Brasil paga mais por menos fertilizantes em 2026
Importações recuaram 7,4% até julho, enquanto desembolso aumentou 8% e amplia preocupação com custos da soja
As exportações brasileiras de soja alcançaram o recorde de 100,1 milhões de toneladas entre janeiro e setembro, impulsionadas pela demanda chinesa. Os embarques de farelo e óleo também cresceram no período. No mercado interno, o plantio da nova safra avança sob influência das condições climáticas, enquanto a comercialização antecipada registra volume recorde. Milho, sorgo, trigo, arroz e feijão apresentam cenários distintos de produção, preços e comércio exterior.
O Brasil exportou 100,1 milhões de toneladas de soja entre janeiro e setembro, volume recorde para o período. No mesmo intervalo do ano anterior, os embarques somaram 93,9 milhões de toneladas. Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) também apontam crescimento das exportações de farelo e óleo de soja. A comercialização da nova safra avança, enquanto o plantio ganha ritmo nas principais regiões produtoras.
A comercialização da safra brasileira de soja alcançou 81,9% da produção. No mesmo período do ano anterior, o índice atingia 84%, percentual também correspondente à média histórica informada no levantamento.
Na safra nova, a comercialização antecipada chegou a 39,2% da produção projetada. O percentual ficou próximo dos 39,5% registrados no ano anterior e abaixo da média de 40,3%.
As operações de barter, troca de grãos por insumos, continuam participando do financiamento da produção. Os juros elevados no mercado financeiro brasileiro favorecem a utilização desse mecanismo.
O plantio da soja também avança. O Paraná ultrapassou 40% da área prevista. Mato Grosso apresenta índices entre 15% e 17%, enquanto Mato Grosso do Sul superou 10%.
A irregularidade das chuvas ainda limita o avanço das semeadoras em algumas regiões. Os produtores aguardam maior regularidade das precipitações, principalmente em Mato Grosso.
Nos Estados Unidos, a melhora das condições climáticas favoreceu a colheita de soja. As estimativas de mercado apontam avanço para mais de 35% da área, após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informar 25% no levantamento anterior.
As exportações brasileiras de milho somaram 5,212 milhões de toneladas em setembro, abaixo das 7,563 milhões de toneladas registradas no mesmo mês do ano anterior. O Egito liderou os destinos do milho brasileiro, com participação de 25%. O Irã respondeu por 14% e o Vietnã por 10%.
No mercado interno, a previsão de área para a primeira safra de milho alcança aproximadamente 4,3 milhões de hectares. O ciclo anterior ocupou cerca de 4,1 milhões de hectares. A diferença representa expansão estimada entre 200 mil e 250 mil hectares.
Nos Estados Unidos, a colheita do milho ultrapassou 30% da área. O levantamento anterior do USDA apontava 23%. A produção americana enfrenta redução de área plantada e problemas de qualidade em comparação com a temporada passada.
O sorgo brasileiro ganhou participação no comércio internacional. Segundo dados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), os embarques superaram 1 milhão de toneladas entre janeiro e setembro.
A projeção para outubro indica exportações de 1,4 milhão de toneladas. Caso o volume se confirme, o acumulado de janeiro a outubro poderá alcançar aproximadamente 2,4 milhões de toneladas.
A produção brasileira de sorgo alcançou aproximadamente 7,5 milhões de toneladas, segundo as estimativas apresentadas no levantamento. Na safra anterior, o volume ficou em 6,1 milhões de toneladas. Menos de 2% das lavouras permanecem no campo.
Nos Estados Unidos, a colheita do sorgo aproxima-se de 40% da área, diante de uma média de 45% para o período. Os problemas de qualidade da safra americana ampliam as oportunidades comerciais para o produto brasileiro.
A safra brasileira de trigo apresenta redução de área plantada. O cultivo ocupou aproximadamente 2,5 milhões de hectares no ciclo anterior. Nesta temporada, a área ficou abaixo de 2 milhões de hectares.
As condições climáticas também prejudicaram o desenvolvimento das lavouras em algumas regiões. No Paraná, a colheita ultrapassou 80% da área. No Rio Grande do Sul, os trabalhos alcançaram aproximadamente 10% e começam a ganhar ritmo.
As importações brasileiras de trigo somaram 4,369 milhões de toneladas entre janeiro e setembro. No mesmo intervalo do ano anterior, chegaram a 5,247 milhões de toneladas.
A menor demanda por derivados de trigo contribui para reduzir o ritmo das compras externas, segundo informações de moinhos. Ao mesmo tempo, os preços do produto importado apresentam menor competitividade diante dos níveis observados anteriormente.
O plantio do arroz enfrenta interrupções provocadas pelas chuvas no Rio Grande do Sul. Na Fronteira Oeste, a semeadura alcançou aproximadamente 50% da área prevista antes da retomada das precipitações.
Em Santa Catarina, os produtores também enfrentam dificuldades. Inundações atingiram áreas do litoral norte, incluindo a região de Jaraguá do Sul. O sul catarinense também registrou episódios de alagamento.
O mercado brasileiro de feijão apresentou estabilidade durante a semana. A colheita começa em áreas do oeste paulista, com expectativa de maior oferta nas próximas semanas.
Em Goiás e Minas Gerais, o feijão-carioca de classificação nota 9 ou superior apresenta indicações entre R$ 295 e R$ 305. Em São Paulo, as referências para o produto da mesma classificação variam de R$ 325 a R$ 340.
O feijão-carioca comercial, com classificação entre notas 8 e 8,5, apresenta preços indicativos entre R$ 285 e R$ 295 em Minas Gerais e Goiás. No mercado paulista, os valores ficam entre R$ 305 e R$ 310.
O feijão-preto registra indicações entre R$ 255 e R$ 280 por saca. Parte dos produtores aguarda preços próximos de R$ 300.
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