PR Safra 2025/26: excesso de umidade afeta trigo, milho e feijão

Chuvas persistentes elevam a incidência de doenças, atrasam a colheita e comprometem a produtividade

14.07.2026 | 16:01 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações do Deral

As condições climáticas seguem influenciando o desempenho das lavouras paranaenses. De acordo com o relatório semanal do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), referente ao período de 7 a 13 de julho, o excesso de umidade tem provocado atrasos na colheita, aumento da incidência de doenças e perdas de produtividade em algumas culturas, enquanto outras apresentam bom desenvolvimento.

No trigo, a safra avança desde as etapas finais de semeadura até o florescimento e início da frutificação. A maior parte das lavouras apresenta bom desenvolvimento vegetativo, porém as chuvas persistentes favoreceram o surgimento de doenças foliares, dificultaram a realização de manejos e causaram acamamento localizado. O Deral também relata que alguns produtores desistiram do cultivo nesta safra devido ao atraso no plantio e ao receio de comprometer o calendário da próxima safra de verão.

O milho da segunda safra apresenta cenário desigual entre as regiões. Enquanto parte das lavouras evolui normalmente e a colheita já começou em áreas pontuais, a elevada umidade do solo e dos grãos tem retardado a maturação e as operações de colheita em diversas localidades. O relatório destaca ainda danos provocados por geadas e episódios localizados de granizo, que intensificaram doenças como a Diplodia e reduziram o potencial produtivo.

No feijão, a colheita se aproxima do fim, mas as últimas áreas registram quebra de produtividade e redução da qualidade comercial dos grãos em decorrência do excesso de umidade durante a fase de maturação.

Entre as culturas de inverno, aveia e cevada apresentam bom desenvolvimento, com manejo fitossanitário dentro da normalidade. Já no sorgo, a combinação de alta umidade e variações de temperatura favoreceu a ocorrência da mela-do-sorgo, comprometendo o potencial produtivo em algumas áreas e resultando em rendimentos abaixo do esperado.

No arroz irrigado, produtores iniciaram antecipadamente o preparo do solo para adiantar o plantio da próxima safra, buscando reduzir os riscos associados à previsão de chuvas intensas. Apesar disso, o Deral aponta tendência de redução da área cultivada em função dos baixos preços recebidos pelos produtores.

Nas hortaliças, o excesso de chuva e as geadas provocaram perdas pontuais em cultivos a céu aberto, enquanto estufas de tomate registraram descarte de plantas afetadas por requeima. Com a melhora das condições climáticas, os produtores retomaram o preparo de canteiros, novos plantios e o controle fitossanitário.

Outras culturas, como batata, cana-de-açúcar, alfafa e pastagens, apresentam condições favoráveis. As pastagens, em especial, registram boa produção de massa verde, favorecendo a alimentação dos rebanhos durante o inverno. Já na mandioca, a colheita segue em ritmo lento em parte das regiões devido aos baixos preços pagos ao produtor, enquanto a safra de tangerina-ponkan avança com boa produtividade, apesar de dificuldades logísticas causadas pelas chuvas.

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