lavouras. O cenário é descrito no boletim Condições de Tempo e Cultivo, do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), referente ao período de 13 a 19 de outubro de 2026.
Na cultura da soja, a semeadura avançou lentamente em grande parte do estado devido ao encharcamento do solo e à dificuldade de acesso das máquinas às áreas de cultivo. A abertura de períodos de tempo firme permitiu intensificar os trabalhos, com avanço expressivo em algumas regiões e ampliação do horário de operação.
As lavouras já implantadas apresentam, em geral, boa germinação e estande de plantas. Entretanto, o excesso de água tem provocado desenvolvimento inicial lento, germinação desuniforme e apodrecimento de plantas em áreas afetadas. Ventos fortes e granizo também causaram danos pontuais às folhas, enquanto a baixa luminosidade limita o crescimento das plantas.
O acúmulo de água nas lavouras e nas curvas de nível tem provocado perdas localizadas, além de assoreamento e erosão em alguns pontos. O boletim também relata a presença de fungos associados à palhada de milho, capazes de atingir as plântulas e reduzir o potencial produtivo. A dificuldade de entrada de máquinas compromete ainda o controle de plantas daninhas e a realização de outros tratos culturais.
A continuidade das chuvas mantém a preocupação com o atraso da semeadura e os possíveis reflexos sobre a implantação das culturas de segunda safra.
O plantio do milho de verão avançou e está praticamente concluído em algumas regiões, enquanto em outras segue em ritmo acelerado durante as janelas de tempo firme. Apesar da boa germinação observada de modo geral, o excesso de água, a baixa luminosidade e os ventos fortes têm retardado o desenvolvimento inicial das lavouras e, em situações pontuais, comprometido o potencial produtivo.
A persistência das precipitações também preocupa em relação ao calendário agrícola, pois pode reduzir o período disponível para a implantação das culturas de segunda safra.
No arroz irrigado, as chuvas interromperam o plantio em algumas regiões, que dependem de condições mais favoráveis para retomar as operações. Em determinadas áreas, as precipitações intensas provocaram inundação de lavouras, elevando os riscos de perdas e de comprometimento do estabelecimento da cultura.
O plantio do feijão também foi limitado pela umidade excessiva. Os trabalhos avançaram durante pequenos intervalos de tempo firme, mas a dificuldade de acesso às áreas e a ocorrência de doenças associadas à elevada umidade do solo seguem como obstáculos. Parte das lavouras está em desenvolvimento vegetativo, enquanto outras já alcançaram a fase de frutificação.
Entre as culturas de inverno, o trigo está com a colheita em fase final em grande parte do Paraná, mas as condições climáticas têm provocado atrasos, perdas de qualidade e redução do potencial produtivo.
A elevada umidade, a baixa luminosidade e a impossibilidade de realizar os manejos necessários favoreceram a ocorrência de doenças como míldio, giberela e brusone, além de dificultarem a entrada de máquinas nas lavouras.
Em algumas áreas, a qualidade dos grãos colhidos está abaixo das exigências do mercado, o que reduz a rentabilidade. Segundo o boletim, há situações em que a receita obtida com a produção poderá não cobrir os custos da safra.
A colheita da aveia-branca e da aveia-preta também se aproxima do encerramento em parte do estado. Já a cevada continua sendo prejudicada pelo clima úmido, pela baixa luminosidade e pela dificuldade de acesso às áreas. Além dos atrasos na colheita, as condições favoreceram doenças e perdas de qualidade em algumas regiões.
Os impactos das chuvas se estendem a outras atividades agrícolas. Na cana-de-açúcar, a colheita foi interrompida pontualmente, embora uma parcela significativa da safra já tenha sido retirada. A persistência das precipitações aumenta o risco de áreas permanecerem sem colheita em 2026.
Na fruticultura, vendavais e granizo provocaram danos aos parreirais e queda de estruturas de cultivo, com perdas de produção, especialmente em áreas de uva e morango. A continuidade das chuvas também dificulta os trabalhos de condução e colheita das frutas.
As hortaliças enfrentam restrições ao acesso de trabalhadores e máquinas aos canteiros. O excesso de água dificulta os tratos culturais, prejudica a absorção de nutrientes e limita o crescimento das plantas. Em algumas regiões, a abertura de períodos de tempo firme permitiu retomar o plantio.
Na mandioca, a colheita permanece parcialmente interrompida à espera de condições adequadas do solo. Nas áreas recém-plantadas, principalmente em solos de arenito e terrenos mais inclinados, as chuvas intensas provocaram rompimento de terraços, erosão e acúmulo de água, aumentando os riscos para o estabelecimento das plantas.
A cultura da batata também enfrenta dificuldades para a realização dos tratos culturais e pode ter o desenvolvimento e o potencial produtivo comprometidos. No tabaco, vendavais e granizo provocaram perdas em propriedades atingidas, somando-se aos efeitos gerais do excesso de chuvas.
Apesar das dificuldades registradas em diferentes atividades, algumas condições são favoráveis. As lavouras de café estão em fase de floração e início de frutificação em determinadas regiões, e as precipitações são consideradas benéficas para o pegamento da florada e o posterior enchimento dos grãos. Nas áreas já colhidas, os produtos seguem em beneficiamento e posterior comercialização.
As pastagens apresentam, de modo geral, boa produção de massa verde, favorecendo a alimentação dos animais. No entanto, a elevada umidade tem prejudicado a oferta e o manejo da aveia destinada ao pastoreio em algumas regiões, além de restringir o acesso às áreas rurais e a condução das atividades pecuárias.
O boletim do Deral evidencia que a persistência das chuvas afeta diferentes etapas do ciclo produtivo no Paraná, desde a implantação das culturas de verão até a conclusão da colheita dos cereais de inverno. A evolução dos trabalhos dependerá da abertura de períodos de tempo firme e da recuperação das condições de acesso às lavouras.
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