Nitrogênio reduz gutação do trigo e prejudica parasitoide

Adubação elevada diminuiu sobrevivência e capacidade de parasitismo de Aphidius gifuensis em estudo científico

20.10.2026 | 09:42 (UTC -3)
Revista Cultivar
Foto: lq-yang - iNaturalist - CC BY-NC 4.0
Foto: lq-yang - iNaturalist - CC BY-NC 4.0

A adubação nitrogenada elevada reduziu a gutação do trigo e prejudicou insetos alimentados com o líquido liberado pelas folhas. Pesquisa da Universidade Agrícola de Huazhong, na China, identificou menor sobrevivência e capacidade de parasitismo de Aphidius gifuensis, vespa inimiga natural do pulgão Sitobion miscanthi.

A gutação ocorre pela liberação de gotas de líquido nas margens e pontas das folhas. O exsudato fornece água e nutrientes a diferentes insetos. Os pesquisadores cultivaram trigo sob quatro níveis de adubação, com zero, 1,5, 3 e 6 gramas de ureia para cada 3 quilogramas de substrato. Quanto maior o fornecimento de nitrogênio, menor o volume de gutação.

Atratividade das plantas

Em experimentos com Drosophila melanogaster, a gutação das plantas sem ureia atraiu mais moscas que a das plantas com a maior dose em todos os momentos avaliados. Em relação à dose média, a vantagem só foi significativa nos primeiros dez minutos de observação. A dose baixa não diferiu do tratamento sem ureia. A remoção das gotas eliminou as diferenças de preferência entre os tratamentos.

A longevidade média das fêmeas alimentadas com gutação caiu de 3 dias, sem aplicação de ureia, para 1,5 dia na maior dose. A dose baixa registrou média ligeiramente superior, de 3,3 dias. Entre os machos, a redução foi gradual: de 3,3 dias sem ureia para 3, 2,4 e 1,5 dia conforme o aumento da adubação. O número de ovos maduros nos ovários das fêmeas também diminuiu a partir do terceiro dia de alimentação. No quinto dia, o grupo sem ureia manteve mais ovos que os das doses média e alta.

No caso de Aphidius gifuensis, a gutação de plantas sob a maior dose de nitrogênio reduziu a sobrevivência das fêmeas. A sobrevivência dos machos não apresentou diferença significativa. Vespas alimentadas por 60 horas com exsudatos dos três tratamentos adubados apresentaram menor capacidade de parasitar Sitobion miscanthi em comparação ao grupo sem adubação nitrogenada. Com períodos de alimentação mais curtos, de 12 e 36 horas, a dose baixa não diferiu do tratamento sem ureia.

Análise química

A análise química identificou 118 compostos na gutação. A 1-(4-hidroxifenil)propan-1-ona foi mais abundante na gutação das plantas sem ureia do que em todas as doses aplicadas. A isofraxidina também tendeu a diminuir com o aumento do nitrogênio, mas com resultado estatístico no limite da significância. Os pesquisadores apontam essas substâncias como possíveis mediadoras das respostas dos insetos, mas sua ação direta ainda depende de comprovação. Os ensaios ocorreram em condições controladas, sem validação em lavouras (doi 10.1127/entomologia/4495).

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