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A semeadura da soja alcançou 10,23% da área projetada em Mato Grosso na safra 2026/27. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), os trabalhos começaram em ritmo mais lento, e isso coloca em atenção a janela do milho segunda safra, que é semeado depois da oleaginosa. O algodão mato-grossense ainda aparece na fase de projeções para o novo ciclo, com intenção de plantio de 1,43 milhão de hectares.
A soja ocupava 10,23% da área prevista em Mato Grosso entre 28 de setembro e 2 de outubro. Na semana anterior, entre 21 e 25 de setembro, a semeadura atingia 3,87%. O avanço corresponde a 6,36 pontos percentuais em uma semana.
O Imea mantém a área da soja 2026/27 em 13,05 milhões de hectares. Com esse total, o percentual registrado no início de outubro representa cerca de 1,34 milhão de hectares implantados. O cálculo usa a área estimada pelo instituto e o avanço informado no boletim.
A projeção de produtividade permanece em 62,44 sacas por hectare. O rendimento fica abaixo das médias superiores a 66 sacas por hectare registradas nas duas safras anteriores. A produção mato-grossense segue estimada em 48,88 milhões de toneladas.
A comercialização da nova safra também avançou antes da conclusão do plantio. Em setembro, os produtores haviam negociado 39,12% da soja 2026/27. O índice passou de 18,49% em junho para 23,33% em julho e 30,23% em agosto. A safra 2025/26 alcançou 96,90% de comercialização em setembro.
Em Mato Grosso, o ritmo da soja é o principal ponto de atenção para o milho 2026/27. O término do ciclo da oleaginosa define parte do período disponível para implantar o cereal de segunda safra. Se o atraso inicial da soja persistir, a janela do milho pode ficar menor. Por outro lado, se as chuvas se regularizarem ao longo de outubro, a alta capacidade operacional das propriedades pode acelerar os trabalhos e recuperar parte do atraso.
O Imea projeta 7,48 milhões de hectares com milho, avanço de 0,59% ante 2025/26. A produtividade prevista é de 119,64 sacas por hectare, queda de 8,05% em relação ao ciclo passado. Segundo o instituto, a estimativa mais conservadora reflete os possíveis impactos do El Niño sobre a distribuição das chuvas ao longo do ciclo. A produção foi calculada em 53,68 milhões de toneladas, recuo de 7,50% no comparativo anual.
No algodão, o Imea projeta expansão da área para 2026/27. A intenção de plantio alcança 1,43 milhão de hectares, alta de 3,84% ante a temporada anterior. O instituto associa o aumento aos preços mais atrativos da pluma no momento da estimativa.
A produtividade prevista para o novo ciclo soma 310,39 arrobas por hectare, redução de 6,01% frente a 2025/26. O Imea atribui a projeção menor a dois fatores: os possíveis impactos do El Niño sobre as chuvas em Mato Grosso e o risco de atraso no ciclo da soja, que pode tirar o plantio do algodão da janela ideal. A produção em caroço deve alcançar 6,65 milhões de toneladas, queda de 2,41%.
Na safra 2025/26, já encerrada, Mato Grosso registrou produtividade recorde de 330,25 arrobas por hectare, alta de 4,80% ante 2024/25. Mesmo assim, a produção de 6,81 milhões de toneladas ficou abaixo da safra anterior, por causa da menor área colhida.
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