PR Safra 2025/26: clima irregular reduz projeção da soja

Estimativa da safra cai para 21,88 milhões de toneladas; Deral indica que a cevada deve avançar no inverno

26.03.2026 | 15:34 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações do Deral
Foto: Jaelson Lucas
Foto: Jaelson Lucas

O clima irregular registrado nos meses de janeiro e fevereiro de 2026 levou o Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral) a revisar para baixo a estimativa da safra de soja de verão. A produção agora é projetada em 21,88 milhões de toneladas, refletindo perdas de produtividade, especialmente na região norte do estado.

Segundo o analista de mercado do Deral, Edmar Wardensk Gervasio, a colheita já alcançou 82% dos 5,77 milhões de hectares cultivados, com maior intensidade de trabalhos concentrada na região sul.

Com o avanço da colheita de verão, o foco do setor se volta para o planejamento da safra de inverno 2026. A primeira estimativa do Deral indica redução na área plantada de cereais, influenciada por preços menos atrativos, com exceção da cevada, que deve ampliar sua presença.

A área de trigo deve recuar cerca de 6%, perdendo espaço principalmente para o milho, além de outros cultivos de inverno. Em contrapartida, a cevada deve registrar crescimento, impulsionada pela forte demanda da indústria de malte e pela boa absorção da safra anterior.

De acordo com o engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Hugo Godinho, a área de cevada pode crescer 14%, passando de 104 mil hectares colhidos em 2025 para cerca de 118 mil hectares em 2026. O bom desempenho da última safra, mesmo com volumes elevados, foi integralmente absorvido pela indústria, favorecendo a expansão.

As indústrias de malte têm papel central nesse movimento, ao fomentar a produção e garantir a compra futura, desde que atendidos os padrões de qualidade exigidos. Caso as produtividades se mantenham em níveis semelhantes aos de 2025, a produção pode superar meio milhão de toneladas, contribuindo para reduzir a dependência de importações.

Além da cevada, as culturas de aveia também devem ganhar espaço. A aveia preta e a aveia branca têm previsão de aumento de área de 7% e 3%, respectivamente, consolidando o cenário de ajustes no mix de cultivos para o inverno no estado.

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