Mercado Agrícola - 4.set.2026

Colheita nos EUA pressiona soja e milho após máximas recentes

04.09.2026 | 16:40 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

As cotações de soja e milho começaram a perder força no mercado internacional com o avanço do ciclo das lavouras nos Estados Unidos e a proximidade da colheita. Os preços agrícolas vinham de patamares próximos das máximas dos últimos três a quatro anos. O início da retirada da safra norte-americana tende a ampliar a pressão sobre as cotações. Ao mesmo tempo, o petróleo permanece acima de 96 dólares por barril diante das tensões envolvendo Estados Unidos e Irã.

Na soja, os contratos perderam parte do avanço observado nas últimas semanas. O mercado spot recuou para menos de 12,90 dólares por bushel. A posição de novembro também perdeu o nível de 13 dólares por bushel. Mesmo com a correção, os preços permanecem em patamares considerados elevados dentro da comparação dos últimos anos.

A safra norte-americana entra na fase final de desenvolvimento. Cerca de 97% das lavouras chegaram à formação de vagens, ante média de 95%. A maturação alcançou 17%, acima da média de 12%. Segundo o USDA, 58% das lavouras apresentam condição boa ou excelente. No mesmo período do ano passado, o índice alcançava 65%.

Esse quadro alimenta projeções de produção abaixo do número divulgado pelo USDA em agosto, de 123 milhões de toneladas. O Pro Farmer estimou anteriormente 124,4 milhões de toneladas. A deterioração posterior das lavouras abriu espaço para expectativas de uma colheita inferior a 120 milhões de toneladas.

As compras chinesas de soja dos Estados Unidos continuam em volumes considerados relevantes. O movimento, porém, não sustentou novas altas em Chicago. No Brasil, o dólar voltou à faixa de 5,10 reais. Esse nível limita parte do potencial de valorização nos portos.

A comercialização da safra brasileira atual alcança cerca de 80,5% da produção. No ano passado, o índice chegava a 82,5%. O volume ainda disponível nas mãos dos produtores soma aproximadamente 35,2 milhões de toneladas, ante 30,1 milhões de toneladas no ciclo anterior.

Na safra nova, cerca de 37% da produção já passou por negociação. O índice alcançava 38,5% no mesmo período do ano passado, com média histórica de 39%. Em volume, as vendas somam perto de 69 milhões de toneladas. A projeção apresentada no material aponta uma colheita brasileira entre 185 milhões e 190 milhões de toneladas, em área superior a 50 milhões de hectares.

Situação do milho

O mercado de milho também entrou em fase de acomodação. Nos Estados Unidos, 95% das lavouras alcançaram a formação de espigas, ante média histórica de 90%. O enchimento de grãos chegou a 65%, contra média de 60%. A maturação atingiu 16%, muito próxima da média de 15%.

A condição das lavouras, porém, aparece abaixo da registrada no ciclo anterior. Cerca de 57% das áreas apresentam avaliação boa ou excelente. No ano passado, o percentual alcançava 69%.

O mercado acompanha possíveis revisões na estimativa de produção norte-americana. O relatório anterior indicava volume acima de 406 milhões de toneladas. As projeções citadas no material variam entre 395 milhões e 398 milhões de toneladas. O Pro Farmer apontou pouco mais de 389 milhões de toneladas.

A redução da produção tende a limitar a disponibilidade norte-americana para exportação. A colheita deve começar nos próximos dias nas regiões produtoras mais ao sul dos Estados Unidos.

No Brasil, a colheita da segunda safra alcança aproximadamente 95%. No mesmo período do ano passado, o índice chegava a 97%. A projeção apresentada aponta produção próxima de 112 milhões de toneladas, contra 113,3 milhões de toneladas no ciclo anterior.

O plantio da safra de verão avançou para uma faixa entre 30% e 40%. O mercado, porém, acompanha sinais de redução de área. As estimativas citadas indicam possível retração entre 200 mil e 500 mil hectares frente ao ano passado. O custo de produção elevado, principalmente no Sul, reduz o interesse pelo cereal. Em algumas regiões, a relação entre receita e custo deixa margens estreitas ou negativas.

Situação do trigo

O trigo acumulou forte valorização nos últimos 50 a 60 dias. As cotações saíram de pouco mais de 6 dólares por bushel e chegaram perto de 8 dólares por bushel nas posições mais longas. O mercado agora passa por acomodação, com contratos ainda acima de 7 dólares por bushel em Chicago.

A colheita avança para o fim no Hemisfério Norte. Na Rússia, resta menos de 20% da área. Na Ucrânia, menos de 15%. Nos Estados Unidos, a colheita do trigo de primavera também entra na reta final.

A produção global citada no material aparece abaixo dos anos anteriores e inferior ao consumo. No Brasil, a área plantada caiu para perto de 2 milhões de hectares, ante aproximadamente 2,5 milhões de hectares no ano passado.

Situação do arroz

O mercado de arroz mantém viés firme. No Rio Grande do Sul, os preços se aproximam de 80 reais por saca na Fronteira Oeste. Nos estados centrais, as referências superam 100 reais por saca. No Tocantins, aparecem indicações entre 103 reais e 110 reais, com negociações mencionadas perto de 115 reais.

O varejo entra em período de reposição, enquanto os produtores vendem parte dos estoques para financiar a implantação da nova safra. No Rio Grande do Sul, o IRGA estima área de 861,7 mil hectares, redução de 3,4% frente ao ciclo anterior. Produtores citados no material consideram possível uma retração maior.

A área também tende a cair em outros países do Mercosul. Paraguai, Argentina e Uruguai apresentam expectativa de redução. No Paraguai, o plantio alcança cerca de 9%. A oferta disponível aparece restrita.

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