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Cultivares de soja com resistência ao nematoide-de-cisto-da-soja (SCN), Heterodera glycines, recrutam microbiomas de rizosfera diferentes dos observados em materiais suscetíveis. Esses microbiomas também reduziram a população do patógeno quando pesquisadores os transferiram para a cultivar suscetível Williams 82. O resultado indica espaço para uso do microbioma como reforço ao manejo do SCN.
Pesquisadores avaliaram 10 cultivares de soja. O grupo reuniu cinco materiais resistentes e cinco suscetíveis ao SCN. A equipe cultivou as plantas por duas gerações em câmara de crescimento e depois analisou bactérias e fungos da rizosfera por sequenciamento de amplicons.
Os dados mostraram maior população de SCN nas cinco cultivares suscetíveis do que nas cinco resistentes. A análise estatística também indicou efeito significativo do genótipo da planta e do traço de resistência sobre a composição das comunidades microbianas. O genótipo explicou parcela maior da variação.
Entre os microrganismos associados às cultivares resistentes, o trabalho destacou táxons bacterianos de Phenylobacterium, Pseudoduganella e da família Comamonadaceae. No grupo dos fungos, o gênero Arthrobotrys apareceu entre os enriquecidos nas plantas resistentes. Segundo os autores, esses grupos podem participar da supressão do nematoide por ação direta ou por interação com a planta hospedeira.
Na etapa de transferência, os pesquisadores produziram inoculantes microbianos a partir da rizosfera das cultivares resistentes e aplicaram esse material em solo destinado à Williams 82, cultivar suscetível. Após 35 dias, os tratamentos com inoculantes oriundos das cultivares resistentes reduziram de forma significativa a população de SCN em relação ao controle, que recebeu inoculante da própria Williams 82.
O efeito, porém, não igualou o nível de supressão observado nas cultivares geneticamente resistentes. O estudo também não registrou diferença significativa em comprimento de parte aérea e massa fresca da parte aérea da Williams 82 entre os tratamentos. Para os autores, isso reforça que o microbioma contribui de forma parcial para a resistência e atua em conjunto com a genética da planta.
A análise da rizosfera da Williams 82 após a inoculação detectou pequenas, mas significativas, mudanças na composição das comunidades bacterianas e fúngicas. Entre os grupos enriquecidos nos tratamentos com inoculantes de cultivares resistentes, apareceram bactérias da classe Actinobacteria e do gênero Candidatus Xiphinematobacter, além do fungo Biatora.
Os autores observam que a planta hospedeira pode remodelar o microbioma ao longo do tempo. Esse processo pode reduzir a permanência e a eficácia do inoculante. Por isso, o trabalho sugere novos estudos com reaplicação, mistura de inoculantes ou outras formulações para ampliar a estabilidade do efeito no campo.
Mais informações em doi.org/10.1094/PBIOMES-07-25-0049-R
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