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Uma pesquisa desenvolvida na Universidade de Passo Fundo (UPF) está investigando o potencial das microalgas para a produção de fertilizantes e bioestimulantes agrícolas a partir da recuperação de nutrientes presentes em resíduos minerais. O estudo, conduzido no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil e Ambiental (PPGEng), busca utilizar microalgas para solubilizar fósforo e potássio contidos em pó de rocha, tornando esses nutrientes mais disponíveis para absorção pelas plantas.
A pesquisa é desenvolvida pelo pós-doutorando Alan Rempel, pela mestre Julia Lorenzato e pela doutoranda Viviane Simon, sob orientação da professora Luciane Maria Colla, com apoio de pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Agronomia (PPGAgro).
Segundo Rempel, a proposta é aproveitar o metabolismo das microalgas para incorporar nutrientes à biomassa produzida, gerando produtos com potencial uso agrícola. “Pretendemos desenvolver biofertilizantes e bioestimulantes mais sustentáveis, reduzindo a dependência de fertilizantes convencionais e promovendo o aproveitamento de resíduos gerados por outras atividades produtivas”, explica.
A iniciativa está alinhada aos princípios da economia circular ao buscar agregar valor a resíduos minerais que normalmente possuem baixo aproveitamento econômico. As atividades incluem análises químicas e mineralógicas dos materiais, além do cultivo de diferentes espécies de microalgas, como Scenedesmus obliquus, Spirulina platensis e Chlorella sp., para avaliar sua capacidade de crescer na presença dos resíduos e disponibilizar nutrientes para as plantas.
Durante os experimentos, os pesquisadores monitoram indicadores como crescimento celular, concentração de fósforo disponível, atividade enzimática, produção de proteínas e síntese de compostos bioativos.
Após a fase laboratorial, os materiais produzidos são testados em sementes e plantas para avaliar efeitos sobre germinação, desenvolvimento radicular, crescimento vegetativo e produtividade.
Além de fornecer nutrientes, as microalgas produzem compostos como aminoácidos, vitaminas, antioxidantes e hormônios vegetais, que podem atuar como bioestimulantes e favorecer o desenvolvimento das culturas.
De acordo com os pesquisadores, a aplicação desses produtos pode contribuir para melhorar a absorção de nutrientes, aumentar a resistência das plantas a condições de estresse e reduzir a necessidade de fertilizantes químicos.
Para Rempel, a tecnologia pode representar uma alternativa importante diante dos desafios enfrentados pela agricultura, como os custos de produção, a dependência de fertilizantes importados e a busca por sistemas produtivos mais sustentáveis. “Além dos benefícios econômicos e ambientais, a pesquisa pode contribuir para a segurança alimentar, a redução da dependência externa de fertilizantes e o fortalecimento de práticas agrícolas alinhadas à sustentabilidade”, destaca.
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