Frio persiste no Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil
Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste predomina o tempo estável
O Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou nesta quinta-feira (28/5) o Boletim Conjuntural com atualização sobre as principais culturas agrícolas do Estado. O relatório destaca os impactos das condições climáticas nas lavouras e aponta mudanças no cenário produtivo e comercial do agronegócio paranaense.
No milho, a área plantada da segunda safra cresceu 3% no ciclo 2025/26 em comparação com o período anterior, alcançando a maior extensão já registrada para a cultura no Paraná. A produção estimada é de 17,5 milhões de toneladas, volume levemente inferior ao projetado em abril pelo Deral.
Segundo o analista de mercado do Deral, Edmar Wardensk Gervasio, a redução está relacionada, principalmente, às geadas registradas recentemente, que provocaram impactos pontuais nas lavouras. Em algumas regiões, a colheita já começou de forma incipiente, enquanto em outras as plantas ainda estão em fase de maturação.
Na primeira safra de milho, já totalmente colhida, a área cultivada foi estimada em 349,7 mil hectares, alta de 24,6% em relação ao ciclo anterior. A produção alcançou 3,9 milhões de toneladas.
Na olericultura, a nova safra de cebola do Paraná começou neste mês de maio. Até o momento, o plantio atingiu 212 hectares, o equivalente a 9% da área total prevista de 2,4 mil hectares.
De acordo com o agrônomo do Deral, Paulo Fernando de Souza Andrade, a expectativa é colher 93,3 mil toneladas. A colheita deve começar em outubro, dependendo das condições climáticas, e a comercialização poderá se estender até o início do outono de 2027.
Apesar do avanço tecnológico no campo, o Deral projeta redução de 50,4% na área cultivada e queda de 25,8% no volume produzido em relação às últimas safras. Segundo o órgão, o cenário reflete a concorrência com grandes estados produtores e o excesso de oferta registrado nos últimos anos, que pressionou os preços pagos ao produtor.
Ainda assim, os ganhos de produtividade seguem expressivos. A adoção de híbridos, plantio direto e irrigação elevou o rendimento médio das lavouras de 26 toneladas por hectare, em 2018, para uma estimativa de 39 toneladas por hectare nesta safra. Em 2026, a produtividade média estadual alcançou 42,7 toneladas por hectare.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o Paraná respondeu por 5,6% da produção nacional de cebola em 2024, ocupando a sétima posição entre os estados produtores. No período, o Brasil colheu 1,7 milhão de toneladas da hortaliça em uma área de 49,4 mil hectares, gerando Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 3,9 bilhões.
A região de Guarapuava lidera a produção estadual, com previsão de 41,7 mil toneladas em 740 hectares cultivados. Curitiba e região metropolitana devem produzir 30,8 mil toneladas em 897 hectares, enquanto a regional de Irati projeta colheita de 9,9 mil toneladas em 300 hectares. Juntas, as três regiões concentram mais de 87% da produção paranaense.
No mercado, o produtor recebeu, em março, R$ 23,68 pela saca de 20 quilos da cebola, valor 44,9% superior ao registrado em fevereiro. No entanto, segundo o Deral, o volume restante para comercialização era pequeno, o que limitou os ganhos efetivos ao produtor.
Já no atacado paranaense, os preços da cebola pera nacional recuaram 6,7% na última semana, passando de R$ 75 para R$ 70 por saca de 20 quilos. Em Curitiba, as cotações nas Ceasas variaram entre R$ 30 e R$ 35 por saca em janeiro. No varejo, o consumidor pagou em abril cerca de R$ 4,50 por quilo, alta de 19,1% em relação a março, período marcado pela oferta de cebolas importadas do Chile e da Argentina.
Mesmo diante das oscilações climáticas dos últimos anos, o Deral avalia que as condições meteorológicas não devem comprometer o desenvolvimento das lavouras da nova safra, embora o setor acompanhe com atenção as previsões relacionadas ao fenômeno El Niño.
O boletim também aponta forte retração nas estimativas da segunda safra de feijão no Paraná. Segundo o economista do Deral, Marcelo Garrido Moreira, a produção estadual foi estimada em 332,1 mil toneladas, volume 38% inferior ao registrado no ciclo anterior.
Em relação ao planejamento inicial da safra, a quebra também é significativa: a produção atual está cerca de 21% abaixo da estimativa inicial. O principal fator para a redução foi o clima desfavorável, que afetou as lavouras em fases críticas de desenvolvimento.
A cultura enfrentou um longo período de estiagem e, posteriormente, geadas que atingiram principalmente as regiões mais ao sul do Estado, comprometendo o potencial produtivo das lavouras.
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