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Plantas de cevada conseguem detectar o ritmo de crescimento de vizinhas por meio de compostos orgânicos voláteis. A exposição a esses sinais altera o acúmulo de biomassa e a expressão gênica das plantas receptoras. O resultado indica uma função ainda pouco reconhecida desses voláteis em ambientes com competição vegetal.
Pesquisa avaliou cultivares de cevada, Hordeum vulgare, com estratégias distintas de crescimento. Os cientistas usaram Fairytale, de crescimento lento; Luhkas, de crescimento intermediário; e Salome, de crescimento rápido. As plantas receptoras receberam apenas voláteis da parte aérea das plantas emissoras. O sistema evitou contato entre raízes e outros compostos subterrâneos.
Os resultados mostraram resposta dependente da origem dos voláteis. Fairytale acumulou mais biomassa quando recebeu compostos emitidos por Salome. Salome reduziu biomassa quando recebeu voláteis de Fairytale. A exposição a plantas com ritmo semelhante de crescimento provocou efeitos pequenos ou sem diferença significativa.
Segundo comunicado dos cientistas, as plantas receptoras ajustaram o crescimento conforme a pressão competitiva indicada pelo “cheiro” da vizinha. A resposta ocorreu em folhas, caules e raízes. O efeito não indicou apenas redistribuição de recursos entre órgãos.
A análise de expressão gênica reforçou essa interpretação. Fairytale exposta a Salome apresentou mais genes com expressão reduzida. Esses genes tinham relação com processos de manutenção de proteínas, resposta ao estresse e defesa. Salome exposta a Fairytale apresentou ampla elevação de genes ligados a processamento de RNA, replicação de DNA, transporte celular e metabolismo de proteínas.
Os cientistas interpretam os dados como evidência de um balanço entre crescimento e defesa. Plantas expostas a sinais de vizinhas de crescimento rápido tenderam a priorizar crescimento. Plantas expostas a sinais de vizinhas de crescimento lento tenderam a reduzir crescimento e ampliar respostas ligadas à defesa induzida.
O estudo também analisou o perfil químico dos voláteis. As três cultivares emitiram misturas distintas. A classificação por modelo random forest alcançou 93,1 por cento de acurácia para separar os perfis das plantas intactas. Salome e Fairytale apresentaram a maior separação química.
Entre os compostos com maior contribuição para essa separação apareceram benzil nitrila, linalol, octanal, 1-octen-3-ol, benzotiazol, tetradecano, dodecano e nonanal. Benzil nitrila e um composto não identificado, com índice de retenção 1160, tiveram maior emissão em Fairytale. O 1-octen-3-ol caracterizou Salome. Tetradecano, octanal e linalol variaram entre Fairytale e Salome.
O trabalho amplia o papel dos compostos orgânicos voláteis na comunicação entre plantas. Estudos anteriores focavam sinais liberados após danos, como ataque de herbívoros. Nesta pesquisa, plantas sem dano emitiram sinais capazes de alterar crescimento e expressão gênica em vizinhas.
Os experimentos ocorreram em laboratório, com plantas cultivadas em condições controladas. As avaliações incluíram biomassa seca, características morfológicas, sequenciamento de RNA e cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas.
Mais informações em doi.org/10.1101/2025.08.15.670058
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