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O avanço da safra de soja no Brasil ocorre em meio à queda do dólar e à recuperação das cotações em Chicago. Nos Estados Unidos, chuvas atrasaram a colheita e reduziram a avaliação das lavouras. O cenário também afeta milho e sorgo. No mercado brasileiro, a valorização do real pressionou preços nos portos e diminuiu o ritmo dos negócios.
Nos Estados Unidos, 85% das lavouras de soja chegaram à maturação. O índice alcançava 75% na semana anterior, 90% no mesmo período do ano passado e 87% na média. A colheita atingiu 25% da área. Uma semana antes, o índice marcava 17%. No ano passado, alcançava 35%, ante média de 33%.
As chuvas das últimas semanas reduziram o ritmo dos trabalhos. A avaliação das lavouras também recuou. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos indicou 57% da soja em condições boas ou excelentes. O índice marcava 58% na semana anterior e 61% no ano passado.
Nesse ambiente, a soja tentou recuperar parte das perdas recentes em Chicago. O contrato de novembro buscou superar 12,90 dólares por bushel e voltar ao patamar de 13 dólares. As posições de 2027 ficaram acima de 13 dólares por bushel.
No Brasil, a comercialização da soja já colhida alcançou 81,8%. No mesmo período do ano passado, o índice chegava a 83,9%, mesmo percentual da média. Ainda restam 32,9 milhões de toneladas nas mãos dos produtores para negociação. No ano anterior, o volume somava 27,6 milhões de toneladas.
Na safra nova, 39,1% da produção prevista já recebeu negociação. O índice alcançava 39,5% no ano passado e 40,2% na média. O volume negociado soma 72,3 milhões de toneladas. Parte relevante dos negócios ocorreu por meio de operações de barter e de vendas destinadas à fixação de preços.
O recuo do dólar diminuiu as cotações nos portos brasileiros. A soja passou a operar entre 153 reais e 154 reais por saca. Poucas semanas antes, os valores alcançavam entre 165 reais e 166 reais. O volume ainda disponível também reduz a pressão compradora no mercado físico.
O plantio brasileiro da nova safra ganhou ritmo. Mato Grosso apresenta entre 12% e 13% da área semeada. O Paraná chega perto de 40%. Mato Grosso do Sul se aproxima de 10%, enquanto Goiás supera 5%. O avanço nacional ocorre em ritmo superior ao registrado no ciclo anterior, com destaque para o Paraná.
No milho, as chuvas também atrasaram a colheita dos Estados Unidos. A maturação alcançou 83% das lavouras, em linha com a média. A colheita chegou a 23%, abaixo dos 27% da média. A avaliação apontou 54% das lavouras em condições boas ou excelentes. O mercado de Chicago voltou a operar acima de 5 dólares por bushel nos contratos a partir de dezembro.
A produção brasileira de milho alcança 143,7 milhões de toneladas. A safrinha responde por cerca de 112,2 milhões de toneladas. A primeira safra fica próxima de 29 milhões de toneladas. Quase 70 milhões de toneladas permanecem livres nas mãos dos produtores.
O plantio da primeira safra de milho chega a aproximadamente 80%, ante 75% no ano passado e 75% na média. O Rio Grande do Sul pode alcançar perto de 900 mil hectares, com aumento de 80 mil hectares. Santa Catarina projeta 340 mil hectares, avanço de 30 mil. O Paraná pode chegar a 400 mil hectares, com crescimento de 40 mil. Minas Gerais projeta 700 mil hectares, aumento de 30 mil. No Brasil, a área pode alcançar 4,35 milhões de hectares, expansão de 250 mil hectares.
O sorgo brasileiro também ganha espaço. A colheita nacional alcança 98% de uma área próxima de 2,2 milhões de hectares. No ciclo anterior, o plantio ocupou 1,6 milhão de hectares. A produção atual deve ficar entre 7,3 milhões e 7,5 milhões de toneladas, acima das 6,1 milhões de toneladas colhidas no ano passado.
Nos Estados Unidos, a maturação do sorgo alcança 72%, ante média de 75%. A colheita chega a 32%, abaixo dos 38% da média. Apenas 26% das lavouras receberam avaliação boa ou excelente. A expectativa apresentada aponta produção abaixo de 7 milhões de toneladas.
Para a próxima temporada brasileira de sorgo, a estimativa inicial indica 2,5 milhões de hectares. Projeções mais otimistas chegam a 3 milhões de hectares. A produção inicial projetada soma 8,5 milhões de toneladas. As exportações brasileiras já superam 1 milhão de toneladas nesta temporada.
O trigo recuperou parte das cotações em Chicago, com posições próximas ou superiores a 7 dólares por bushel. Problemas de embarque na Rússia, dificuldades no fornecimento ucraniano e a qualidade da safra norte-americana deram suporte ao mercado.
Nos Estados Unidos, o plantio do trigo de inverno alcançou 36%. Na semana anterior, registrava 27%. O índice chegava a 44% no ano passado e 46% na média.
No Brasil, o Paraná colheu cerca de 75% da área de trigo, estimada em 725 mil hectares. No Rio Grande do Sul, a colheita ainda permanece abaixo de 5% sobre aproximadamente 815 mil hectares. Grande parte das lavouras gaúchas passa pelo enchimento de grãos e avança para a maturação. As chuvas mantêm a atenção dos produtores.
No arroz, o mercado gaúcho opera entre 81 reais por saca na Fronteira Oeste e 85 reais na faixa litorânea para o produto comercial. O arroz nobre varia entre 83 reais e 90 reais. A queda do dólar também reduziu o interesse comprador no porto de Rio Grande.
O plantio do arroz avança no Mercosul. A Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul apresenta entre 40% e 50% da área implantada. O Paraguai supera 50%. Argentina e Uruguai operam perto de 40%, com avanço em direção a 50% no território uruguaio.
O feijão segue com oferta limitada. As primeiras colheitas da safra do Sudeste devem começar nas próximas duas semanas. No Paraná, a área pode ficar abaixo de 90 mil hectares. O estado cultivou 102 mil hectares no ano passado e 170 mil hectares dois anos atrás.
O feijão-carioca nobre apresenta indicações entre 295 reais e 305 reais por saca em Goiás e Minas Gerais. Em São Paulo, os valores variam de 325 reais a 340 reais. O feijão-carioca comercial opera entre 275 reais e 290 reais em Minas Gerais e Goiás. No mercado paulista, varia entre 305 reais e 320 reais por saca.
O feijão-preto apresenta preços entre 260 reais e 280 reais por saca. A redução da área cultivada, associada ao excesso de chuva e às temperaturas baixas, sustenta a expectativa de mercado firme nos próximos meses.
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