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O mercado internacional acompanha a bolsa de Chicago e o conflito no Oriente Médio. O petróleo superou 115 dólares por barril. Esse movimento elevou custos de fertilizantes. Produtores relatam insumos caros e compras atrasadas no Brasil. A comercialização da nova safra não alcança 40%. Produtores aguardam recuo da guerra para aliviar custos. Um cenário de acomodação pode derrubar petróleo, dólar e commodities.
A soja em Chicago opera com suporte próximo de US$ 11,50 por bushel. O nível mostra fragilidade. A resistência recuou para US$ 11,80. O mercado perdeu força frente às semanas anteriores. O ambiente indica calmaria no curto prazo.
Nos Estados Unidos, o plantio ainda não começou. O frio domina o cinturão produtor. Estados como Minnesota e Dakotas registram temperaturas baixas e previsão de neve. Geadas atingem várias regiões. O milho e o sorgo avançam apenas no sul. Esse atraso limita movimentos no mercado global.
No Brasil, a colheita de soja alcança 86%. Mato Grosso praticamente encerra os trabalhos com 99%. Paraná chega a 88%. Mato Grosso do Sul atinge 87%. Goiás registra 82%. Bahia soma 75%. Rondônia alcança 90%. Minas Gerais marca 80%. Rio Grande do Sul segue com 35%. A produção projeta 180 milhões de toneladas. O volume colhido soma 153 milhões.
A comercialização atinge 53% da safra. O índice fica abaixo do ano passado, com 58%, e da média de 59%. Cerca de 84 milhões de toneladas ainda permanecem nas mãos do produtor. O mês de abril concentra vencimentos financeiros. Esse fator pressiona a oferta. Mesmo assim, negócios avançam. O mercado registra cerca de 1 milhão de toneladas negociadas por dia na semana.
As exportações mantêm ritmo forte. Em março, os embarques somaram 14,5 milhões de toneladas. O acumulado do ano chega a 23,5 milhões. O volume configura recorde para o período. Considerando soja, farelo e óleo, o total atinge 29,9 milhões de toneladas. O resultado supera o ano passado em quase 2 milhões. As divisas alcançam US$ 6,9 bilhões. O complexo soja lidera a pauta exportadora.
No milho, Chicago apresenta estabilidade. O contrato maio perdeu o suporte de US$ 4,50 por bushel. O julho tenta sustentar US$ 5,00. Fundamentos sustentam contratos longos. O mercado considera redução de área nos Estados Unidos. A projeção indica queda de quase 1,5 milhão de hectares. A área deve atingir 38,5 milhões, contra 40 milhões no ciclo anterior.
O plantio americano avança 3%. O ritmo supera levemente o ano passado e a média. Texas lidera com 59% das áreas. O sorgo registra 12% plantado. A área deve cair cerca de 10%. Menor oferta americana pode abrir espaço para exportações brasileiras. No Brasil, o sorgo pode alcançar 2,2 milhões de hectares, acima dos 1,6 milhão anteriores.
A safrinha de milho ocupa cerca de 17 milhões de hectares. O número fica abaixo da expectativa inicial. A produção projeta 105 milhões de toneladas, frente a 113,3 milhões no ciclo passado. O cenário pode sustentar preços e favorecer o sorgo.
No trigo, Chicago trabalha próximo de US$ 6,00 por bushel no curto prazo. Contratos mais longos indicam US$ 6,50. No Brasil, moinhos compram volumes reduzidos. O trigo gaúcho gira em torno de R$ 1.150 por tonelada. No Paraná, valores variam entre R$ 1.250 e R$ 1.300. Produtores relatam margens apertadas. A decisão de plantio ainda gera dúvidas.
O trigo importado indica valores acima de R$ 1.500 por tonelada para o segundo semestre. As exportações brasileiras somaram 447,4 mil toneladas em março. O volume supera o mesmo mês do ano passado. O acumulado do ano atinge 1,055 milhão de toneladas. As importações recuam para 1,245 milhão, abaixo do ciclo anterior.
Nos Estados Unidos, a qualidade do trigo de primavera piora. Lavouras entre regulares e ruins atingem 31%. No ano passado, o índice marcava 21%. Áreas boas e excelentes caem para 35%, ante 48% anteriores. O quadro pode sustentar preços futuros.
No arroz, a colheita alcança 58% no Brasil. Rio Grande do Sul registra 60%. Santa Catarina atinge 85%. Tocantins marca 45%. A produção projetada soma 11,2 milhões de toneladas. O volume colhido chega a 6,5 milhões. Produtores seguram vendas e aguardam melhores preços.
As exportações acumulam 701,2 mil toneladas no primeiro trimestre. As importações somam 426,5 mil. O saldo positivo alcança 274,7 mil toneladas. O mercado interno ajusta preços. O pacote de cinco quilos já supera R$ 10,00. Faixas variam de R$ 12,90 a R$ 30,00 conforme qualidade.
No feijão, abril inicia com leve reação. O tipo nobre alcança entre R$ 315 e R$ 350. O comercial varia de R$ 280 a R$ 305. Empacotadores retomam compras. O feijão preto mantém estabilidade. Preços oscilam entre R$ 150 e R$ 185. O mercado aguarda aumento da demanda.
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