Óleo de erva-de-santa-maria supera o nim contra lagarta-do-cartucho

Ensaio aponta mortalidade de 62% em larvas de Spodoptera frugiperda expostas à concentração de 5%

05.07.2026 | 14:51 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
Foto: Marina Pessoa / Embrapa
Foto: Marina Pessoa / Embrapa

O óleo essencial de Dysphania ambrosioides, planta conhecida como erva-de-santa-maria ou mastruz, apresentou efeito inseticida contra larvas de Spodoptera frugiperda em ensaio de laboratório nos Estados Unidos. O tratamento com concentração de 5% reduziu o ganho de peso das lagartas e causou mortalidade de 62% durante dez dias de avaliação (DOI 10.3390/agrochemicals5030030).

A pesquisa avaliou o óleo essencial incorporado a uma dieta artificial. As lagartas receberam o alimento tratado após sete dias da eclosão. Os pesquisadores compararam sete grupos: controle com água, óleo de erva-de-santa-maria a 1%, óleo de erva-de-santa-maria a 5%, óleo de nim a 1%, óleo de nim a 5%, controle com Tween 80 a 1% e controle com Tween 80 a 5%. Cada grupo teve 50 larvas.

Resultado expressivo

O resultado mais expressivo ocorreu no grupo com 5% de óleo de erva-de-santa-maria. Ao fim do período, 31 das 50 lagartas morreram. O grupo também apresentou o menor peso médio final, com 7,8 miligramas. A diferença em relação aos demais tratamentos teve significância estatística, segundo a análise apresentada pelos pesquisadores.

O tratamento com 1% de óleo de erva-de-santa-maria não causou mortalidade. Mesmo assim, reduziu o crescimento das lagartas. O peso médio final desse grupo atingiu 52,1 miligramas. Os controles com água e Tween 80 tiveram desenvolvimento maior. O controle com água alcançou peso médio final de 289,0 miligramas. O controle com Tween 80 a 1% chegou a 269,3 miligramas. O controle com Tween 80 a 5% chegou a 203,0 miligramas.

O óleo de nim funcionou como referência natural no ensaio. O tratamento com 1% de nim registrou três mortes. O tratamento com 5% de nim não apresentou mortalidade. O peso médio final chegou a 209,8 miligramas no grupo com 1% de nim e a 45,7 miligramas no grupo com 5% de nim. Segundo os pesquisadores, erva-de-santa-maria a 5% superou os tratamentos com nim em redução de crescimento e mortalidade larval.

Análise química

A análise química do óleo essencial de erva-de-santa-maria identificou compostos majoritários. O perfil volátil apresentou 29,2% de alfa-terpineno, 25,2% de ascaridole, 18,0% de isoascaridole e 7,4% de limoneno. Os pesquisadores destacam os isômeros de ascaridole como compostos frequentemente associados à atividade inseticida do óleo essencial de erva-de-santa-maria.

O estudo usou folhas secas de Dysphania ambrosioides cultivadas em casa de vegetação. O material passou por hidrodestilação durante duas horas. Depois, o óleo essencial passou por análise por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas.

As larvas de Spodoptera frugiperda permaneceram em condições controladas de laboratório. A temperatura ficou em 22 graus Celsius, com umidade relativa de 40% e ciclo de luz de 12 horas. Os pesquisadores registraram diariamente mortalidade e variação de peso. Cada lagarta recebeu nova placa de Petri e nova porção de dieta artificial a cada dia.

Os resultados indicam potencial do óleo essencial de erva-de-santa-maria como ingrediente inseticida natural. Os pesquisadores afirmam, porém, que o estudo teve caráter preliminar em ambiente controlado. Eles recomendam novos trabalhos para esclarecer o mecanismo de ação do óleo essencial. Também indicam a necessidade de ensaios em condições de campo ou casa de vegetação (em plantas), por causa das limitações inerentes a testes conduzidos em dieta artificial.

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